III - Quando Chove

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A platéia ainda torturava os integrantes. Bonnie e Oliver conseguiram escapar antes de serem cercados, mas Matt, Tina e Nigel ainda eram vítimas. Colson descarregava suas palavras de ódio com Avril, enquanto rangia os dentes.

- Cara, não sei o que as garotas veem nele. - Começou Colson. - A boca dele deve ter gosto de sangue, de tanto que ele arranha a garganta.

- Ela não tem. - Disse Avril, saindo de fininho.

Depois de alguns segundos processando, Colson resolveu abrir a boca.

- Ei, pera aí! Volta aqui, como você sabe?!

Tudo aconteceu no meio das férias de verão. Havia uma festa organizada por Kane Ravat. Era o tipo de festa barulhenta e louca que fedia a álcool. Avril havia se enjoado do clima da festa, e ido pegar um ar no lado de fora. Haviam algumas pessoas bêbadas ao redor que a estavam irritando apenas pela existência. Ela poderia simplesmente ir embora, mas sua carona não ia concordar durante pelo menos duas horas.

Olhando ao redor, ela viu uma casa na árvore. Instintivamente, a melhor ideia era se aproximar do local. Era um pouco afastado do salão de festas de Kane, ou de qualquer pessoa na festa. Ela começou a subir as escadas, e finalmente chegou ao alçapão que levava à parte interna. Ali, ela viu um rosto familiar e inesperado.

- M-Me desculpa pela intromissão. - Disse Avril, voltando a descer os degraus.

- Você não tá procurando por paz? - Disse Matt, fazendo a garota parar. - Eu não me importaria em ter a sua companhia por um tempo.

Avril subiu, desviando o olhar do garoto, e se sentou no lado oposto da casa, mantendo um silêncio profundo durante quase um minuto.

- Avril, você guarda rancor da apresentação do mês passado?

- É obvio que sim. Era pra ser o meu ano, e a minha apresentação era pra ser perfeita.

- E foi. Eu consegui sentir a emoção em cada nota que você tocou.

- E o que você sabe sobre música clássica?

- O rock é o gênero que mais abrange elementos clássicos atualmente. Não vou mentir pra você e dizer que eu sou um fã extremamente fanático por Mozart ou Beethoven. Mas o que dá pra dizer, é que eu tenho uma percepção musical parecida com a sua.

- Tá tentando dizer que sabe tanto sobre música quanto eu?

- Exatamente.

- Você deve tar de brincadeira comigo, isso é algum tipo de pia...

- O que eu não sei muito é sobre você. - Matt fez com que Avril travasse por um segundo. - Por que não senta do meu lado? Você não tá conseguindo ver as estrelas.

Avril foi até o garoto, e se sentou próxima o suficiente para que seus braços se encostassem. As estrelas encantavam os olhos azuis de ambos.

- Você é esquisito.

- Não diga.

- Me desculpa, eu devia ter agradecido seu elogio ao invés de complicar tudo.

- Não esquenta, eu não sou do tipo que se ofende facilmente.

- Eu só não tô bem acostumada com o quão pesada é a sonoridade de algumas das suas músicas.

- Pense nesse momento, então.

- Tem razão... Tá tudo tão leve agora... - Ela olhou diretamente nos olhos do garoto, e foi se aproximando lentamente.

Ela não sabia direito o que era aquilo. Matt apenas a atraía de forma involuntária, e seus lábios iam se aproximando cada vez mais, até de fato se tocarem. Ambos os lábios eram doces e macios, com um toque suave e confortável. A mão de Matt, envolvida por uma luva com estampa de esqueleto, acariciava o rosto de Avril. Ela abria lentamente os botões da camisa do garoto, logo antes de cochichar em seu ouvido.

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