Sonho, teimosia e caras que fumam

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O capítulo trata de assuntos sensíveis como aborto, depressão, violência e morte. Caso se sinta desconfortável, interrompa a leitura imediatamente.


Song Minsoo, rainha de Atheea, sonhou em ter uma grande família desde criança. Ela adorava se sentar no chão da sala com seus irmãos e conversar por horas sobre a escola, seus amigos e as coisas interessantes do dia. Essas lembranças continuaram vivas em sua memória por toda a sua vida, e o calorzinho no peito que sentia ao começar a imaginar como seria ter sua própria família e poder fazer o mesmo com seus filhos e marido a deixava muito animada.

A mulher chorou por horas ao ter o primeiro aborto espontâneo.

A notícia foi arrasadora e por alguns dias, o rei pensou que nunca mais ia ter sua mulher como antes devido ao estado depressivo que ela adotou. Emagreceu vários quilos, se recusava a sair do quarto e não suportava que o marido a tocasse. Demorou bastante tempo para que ele pudesse se aproximar novamente, mas quando pôde, fez questão de acolher a esposa com todo o amor que tinha para oferecer.

Eles tentaram outras três vezes, mas em todas, o bebê não conseguia passar de vinte semanas. A nação não poderia sonhar que a rainha possuía problemas de infertilidade, e aquela informação foi mantida em segredo absoluto por muitos anos. Eles já haviam tentado tantos métodos concepcionais que aquele objetivo parecia impossível, e a cada novo fracasso, a saúde da rainha se esvaía. O prazo para ter um herdeiro parecia estar acabando.

Fazia tempo que alguém havia visto a mulher sorrir. Era com grande esforço que o rei conseguia fazê-la sair do quarto, falar com os súditos, ou simplesmente descer as escadas para jantar consigo. Song Jihyuk a amava com todo o seu ser, faria qualquer coisa para deixá-la melhor, e depois de dezenas de sessões com os melhores psiquiatras do reino e inúmeras conversas de madrugada, eles tentaram mais uma vez.

Apesar de nunca ter perdido a esperança, Minsoo não ficou animada quando observou o teste de gravidez positivo. Ela esperou que a maldição das vinte semanas fizesse efeito, e se aquele bebê sobrevivesse depois disso, se daria o luxo de se sentir feliz. Recusava todo e qualquer presente que as pessoas mais próximas a ofereciam, temendo trazer má sorte como antes. Sequer quis saber o sexo da criança quando realizou o exame, se mantendo firme em seu objetivo. Passou a comer de forma mais saudável, praticar caminhadas pelo castelo e meditar todos os dias antes do pôr do sol, seguindo uma rotina regular e tentando não pensar em como poderia ser tudo em vão.

Infelizmente, sua saúde já não era como antes após anos se submetendo a hábitos que a traziam conforto no seu estado de tristeza, mas acabavam com seu corpo pouco a pouco. E exatamente na vigésima semana de gravidez, ela adquiriu uma doença que a fazia tossir regularmente, as vezes tão forte que chegava a vomitar sangue. Já sabia que isso ia acontecer, e pouco se importava se iria morrer naquele momento, mas o rei não podia deixar que ela desistisse assim.

Com acompanhamento médico de elite, a condição da rainha se estabilizou. Ela não havia melhorado, mas não estava pior, e isso era um progresso. Incontáveis noites mal dormidas se passaram até ela perceber que nenhuma enfermeira havia vindo lhe dar a notícia que seu bebê estava morto.

A rainha sofria de pneumonia, mas não se importou com a tosse quando se levantou da cama e passou a pular enquanto abraçava sua barriga. Gritou por seu marido, que adentrou o quarto com uma expressão de horror no rosto, assustado ao ouvir sua voz. Ele já sabia que seu filho estava sobrevivendo bem e estava muito feliz por isso, mas comemorou junto com a esposa como se tivesse acabado de descobrir.

Minsoo foi levada ao hospital para internação outras duas vezes. Seu estado estava crítico e piorava a cada novo mês. As más línguas diziam que o feto estava sugando seus últimos dias de vida, que a mulher estava gerando um demônio, que aquele herdeiro viria para acabar com a paz do reino. Ela fazia questão de punir qualquer um que falasse algo parecido. Amava seu filho e não se importaria em dar a vida por ele.

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