Diário, hoje eu estou para o mal. Desde que eu e MC nos encontramos em situações semelhantes, tenho a entendido mais.
Hoje de manhã, quando eu e MC acordamos fomos direto para a frente de um quadro branco traçar nossas estratégias-ninjas-zueiras.
-Então, minhas fontes me disseram que JP vai com Bruna ao planetário - falei séria - Podemos tirar vantagem disso.
-Por que não fazemos o mundo dela cair? - perguntou-me com um sorriso maléfico no rosto.
- É disso que eu estou falando! -falei copiando seu sorriso.
Vocês acharam a piada da Maria sem graça? Depois vocês vão entender, mas vocês ainda precisam de tempo para pensar e descobrir novas coisas.
Assim que saímos da aula, vimos JP e Bruna pegando o ônibus (aff, gente pobre, levar a paquera de ônibus foi o cúmulo do meu dia) e seguimos eles (de carro, óbvio).
-Cara, isso vai ser muito engraçado! -disse MC rindo.
-Claro que vai ser! -ri também- Você leva o JP para longe do ponto X, mas deixando a Bruna no ponto X.
-E você faz a parte suja?! Nada disso!
-Acho que ele vai ficar mais curioso vendo você a mim no planetário -rebati.
-Ta, mas, depois disso, nós encontramos no carro, ok? -perguntou.
-Certo.
Paramos no estacionamento do planetário e entramos. Fui direto para meu posto, entre duas paredes grossas do lado, oposto ao ponto X. Olhei e vi MC perto da caverna dos Homens-das-cavernas de isopor. Vi Bruna no ponto X, como o previsto, mas eu não via JP. Ele não estava com Bruna nem com MC. Isso me preocupava, mas nem tanto.
Do meu lado, estava a alavanca que fazia o planeta Terra de isopor cair no ponto X, onde Bruna estava (agora a piada faz sentido, né?).
Não tenho coragem para contar o que aconteceu em seguida. É vergonhoso, não só para mim, mas vou contar assim mesmo.
Assim que eu ia encostar minha mão na alavanca, alguém prensa meu corpo contra a parede. De imediato achei que era um segurança então comecei a me explicar:
-Desculpe! Eu só estava... -parei quando percebi que não era um segurança.
-Amanda? -pergunta uma voz conhecida.
Me virei e vi a pessoa que eu não avistava a alguns minutos.
-Oi, JP. -falei tentando me soltar dele e da parede.
-O que faz aqui? -ele perguntou.
Não era justo com ele. Ele ainda era meu amigo, mesmo tendo traído minha melhor amiga.
-Vingança -falei.
-Eu sabia que ficaria com ciúmes. -falou com um sorriso maliciosos me puxando para ele.
Eu ia protestar, mas a única coisa que saiu da minha boca foi:
-O que?!
E, sem resposta, eu fui imediatamente beijada pelo meu amigo, que tinha (na minha opinião) sido um babaca com minha melhor amiga.
Me solto dele, mas ainda fico contra a parede por ele.
-E Bruna?! -perguntei.
-Não há nada entre mim e Bruna. -ele falou naturalmente- Ela só me ajudou a fazer ciúmes em você.
-Não faça isso, você vai magoar sua amiga! -falou uma voz na minha cabeça.
Lembrei do sumido professor Raimundo, que entrava na minha cabeça para me dar conselhos (só pra dar opinião na minha vida pessoal, mas quando eu quero cola para uma prova ele cai fora).
Eu não sei o que deu em mim, se eu estava triste por causa de Ryan ou o que, mas tudo que eu sei era que eu era apenas uma menina de dezoito anos que está sofrendo por amor, então minha boca voltou para a de JP, mas, dessa vez, fui eu quem o beijei.
Enquanto nos beijávamos, saímos pela saída de emergência que estava atrás de mim e fomos para o carro. Eu o dei uma carona e conversamos muito (eu meio que mencionei um garoto no qual me rejeitou).
-Ele é burro -disse JP- Quem te tem tem sorte.
Sorri.
-Mas, então, eu percebi que ele não vale nada.
JP me levou para a casa dele (que agora também era a de MC) e nós vimos um filminho da Warner.
O filme terminou e JP só comentou uma coisa nada a ver com o filme:
-Você precisa de fontes novas.
Olhei para ele.
-Hã?! -perguntei.
-Digamos que as suas podem ser subornadas fácil.
Eu não sei o porquê, mas ri e o beijei. Eu não acreditava que tinham chegado a subornar minhas fontes para me conquistar!
A porta atrás da gente bateu seguido de um grito agudo e vários xingamentos.
-Traidora! -gritava MC- Você me deixou sozinha naquele ambiente de estudo enquanto namorava o meu... Meio irmão!
-Maria! Eu posso explicar! -falei saindo do sofá e correndo até ela, que seguia para o quarto dela.
Ela pisou no quarto e eu parei ofegante.
-Nunca mais fale comigo! -falou ela tranqüilamente com uma cara de raiva, fechando a porta na minha cara.
Ouvi o barulho dela trancando a porta e se jogando na cama.
-MARIA CARMEN! ABRE ESSA PORTA AGORA! -gritei esperando um milagre.
Ninguém respondeu, então, sentei encostada na porta e pensando na besteira que eu fiz.
-Amanda, eu... -ele vinha dizendo, mas parou quando viu algo que o espantou atrás de mim.
Olhei para trás sem animo e vi a porta toda congelada.
-O que você fez... -falou o professor na minha cabeça de novo.
-E você só volta agora! -falei irritada.
-Desculpe, eu não sei lidar com minha irmã. -falou JP.
-Eu não falei com você! -gritei com raiva.
-Então com quem está falando? -ele perguntou.
-Não te interessa! -falei pegando minhas coisas e indo embora.
Saí da casa da minha ainda melhor amiga e fui até a janela do quarto dela, que estava aberta.
Meti a cabeça lá dentro. Não havia ninguém. Ela havia fugido. E era culpa minha. Minha, do Ryan e de JP.
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Apenas contos
FantasíaSabe aqueles contos de fadas que você lia quando era menor? Aqueles personagens que mudaram sua vida? Eles existem. A cada 1000 anos seus descendentes aparecem, como pessoas normais, vivendo naturalmente. Até que suas vidas mudam quando descobrem qu...
