Faye girava o garfo de maneira entediada pelo seu prato de espaguete.
- O que foi? - Perguntou Todd.
- Hã?
- Você tá viajando no prato, não comeu um único pedaço.
- Ah, eu... Tô sem fome.
Ela mentia. Seu estômago roncava. Mas a sensação era estranha. Era como uma azia descontrolada. Uma fome sem apetite. Todd suspirava com raiva.
- Se você não quer ir, deveria ter dito antes.
Faye apenas sorria com ironia e insatisfação, sem deixar nenhuma palavra escapar de sua boca. Depois de alguns segundos para processar, ela direcionava o seu olhar a ele, de maneira quase que apaixonada, e acariciava sua mão. O garoto se acalmou aos poucos.
Essa viagem estava planejada havia meses. Todd, que já é uma pessoa temperamental, certamente se irritaria com o fato de Faye expressar sua mudança de decisão no momento em que estavam prestes a sair, ainda jantando no posto quase fora da cidade. Por mais problemática que pudesse ser a impulsividade de Todd, Faye ainda conseguia compreender essa parte. Ela talvez não expressasse raiva, mas se decepcionaria da mesma forma se estivesse no lugar do garoto.
De volta à cidade, Tate caminhava com passos apressados, com o telefone no ouvido.
- Cara, você tem certeza que isso é uma boa ideia? - Perguntou Ramona, no telefone.
- Isso sempre foi uma possibilidade. Você sabe disso. - Tate respondeu.
- É, só que agora você não vai mais ter vida. - Ela girava a massa de uma panqueca na frigideira.
- Eu preciso de dinheiro, Ram.
- A gente mora junto, e nas condições que a gente tá, o certo seria eu procurar um emprego.
- É, mas se você não consegue, eu tenho que tomar uma atitude!
- Ok, ok, me desculpa por ser tão lesada. Mas isso não vai complicar a sua posição?
- Minha função principal sempre vai ser prioridade. Ou, pelo menos, até o caso se encerrar. Eu praticamente vivo pra isso, de forma indireta.
- Então você largaria do seu novo trampo se houvesse qualquer interferência?
- Eu não tenho muita escolha, né? Se eu não fizer isso, não vou mais poder ver você.
Ramona suspirou.
- Boa sorte, Tate. - Ela desligou.
Chloe tentava fazer parecer que não estava completamente perdida no sistema dos computadores do cinema. Ela mal tinha entendido o preço dos ingressos, mas era seu teste de emprego, e precisava dar o seu melhor. Seu expediente já havia começado há dez minutos.
O andar de Tate se tornava mais apressado conforme ele se aproximava das salas de cinema. Ele finalmente se dirigiu à chefe, e nervoso, começou:
- Mil perdões pelo atraso no primeiro dia. Nos falamos mais cedo, eu vim fazer um teste.
A chefe não implicou muito com o garoto, pois realmente estavam desesperados por pessoas que quisessem cumprir a vaga.
Os olhares dos dois novos funcionários se encontravam, em desgosto.
- Bela primeira impressão. - Chloe estourou uma bola de chiclete.
E a noite estava apenas por começar. Chloe cuidaria dos ingressos, e Tate, dos lanches.
O olhar de Matt se vidrava no de Rydel em desespero. Sua pele ficou pálida e ele perdeu o equilíbrio por um instante. Era um choque. Matt literalmente não fazia ideia do que falar. Seus olhos permaneciam arregalados, contraindo suas pupilas.
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Ordinary
RomanceEra uma vida escolar diferente de qualquer outra. Ainda com um pingo de monotonia interna, mas as cores vinham aos poucos. Os rostos podres, adoráveis e cheios de cicatrizes da escola Rainer High cercam e contaminam a realidade de qualquer novato, m...