Se você tivesse a chance de mudar o passado, o que seria capaz de fazer?
Felicite Vezzini tinha uma resposta rápida e fácil para a questão: não entregar o seu coração para quem apenas iria despedaçá-lo no final.
Já Charles Leclerc tinha uma respos...
O porquê você ainda está tão preso na minha cabeça" - Rubberband (Tate McRae)
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Felicite
Formigine, Itália
Quando eu era pequena, meu avô costumava me levar a um restaurante em Modena que tinha uma parede com fotos de alpinistas no alto das montanhas espalhadas por ela. Eles estavam sempre sorrindo, em êxtase e triunfante por terem conquistado a difícil missão de escalar uma montanha — pelo menos, sempre pareceu algo difícil para a pequena Felicite, e realmente deveria ser. Mas eu nunca vi uma foto do trajeto que aqueles alpinistas fizeram naquela grande parede. Acho que era porque eles não gostariam de se lembrar do resto, do sofrimento pela jornada, dos momentos que desejaram desistir...
Por isso, não deveria existir fotos do trajeto, porque nós, os seres humanos, forçamos os nossos limites já que somos quase sempre obrigados.
E não fazemos isso porque gostamos.
A escalada implacável, a dor e agonia de passar para o próximo nível era o que nos motivava a continuar, ou apenas servia para provarmos um ponto. Por isso, ninguém tirava fotos, porque ninguém gostaria de se lembrar.
E eu estava tentando provar um ponto.
Estava tentando provar, não apenas para os outros, mas para mim mesma, que eu poderia ser boa naquilo que dediquei anos da minha vida. Que eu não estava onde eu estava apenas por ser neta de quem eu era.
Eu deveria ter o talento que todos diziam. Enquanto eu não acreditasse naquilo, então talvez, ninguém mais acreditasse.
Eu coloquei na minha cabeça que seria a responsável por resolver aquele problema, talvez as motivações não fossem as mais nobres e tenham surgido depois da minha discussão com Charles Leclerc há cerca de duas semanas. Mas, se aquilo era a motivação que eu usaria para me impulsionar a ser melhor no que eu fazia, então que fosse.
Eu provaria um ponto, e eu resolveria o problema dos carros da Ferrari daquele ano. Os genes de Miguel Vezzini deveriam servir não apenas para tentar ser perfeita em tudo o que eu fazia ao menos.
Eu havia me debruçado sobre o projeto do carro daquele ano da equipe, passado mais tempo na fábrica que qualquer outra pessoa do time. Meus superiores estavam cientes do que eu estava fazendo. Quando eu sugeri para Piero Ferrari o que eu queria fazer, o amigo de longa data de meu avô apenas me olhou e perguntou "você acha que é capaz de resolver o nosso problema?"