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George joga o casaco no sofá e acende as luzes da cozinha. Ele para pra beber um copo d'água na pia e encara a planta quase em estado terminal no parapeito da sua janela.

Ele estava cansado, tinha sido um longo dia e não parecia que ia melhorar.

Em cima da bancada junto às outras correspondências estava o convite. Envelope branco cheio de selos com o carimbo americano, dentro papel vergê e letras douradas em relevo.

Havia chegado fazia um mês.

Como uma última tentativa falha de salvar a vida da planta, ele enche o copo de novo e a rega. Um pouco d'água, sol e ar puro, não precisa de muito pra cuidar dela, sua irmã tinha dito. Foi ela quem lhe deu a planta, ela quem a colocou ali.

George deixa o copo na pia antes de se sentar na bancada, ele pega o envelope nas mãos.

Um convite de casamento.

Ele já sabia do casamento fazia um tempo, só não sabia da data, nem que as coisas estavam correndo tanto. 25 de Junho. Seria daqui a uma semana, mas Sapnap disse que precisava que ele chegasse alguns dias antes, é por isso que ele estava embarcando amanhã no final da tarde.

George estava cansado e precisava dormir, mas ainda tinha que terminar de arrumar as malas. Ele deixa a cabeça descansar no balcão e fecha os olhos.

Ele não via Sapnap desde o ano passado e ele não via Dream desde o Natal quando eles brigaram. Ele não falava com Dream desde o Natal.

Se George fosse honesto ele diria que estava com medo dessa viagem, que ele não aceitaria entrar num voo de 8 horas rumo ao USA pra voltar a ficar cara a cara com Dream por uma semana nem por todo o dinheiro do mundo.

Mas Nick ia se casar e George era um dos padrinhos, ele tinha que estar lá. E sendo mais honesto ainda, até aqui ele estava sendo um padrinho de merda (principalmente levando em conta que havia um oceano de distância entre eles), mas ele queria compensar isso e queria ser um amigo melhor. E se isso significasse voltar a ver velhos fantasmas então tudo bem, foda-se.

Foda-se, certo?

Certo.

Ele se levanta e estica as costas, deixa o convite jogado no balcão junto às outras cartas.

Outra coisa estranha nisso tudo era que Nick estava se casando.

George se lembra da última vez que se viram quando ele contou sobre o namoro, ou no final de janeiro quando ele falou a respeito do noivado, da semana seguinte quando ele o convidou para ser um dos padrinhos. George aceitou. Ele estava feliz por Sapnap, feliz pelos amigos.

E tudo bem, tudo bem se não fosse por Dream.

George teve que segurar a língua na última ligação que tiveram logo depois que o convite chegou, para não perguntar sobre Dream, como ele estava, como iam as coisas.

George não fez isso, ele não perguntou porque no fundo ele era orgulhoso e teimoso igual a mãe. Era culpa de Dream. Quase sempre era. E não era diferente dessa vez.

Só que tinha sido pior.

Dream não ligou.

E não tentou pedir desculpa.

George também não.

Ele estava com raiva nas primeiras semanas quando as mensagens de Dream ainda chegavam. Quando a raiva acabou, as mensagens também.

Eles estavam em silêncio desde então.

E lá no fundo George ainda estava com raiva porque Dream era um idiota, mas ele também sentia falta do amigo.

Só não admitiria isso.

Só, foda-se.

Ele joga uma pilha de roupas na cama e começa a arrumar a mala.

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