Capítulo 13

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Quase no final da tarde Gu apareceu na oficina. Os caras estavam concentrados em outros afazeres e Malu estava sozinha no fundo do local organizando as peças que ia usar no dia seguinte.

Essa era uma boa hora para conversar porque o fim do expediente se aproximava e as mentes dos outros funcionários estavam concentradas em terminar tudo logo para ir embora.

-Dia agitado hoje.

-É.

-Fez a alegria das fofoqueiras de plantão.

-Eu sei.

-Hei criança... é, me desculpe por ontem.

Malu olhou para o homem. Merda, ele iria tentar consertar a situação e ficaria pior.

-Não precisamos falar disso Gu.

-Me sinto em falta com você.

Dentro do escritório Tiago e Pablo estavam atentos à conversa. O espanhol sussurrou para o colega.

-O que aconteceu?

-Não sei.

Eles voltaram a ouvir e a voz de Malu parecia surpresa.

-Porque?

-Sei lá. Eu deveria ter percebido que você não estava confortável com o assunto. Que havia alguma coisa errada.

-Não há desconforto algum e não tem nada de errado comigo.

Silêncio e então Gu, embora estivesse um pouco sem jeito, voltou a falar.

-A coisa toda é muito simples, você sabe. Se está bolada por causa disso, simplesmente deixe acontecer.

-Eu tentei.

-Se ele não quer, faça com outro, mas faça porque quer fazer e não porque alguém se recusou a ficar com você por causa disso. Teve seus motivos pra nunca ter feito e ele os dele pra cair fora. Arrumem outros parceiros e bola pra frente. Vida que segue.

-Tudo bem. Vou pensar sobre isso.

-Pronta pra ir?

-Em cinco minutos.

Tiago entendeu o teor da conversa e porra, o Gu estava aconselhando a menina a arrumar outros homens? Que tipo de pai, tutor, ou sei lá o quê ele era, fazia isso? E que merda era aquela que Malu falou sobre pensar no assunto? Imaginá-la com outra pessoa na cama fazia os nervos dele se retorcerem. Jesus Cristo, iria enlouquecer e parar em um sanatório antes que completasse seus trinta anos.

Pablo desligou o comunicador e sorriu. Filho da puta, também tinha entendido. Antes de qualquer piada sair da boca dele Tiago o alertou.

-Nem um pio sobre isso.

O espanhol riu alto e ergueu as duas mãos como que dizendo que não sabia do que ele estava falando, mas Tiago o conhecia melhor que isso. O rapaz era muito esperto e um ótimo intérprete de meias palavras.


No decorrer da semana a produção na oficina estava a todo o vapor com o carregamento da Honda. Tiago e Malu não tinham se falado além de assuntos de trabalho e a fofoca já estava quase esquecida.

Bernardo não apareceu mais e Malu ficou preocupada com ele. Devia estar muito magoado mesmo, porque em dois anos que ela estava ali ele nunca deixou de comparecer à oficina, com exceção nas férias quando sempre viajava por uma semana ou duas.

Ela sentia a falta dele. Era uma ótima companhia e a fazia rir. Se ele não aparecesse na outra semana ela ligaria. Uma amiga de verdade não deixaria que o outro se fosse assim e embora ele estivesse magoado e esperasse mais dela, Malu queria que ele soubesse que em se tratando de amizade, ela estaria sempre ao lado dele.

A Fugitiva - 1o.Coligado aos Agentes do BSSHistórias para pegar e não largar. Descubra agora