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❥15 - eu vi o jeito que ele te abraçou

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Na amanhã de domingo você decidiu que ficar um tempo sozinha, então às 9h colocou os tênis, prendeu seu cabelo e saiu pra correr

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Na amanhã de domingo você decidiu que ficar um tempo sozinha, então às 9h colocou os tênis, prendeu seu cabelo e saiu pra correr. Corrigan Ville era uma cidade dormitório repleta de dias frios onde quando as pessoas não estavam no trabalho, estavam em casa na frente da televisão ou de baixo das cobertas com um bom livro em mãos. Os adolescentes e universitários saíam, mas normalmente isso só acontecia a noite, pois domingo de manhã eles ainda tavam curando a ressaca de sábado. O tempo estava nublado e não havia quase ninguém nas ruas,
Não havia barulho de carros passando ou de buzinas escandalosas, apenas alguns comércios abertos com algumas senhorinhas fazendo compras antes das mercearias fecharem.5005
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Com os fones no último volume e numa velocidade razoável você fez o caminho de sempre, passou pela rua Morgan onde o prédio de Chris ficava, depois cortou por dentro parque central passando na frente do campus e saindo na avenida perto do do posto de gasolina, onde você parou para comprar uma água mineral.

Já estava perto das 11h e seu estômago roncava, fazer exercícios físicos de estômago vazio não era uma decisão mas você ainda não queria ir pra casa.
Depois de perambular meio sem rumo apenas desfrutando da tranquilidade, você avistou a placa de "aberto" na porta da livraria cigana. Seu estabelecimento favorito. Com um sorriso no rosto você passou pela porta fazendo o sininho tilintar. Uma senhorinha saiu dos fundos da loja com o olhar cansado de sempre e você cumprimentou com um aceno de cabeça já que era cliente a mais de 1 ano mas não sabia o nome dela. Ninguém sabia. Ela não usava um crachá com o seu nome, e nem era do tipo que puxava conversa com alguém. Ela apenas somava tudo e lhe dizia o valor a ser pago.

A loja era pequena e poucas pessoas iam até lá de fato, o lugar tinha um pouco de poeira e embora todos achassem que era uma livraria velha que mais cedo ou mais tarde iria a falência, ela continuava lá. Tinha algo mágico em estar cercada de livros, era como um mundinho pequeno onde você podia se esconder do resto do mundo, se esconder de você mesma, deixar sua mente a mercê de vários escritores e viver a mais completa das sensações da sua existência. Em uma era digital onde a maioria dos livros são comprados pela internet, um lugar com aquele era um tesouro perdido para um leitor.

Vagando entre as prateleiras você tinha dificuldade em encontrar por algum título que já não estivesse na estante do seu quarto. Não havia nenhum livro específico que estivesse doida pra ler mas seu consumismo literário desenfreado fazia sua parte. Não importa quantos livros tenha em casa, ou se você já leu todos os que você tem,sempre haverá uma necessidade de querer mais. Consumismo é a inevitável ruína do ser humano. Isso não soa muito bonito mas é verdade. E a verdade não foi feita pra ser bonita.

Segurando uma edição de "carrie a estranha " em mãos você pensava em dar uma segunda chance ao Stephen king e ver se ele conseguiria realmente te convencer a gostar do gênero. Pelo canto do olho você vê uma silhueta se mover na sua direção, então você sente uma mão sobre o seu ombro.

-Carrie a estranha ? não sabia que gostava de gostava dos assustadores.

Susan, a psicóloga da Corrigan e sua amiga particular surge atrás de você com sorrisos e um chapéu engraçado.

-Pois é,  eu nunca gostei - você responde sem jeito.-Passeando ?

-mais ou menos , Howard e eu vamos visitar a minha mãe, eu queria comprar flores antes de ir e mais alguma coisa - ela mostrou o buquê de margaridas e depois um exemplar de Peter pan. - e você o que faz aqui ?

-Nada demais apenas arejando a cabeça.

-Vi sua mãe no jantar de pais e mestres ontem. Ela não parecia muito bem.

Susan sabia sobre sua mãe e mesmo que já tivessem conversado sobre ela diversas vezes, você não conseguia esconder o desconforto que sentia sempre que qualquer pessoa tocava nesse assunto.

-A gente não se via a muito tempo e as coisas... Ficaram estranhas... Fora de controle. Mas fiquei feliz por ela ter vindo.

Susan suspirou fundo como sempre fazia e acariciou seu braço. Típico de psicólogos de adolescentes.

-Entendo, se quiser ir a minha sala qualquer hora no meio da semana... Seria bom.

-Claro, vou pensar nisso.

Foi o que você respondeu, quando na verdade, tudo o que você queria dizer era "Eu não quero mais tocar na merda desse assunto."

-Te vejo na segunda então.-Você disse dando um tchauzinho amigável

-S/n, espera! -Susan falou ao segurar seu braço.-Eu não sei exatamente o que ocorreu no sábado entre você e a sua mãe, mas eu vi você e o professor Evans no corredor. Juntos.

Sua boca ficou seca e um nó surgiu em sua garganta. Aquilo não podia estar acontecendo.

-Susan, eu acho que talvez você tenha entendido errado o professor Evans só estava...- você tentou.

-Eu vi jeito como ele te segurou. O jeito que abraçou você.

Você pensou em dizer algo mas se calou, então ela prosseguiu

-Espero do fundo do meu coração estar errado sobre isso. Porque se for verdade... eu não tenho outra escolha além de levar isso até o conselho da universidade.

-susan eu tô te dizendo... não aconteceu nada.

-Você não precisa mentir pra mim. Eu sei que o professor Evans é um homem gentil mas precisa entender que ele passou por um divórcio difícil e que talvez esteja usando você pra se sentir melhor.

"Usando ?" Você pensou e tentou não explodir com o jeito que ela disse aquilo.

-Vou te dizer o que aconteceu, o professor Evans me viu sair chorando e tentou entender o que tinha acontecido, eu disse que queria ficar sozinha e e fui embora. foi SÓ ISSO. -Você disse rispidamente-Agora pode por favor soltar o meu braço.

Ela obedeceu e pela sua expressão dava pra perceber que ela tinha notado que a situação havia passado do limite.

-Me desculpe. Eu só fiquei preocupada com você.

-tchau, Susan.

Cruel, Complicated And WrongHistórias para pegar e não largar. Descubra agora