Algo caindo.
George levanta a cabeça assustado.
Um Dream parado como uma estátua o encara com o controle remoto da TV em mãos.
— Desculpa? — Ele pede, como uma criança pega aprontando, então põe o controle de volta no painel.
George joga a cabeça de volta nos travesseiros e suspira.
Ele escuta Dream caminhando pelo quarto e depois o vê se sentando em uma das cadeiras. Lá fora, ele podia ver através das portas de correr que já estava escuro e a chuva tinha parado, as luzes da cidade brilhavam refletidas em janelas.
George tinha conseguido dormir como não fazia há um bom tempo.
Ele joga os lençóis pro lado e se senta.
— Tudo bem — diz, uma mão esfregando os olhos para expulsar o sono. Ele não ia consgeuir voltar a dormir mesmo, seria só esquisito com Dream sentado do outro lado do quarto. — Que horas são?
— Seis e pouco. — Dream responde. — Eu voltei há umas duas horas atrás e você ainda tava dormindo. Não queria te acordar, mas aí, então, Quackity me arrastou até esse lugar que vende umas lembranças bem esquisitas de casamento. Tipo, eles fazem chinelos com a cara dos noivos, o que não é tão estranho até você chegar na seção das roupas íntimas. Tipo, literalmente, eles fazem calcinhas com as caras dos noivos! Quem em sã consciência iria querer a própria cara estampada numa calcinha pra dar como lembrança de casamento? Se a sua mãe passasse a usar uma dessas, isso seria tão estranho! Será que alguém usa uma coisa dessas? E... — Ele para um pouco observando a cara de George. — Desculpa, eu tô tagarelando. Em resumo, Quackity adorou aquele lugar e eu só queria dar o fora, então eu vim ver se você já tinha acordado e desculpa se eu acabei te acordado, foi sem querer.
Eles estavam conseguindo ser civilizados um com o outro até agora. Ponto para eles.
George percebe o olhar de Dream nele, ainda queimava. Ele vira a cabeça para ele e Dream segura o olhar no seu antes de desviar o rosto e passar a encarar a parede, uma sombra no chão, ou seja lá que merda, só não George.
Isso o faz lembrar dos momentos pré-crise, antes deles brigarem. O faz se sentir de volta a um hotel na Flórida vendo o mar e Dream lhe lançando aquele mesmo olhar, o faz se sentir estranho de novo. O faz ficar com raiva de Dream. Por que ele tinha que estragar tudo?
E era isso (por isso), que eles estavam onde estavam.
Os meses em silêncio.
E era por isso que eles ainda estavam enrolados em toda aquela estranheza que tinha virado a amizade deles.
Porque Dream era um idiota.
Um idiota. Complicado. O caminho sem volta.
George tinha que ler os sinais e ficar longe.
Porque tudo aquilo era complicado, só isso, esse era o jeito mais simples de descrever o que eles eram.
E é, ele ainda estava bravo com Dream por ter estragado tudo. Por não ter deixado as coisas como estavam. Elas estavam bem até ele mexer e virar essa bagunça que era agora.
Dream devia estar pensando no mesmo.
Talvez naquela praia.
Eles ficam presos num longo silêncio, cada segundo parecia se arrastar numa lentidão torturante. A expressão de Dream parece mudar.
Seria agora? Eles iam conversar sobre isso agora?
George não queria, mas diferente de algumas horas atrás ele não tinha para onde fugir, ele não podia simplesmente ignorar mensagens e não atender ligações. Dream estava aqui agora e mesmo sem querer George estava preso com ele, sem lugar para fugir, sem mais desculpas.
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Nova York
Fiksi Penggemar"George sentia os olhos de Dream queimando na sua pele. Ele só não iria olhar. Não olharia, porque ainda estava fazendo o papel do cara com raiva. E porque ele ainda se lembrava o suficiente da briga que tiveram para estar com raiva. E também porque...
