Quase no final da tarde Gu apareceu na oficina. Os caras estavam concentrados em outros afazeres e Malu estava sozinha no fundo do local organizando as peças que ia usar no dia seguinte.
Essa era uma boa hora para conversar porque o fim do expediente se aproximava e as mentes dos outros funcionários estavam concentradas em terminar tudo logo para ir embora.
-Dia agitado hoje.
-É.
-Fez a alegria das fofoqueiras de plantão.
-Eu sei.
-Hei criança... é, me desculpe por ontem.
Malu olhou para o homem. Merda, ele iria tentar consertar a situação e ficaria pior.
-Não precisamos falar disso Gu.
-Me sinto em falta com você.
Dentro do escritório Tiago e Pablo estavam atentos à conversa. O espanhol sussurrou para o colega.
-O que aconteceu?
-Não sei.
Eles voltaram a ouvir e a voz de Malu parecia surpresa.
-Porque?
-Sei lá. Eu deveria ter percebido que você não estava confortável com o assunto. Que havia alguma coisa errada.
-Não há desconforto algum e não tem nada de errado comigo.
Silêncio e então Gu, embora estivesse um pouco sem jeito, voltou a falar.
-A coisa toda é muito simples, você sabe. Se está bolada por causa disso, simplesmente deixe acontecer.
-Eu tentei.
-Se ele não quer, faça com outro, mas faça porque quer fazer e não porque alguém se recusou a ficar com você por causa disso. Teve seus motivos pra nunca ter feito e ele os dele pra cair fora. Arrumem outros parceiros e bola pra frente. Vida que segue.
-Tudo bem. Vou pensar sobre isso.
-Pronta pra ir?
-Em cinco minutos.
Tiago entendeu o teor da conversa e porra, o Gu estava aconselhando a menina a arrumar outros homens? Que tipo de pai, tutor, ou sei lá o quê ele era, fazia isso? E que merda era aquela que Malu falou sobre pensar no assunto? Imaginá-la com outra pessoa na cama fazia os nervos dele se retorcerem. Jesus Cristo, iria enlouquecer e parar em um sanatório antes que completasse seus trinta anos.
Pablo desligou o comunicador e sorriu. Filho da puta, também tinha entendido. Antes de qualquer piada sair da boca dele Tiago o alertou.
-Nem um pio sobre isso.
O espanhol riu alto e ergueu as duas mãos como que dizendo que não sabia do que ele estava falando, mas Tiago o conhecia melhor que isso. O rapaz era muito esperto e um ótimo intérprete de meias palavras.
No decorrer da semana a produção na oficina estava a todo o vapor com o carregamento da Honda. Tiago e Malu não tinham se falado além de assuntos de trabalho e a fofoca já estava quase esquecida.
Bernardo não apareceu mais e Malu ficou preocupada com ele. Devia estar muito magoado mesmo, porque em dois anos que ela estava ali ele nunca deixou de comparecer à oficina, com exceção nas férias quando sempre viajava por uma semana ou duas.
Ela sentia a falta dele. Era uma ótima companhia e a fazia rir. Se ele não aparecesse na outra semana ela ligaria. Uma amiga de verdade não deixaria que o outro se fosse assim e embora ele estivesse magoado e esperasse mais dela, Malu queria que ele soubesse que em se tratando de amizade, ela estaria sempre ao lado dele.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Fugitiva - 1o.Coligado aos Agentes do BSS
Romance"A vida de um adolescente escravizado pode mudar para sempre suas convicções, seus anseios, sua personalidade e a maneira em que ele enxerga o mundo." Apaixonadas pelo BSS, por favor, deem às boas vindas ao implacável, perigoso e sedutor Tiago Savi...
