Um reencontro inesperado

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Querido Diário,
Eu só quero dizer que Dolly é uma boneca megera, sem noção, estraga prazeres, estraga vidas e etc. Assim como Ryan. Tirando a parte da boneca. Por que Ryan tá mais pra Ken. Ken... Ken é uma ova! O Ken fica quieto e não responde, já o Ryan tem que abrir aquela boca que só sai... Você sabe... Merda.

Mas você já deve ter percebido meu humor pós-briga, não é? Desculpe se eu ainda não me conformei que a vida me fez gostar de um garoto estupido que não retribui meu sentimento! Quer saber? Eu deveria me mudar para o Alabama, isso sim. Vamos lá antes que eu enlouqueça...
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Como aquela boneca estupida podia ter sumido (ou aparecido, não sei) do banheiro?! Calma, Amanda, calma. Tudo vai ficar bem.
Botei uma roupa melhor e saí de casa.

Onde estava todo mundo? Quando saí, não vi Ryan jogando bola. Que estranho. Ele SÓ joga bola. Tem alguma coisa errada. A coisa errada é você se importar com ele, Amanda! Como sou burra! Sim eu sou burra, pensamentos interiores, eu sou burra.
Contei até três e prossegui mancando pela rua vazia. Onde todos estavam?

Vi um casal com umas roupas bem arrumadinhas tipo idade média passando.
-Licença, vocês sabem onde todos estão? -perguntei.

O casal parou e olhou para mim. Era apenas JP e MC.

-Estão na festa de aniversário da cidade -falou JP como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

-Meu Deus, Amanda! Era para você estar de cama! -disse MC brava.

-Estou me sentindo melhor -menti- não se preocupe. Falando nisso, e essas roupas aí?

-Estamos comemorando quando a Irlanda era um reino, lembra? -perguntou- Santa inquisição, castelo, plebe, cê sabe.

Será que Clarisse e seus amigos estariam lá? Quem sabe...
-Posso ir junto?

-Com essa roupa? -perguntou MC olhando meus jeans, meus Vans e minha camisa do Pink Floyd. Sério, qual o preconceito com bandas que não são o One Direction?

-Não vou ficar lá por muito tempo, vai por mim -falei começando a andar.

Chegamos e estava tocando "Act My Age" do One Direction (ta vendo? É só pensar na banda que lá vem...), que tem o ritmo de uma típica musica Irlandesa. Mereço.

Ao contrário de mim, MC adorava aquela música. Ser Directioner é isso, não? Sei lá, não sou do fandom.

-Eles bem que podiam parar de ficar prestigiando o Niall Horan -falou JP.

-Você sabe o nome do cara. Que avanço -zombei.

-Amanda, ele é famoso na Irlanda inteira! O que você queria? Se a Irlanda tem orgulho dele, que tenha. -Bufei. Se bem que ele estava certo, mas não precisava tocar a música da banda dele no festival- Vamos nas barracas de jogos, você tá com uma cara de poucos amigos.

-Pode ser... -disse o seguindo. Eu precisava mesmo relaxar e esquecer a dor na minha coluna.

JP me levou até um jogo de acertar o alvo. Atirando com uma BESTA. Eles usavam uma besta na Idade Média? (Faltar às aulas de História dá nisso...) João começou a jogar, parecendo se divertir, já que estava com um sorriso enorme. Girei minha cabeça para ver quais outros brinquedos tinham. Tinha o tanque (aqueles que se você acertar o alvo a pessoa leva um banho), tinha uma roda gigante (eles se superaram), um bate-bate, um Cine 3D e outros brinquedos. Sinceramente, eram muitos. De repente, meus olhos pararam em um ruivo que me parecia muito familiar. Por que eu nunca conseguia identificar as pessoas assim?! Eu não sei o que deu em mim, mas eu comecei a o seguir quando percebi que ele se locomovia para outra atração do parque.

-JP, eu já volto! -falei.

-Tá, mas não vá se perder!

-Não sou mais uma criança. -e como se ele ou MC se importassem, quem estava sozinha em casa e de cama era eu.

Que loucura! Eu estava perseguindo um ruivo qualquer em um festival medieval! Com um castelo antigo no fundo! Que louco! Ele entrou em um beco. Ai, Deus, nos desenhos, quando o personagem segue o outro em um beco, dá ruim! Mesmo assim, com minha inteligência rara, eu entrei no beco e fui derrubada no chão.

-Quem é você?! -perguntou o garoto com uma raiva assustadora- Você trabalha para Dolly?!

Eu responderia, mas eu travei de tanto espanto, já que ele se parecia MUITO com meu pai. Eu não conseguia emitir nenhum som, só gaguejava coisas sem sentido.

-Me responde! -ele gritou, porém nem tão alto para as pessoas do festival ouvirem. Eu gaguejei alguma coisa contra minha vontade e fui interrompida por ele sendo derrubada por uma garota, que era Clarisse.

-Não ouse a machucar. -falou. Parecia que ela não compreendia nada de primeira, mas, de segunda, ela entendeu tudo e seus olhos brilharam- Peter?

-Oi, Clarisse -falou acariciando seu braço, que estava tremendo. Caíram lágrimas dos olhos de Clarisse. Ela o abraçou e, pela cara dele, parecia ser forte.

-Eu senti tanto a sua falta -disse ela não querendo o soltar.

-E você acha que eu não senti? -ele perguntou com a cabeça enterrada em seu casaco vermelho. Não dava para ver a reação dele.

A cena era linda, mas ao lado estava eu, caída e de vela, tentando processar tudo o que acontecera.

-Peter? -arrisquei chamar. Ele olhou para mim e pude ver a expressão que o reencontro causou nele. Ele estava feliz, sorrindo de orelha à orelha- Prazer, sou sua sobrinha.

-Sobrinha? Jack teve uma filha? Que legal! -ele disse, mas por dentro estava assustado, eu sei que estava- Desculpe não poder aparecer no seu nascimento, ou aparecer assim pra cima de você, mas são razões que eu não posso explicar.

-Peter, ela sabe. -disse Clarisse limpando os olhos com a manga do casaco- Te apresento a Elsa.

-E correção, Jack teve três filhas. Ana, Raquel e Amanda, a que vos fala -falei.

-Não acredito! Eu fico preso em uma dimensão paralela de contos de fada e, enquanto isso, meu irmão mais novo tem três filhas, aquela boneca continua infernizando minha vida e eu fico sabendo por fontes que um lobo mau metido a besta tem se encontrado com a MINHA garota! -falou em tom de ironia. Nem um pouco possessivo ele, não?

-Você tá falando do Josh? -perguntei.

-Conhece? -perguntou Peter a mim.

-Não por acaso -falei.

Então A lâmpada veio em minha cabeça: o real motivo por eu ter ido à aquela festa.

-Clarisse... -falei chegando em seu ouvido- Dolly apareceu... Pra mim...

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