Capítulo 6

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A noite foi longa e a menina não conseguiu dormir bem. Cochilou por umas duas horas e então acordou. Tinha sede. Foi até a cozinha e bebeu água. Precisava de um cigarro. Ele tinha deixado seu maço em cima da mesa da cozinha e ela pegou um, acendeu e foi para a varanda.

A porta estava travada e ela forçou. Revirou o pino de um lado para o outro e não abria. O cheiro de cigarro espalhando-se pela sala. Droga, ele não tinha fumado dentro do apartamento porque não devia gostar do cheiro. Ela revirou e virou e forçou até que a maldita porta se abriu.

Malu se curvou no parapeito e ficou observando a cidade de São Paulo dentro de uma visão burguesa. Era linda. Podia-se arrumar a desculpa que fosse para o dinheiro, mas ele valia uma boa dose de conforto e beleza que querendo ou não, facilitava bastante a vida e a deixava muito mais fácil.

Ela podia ter tido uma vida boa. Não, não boa...milionária. Seu pai era um dos mais ricos traficantes da Colômbia e ele era doido para encontrá-la. Malu podia simplesmente se entregar à vida de luxo e dinheiro fácil, mas o Gu lhe ensinou melhor que isso.

A mãe de Malu morreu protegendo-a contra o crime, contra a impunidade de milhares de vidas tomadas pelas drogas que o pai comercializava. Ele escravizava meninos e prostituía jovens garotas como ela.

Podia viver às custas dessas atrocidades? Nunca, ela sabia. Mas ele não desistia. Desde que a mãe, que foi obrigada a se deitar com ele, fugiu do cartel grávida, sua vida tinha sido fugir, correr, se esconder. Foi assim até a morte e ainda era assim na vida de Malu.

Ela pegou seu celular e discou para Léo, o contato de Gu, da época da polícia que os ajudava nessa vida insana. A voz sonolenta dele estava preocupada.

-Está tudo bem Malu?

-Sim. Quer dizer, mais ou menos. Me acharam. Gu foi ferido.

-Ah Deus, onde estão? Como ele está?

-Foi de raspão. Eu estou bem, na casa de um amigo. Ele ficou em observação no hospital.

-Precisam se mover de novo, não é? Vou checar as possibilidades, vou dar uma geral para me certificar da segurança e te ligo. Quem é esse amigo?

-E lá da empresa, é de confiança...eu acho.

-Fique fora das vistas por uns dias até eu entrar em contato ok?

-Tudo bem.

-Vai ficar bem? Precisa de dinheiro, de alguma coisa?

-Eu estou bem. Só quero que o Gu saia logo do hospital.

-Onde ele está?

-O chefe o levou para o Albert Eisntein.

-Vou dar uma passada por lá.

-Ok.

Tiago parou na soleira da porta da sala e apreciou a vista. Malu estava debruçada no parapeito com seu traseiro esticado para trás dando-lhe uma visão extraordinária. Ela falava ao telefone, mas eram três da manhã. Com quem ela estaria falando aquela hora?

Sua mente ficou anuviada com a imagem dela e seu membro endureceu tão depressa que ele poderia entrar para o livro dos recordes como o pau que reagiu mais rápido à visão de uma mulher. Deus, não devia se sentir assim, afinal ele estava saindo com a Manoela, que era bonita e o tipo dele. Era toda feminina e educada. Não fumava, não falava palavrões e fazia tudo que ele pedia, que ele queria.

Desde adolescente Tiago tinha uma necessidade de não ser dominado por nada, nem ninguém. Ele via como a irmã tinha total domínio sobre as vontades do cunhado. Murilo era capaz de empurrar dez vagões de trem por Babi e bastava ela fazer uma voz manhosa e se emaranhar no corpo dele, que o homem ficava aos pés dela. O mesmo acontecia com Ramon em relação à Nick. Porra, Sam também era facilmente levado às vontades de Chloe. Até Dylan, pelo amor de Deus, o comandante tinha sido o homem mais durão e racional que Tiago conheceu, e foi dominado pelos encantos de Lorena.

A Fugitiva - 1o.Coligado aos Agentes do BSSHistórias para pegar e não largar. Descubra agora