Fui parar em um corredor escuro. Aquilo me dava arrepios. Comecei a correr em passos lentos, procurando o personagem que estava em perigo. Então vi uma sala onde a porta estava trancada. Tentei olhar pelo buraco da fechadura, mas a chave impedia. Algo me dizia que o personagem estava ali dentro.
O que eu faria? Arrombaria a porta? Aposto que não conseguiria. Grito para abrir? Isso seria a coisa mais perigosa a se fazer. Me disfarçaria e entraria de fininho? Estou no meio de um labirinto.
Pense, Clarisse. Pense. Então a solução apareceu na minha frente.
-Olá, minha amiga.-disse Clarence.
-Oi! Eu tenho certeza de que o personagem em apuros está aí. Pode abrir para mim?-perguntei.
-Como quiser.-falou atravessando a porta.
Fiz menção de entrar, mas ele me bloqueou.
-Você não vai gostar de ver o que tem ali dentro.-disse.
-Eu preciso salvar o personagem!-falei.
-Ele já está morto. Tem apenas um narrador lá dentro, mas ele será o mais difícil de derrotar.
Eu não entendia nada do que ele dizia, então entrei mesmo assim.
Levei o maior susto da minha vida quando entrei. Não era porque o narrador era feio. Ele era até bonito. Ele não era um monstro. Era humano demais. Mas não consegui vê seu rosto, pois uma capa o cobria.
Ao lado dele havia um garoto enforcado. Na placa dizia:
"Peter Pan".
E adivinha só? Não era Peter quem estava enforcado.
Fui até o narrador, sem medo e tirei o capuz que cobria seu rosto.
-Você?!-gritei.
-Eu avisei...-disse Clarence.
-Por quê? Você é a ultima pessoa em que eu acreditaria ser um narrador, ainda por cima o mais poderoso- disse chorando.
-Desculpe, mas essa era a missão da minha vida.-disse Peter- Fui criado para matar vocês.
-Então por que me iludiu? Por que me beijou, falou que gostava de mim? Isso fazia parte do pacote?-perguntei.
-Quando eu te conheci, eu não sabia que era uma personagem. Aos poucos fui aprendendo que narradores e personagens são inimigos. Eu pensava isso, até me apaixonar por uma delas.
-Foi você que matou Emily?-perguntei.
-Foi. Mesmo gostando de uma personagem tenho que cumprir meu dever.-falou.
Então Josh estava certo.
-É, ele estava.-falou.
-Como você...?
-Você narra coisas em sua cabeça. Isso faz de você uma narradora personagem.-falou Peter.
-E eu sou uma personagem com poderes?-pergunto.
-Tipo isso.-falou ele começando a chorar-Me desculpe Clarisse- ele deu um chute em Clarence-mas vou ter que cumprir meu dever.
Ele tirou uma faça da capa e foi andando devagar até mim.
-Peter, por favor!
-Você não entende! É o amor ou a família!
Então a parede quebrou e dela saltou um lobisomem.
-Para trás!-gritou Josh-Você não vai machuca-la!
Ele começou a lutar com Peter. Ele deu uma facada no braço de Josh, que o jogou para a varanda, o fazendo ficar perdurado a ponto de cair em um abismo. Agora eu o entendia: eu salvava meu namorado ou deixava meu inimigo morrer.
Não resisti e fui ajudá-lo.
O puxei, mas pelo peso acabei caindo no abismo junto com Peter.
Peter começou a voar e foi tentar me pegar, mas ele não iria conseguir. Eu morreria a não ser que meu plano desse certo.
Aguardei o ultimo cupcake que Clarence havia me dado e comi na esperança de salvar minha vida. Depois? Eu só lembro de minha visão ficar escura um pouco antes do meu encontro com o chão rochoso e pontudo.
Pelo menos eu morreria salvando um amigo. Ou melhor um inimigo.
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Apenas contos
FantasySabe aqueles contos de fadas que você lia quando era menor? Aqueles personagens que mudaram sua vida? Eles existem. A cada 1000 anos seus descendentes aparecem, como pessoas normais, vivendo naturalmente. Até que suas vidas mudam quando descobrem qu...
