Charlie observava com calma e atenção os olhares de Carol. Aquilo estava começando a fazer sentido. Ela caminhava com sua mão pela borda do acento da roda gigante, indo em direção à mão de Carol, quando sente uma vibração em seu bolso, parando o seu movimento. A vibração é forte, mas intervalada. Isso a incomoda. Ninguém a liga. Alguém lhe envia várias mensagens.
Ela pega o celular e deixa o alto brilho ofuscar sua visão no escuro, causando desconforto conforme sua pupila se contrai e retoma aos poucos o foco. As mensagens eram de Marie.
Marie: charlie
Marie: meu tempo tá acabando
Marie: queria falar com você antes de ir
Marie: por favor, aparece
Marie: preciso de você
Charlie: shora minha casca de bala
Charlie: que isso muie, ta loca?
Charlie: lansa a braba
- Quem é? - Perguntou Carol.
- A Marie, viajando. - Charlie respondeu.
- Saquei...
Marie: to indo dormir
Charlie: vagabunda
Marie: me conta do date
Charlie: pare ;-;
Marie: te vejo na deagles amanhã
Charlie: paiasa
Charlie: vai dormi
Charlie: >:(
Marie: :P
Charlie bloqueia novamente o celular, levemente estressada.
- Que bosta, aquela vaca quebrou meu clima.
- Relaxa, eu ainda tenho uma ficha da roda gigante. - Disse Carol, conforme a cabine se aproximava da volta completa.
Charlie respondia com um sorriso suave, quase que de pena, por Carol passar pelo trabalho de animá-la.
200BPM. Duzentas batidas por minuto. As garotas perseguiam revezando de compasso em compasso. Tercinas, viradas atempo, jogos de contratempo, batuques dinâmicos duplos e triplos, e o duelo finalmente se encerrava.
Augustine estava ofegante. Roxy escorria de suor. As duas sorriam, conforme o duelo acabava. Augustine fazia um último twirl e apontava a ponta da baqueta diretamente para o rosto de Roxy.
- Um empate, então?
Roxy levantou da bateria, e andou com passos firmes e rápidos até a garota. Largando as baquetas no chão e causando um som desagradável, ela encosta desde a palma até a ponta de seus dedos nos dois lados do rosto da garota, puxando o seu rosto para perto e a beijando.
Avril e Chelsea finalmente chegavam em casa.
- Você tem sorte que eu acabei de receber o meu salário, mas saiba que eu vou cobrar cada centavo disso. - Disse Chelsea.
- Amiga, eu queria provar muitas roupas e a loja tava fechando!!
Chelsea suspirou.
- Tá... Vamos logo então.
Eram cerca de cinco sacolas por mão para cada uma delas. Avril de fato havia comprado muitas roupas com o dinheiro que Chelsea a havia emprestado. Ela tirava as peças das sacolas e as colocava na cama, espalhadas.
- Cara, você tem certeza que vai gostar dessas coisas? - Perguntou Chelsea.
- E por que outro motivo eu teria comprado?
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Ordinary
RomanceEra uma vida escolar diferente de qualquer outra. Ainda com um pingo de monotonia interna, mas as cores vinham aos poucos. Os rostos podres, adoráveis e cheios de cicatrizes da escola Rainer High cercam e contaminam a realidade de qualquer novato, m...