THE MIKAELSON || Olívia Mikaelson nunca deveria ter existido. Uma brecha da natureza que jamais deveria ter acontecido: metade vampira e metade bruxa, ela carrega um poder capaz de abalar o equilíbrio entre os mundos sobrenatural e humano. Silencios...
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A sala da casa Mikaelson era ampla, elegante, carregada de história, e absolutamente nova para Olívia.
Ela percebeu isso de imediato. Não havia lembrança alguma ali. Apenas a sensação incômoda de estar pisando em um lugar que guardava segredos demais para quem chegava pela primeira vez.
Elijah permanecia próximo à lareira, postura impecável, observando com atenção educada. Não era desconfiança aberta, mas era curiosidade calculada. Hope estava sentada no sofá, o corpo inclinado levemente para frente, como se estivesse pronta para fazer perguntas demais.
Finn, por outro lado, parecia aliviado de um jeito quase palpável.
- Você aparece sem avisar - disse ele, cruzando os braços, mas com um sorriso contido. - E ainda acha que isso é normal.
- Sempre achei - Olívia respondeu, tranquila. - Faz parte do charme.
Finn soltou uma risada breve.
- Continua a mesma.
Hope inclinou a cabeça, estudando Olívia com interesse aberto.
- Vocês se conhecem há quanto tempo?
Olívia a encarou por um instante a mais do que o necessário. Não havia estranheza naquele olhar, havia reconhecimento, mesmo sem explicação.
- Tempo suficiente - respondeu, gentil.
Finn assentiu.
- Uma velha amiga - disse, simples.
Elijah arqueou minimamente a sobrancelha, quase imperceptível.
- Interessante - comentou, educado. - Não me lembro de você mencionar isso antes, Finn.
- Há muitas coisas que não menciono - Finn respondeu, sem tensão, mas com firmeza suficiente para encerrar o assunto.
Hope franziu a testa.
- E você vai ficar aqui na cidade?
- Por enquanto - Olívia respondeu. - Ainda estou decidindo onde ficar. Talvez alugue um apartamento.
Finn arqueou a sobrancelha.
- Não pensou nisso antes de vir?
- Pensei - ela respondeu, com um meio sorriso. - Só não cheguei a uma conclusão.
Elijah pousou a mão no ombro de Hope com delicadeza.
- Que tal irmos tomar um sorvete? - sugeriu. - Acho que a conversa dos adultos vai ficar... entediante.
Hope hesitou, claramente lutando contra a vontade de ficar.
Ela olhou para Olívia mais uma vez.
- Eu volto - disse, firme, como se fosse uma promessa.
Quando ficaram a sós, o tom mudou, não ficou pesado, apenas mais íntimo.
Finn sentou-se à frente dela.
- Então - disse - por onde você andou?
Olívia deu de ombros.
- Vivendo. Aproveitando o que dava. Conhecendo lugares novos.
Finn sorriu de canto.
- Sempre soube aproveitar.
- Alguém tinha que fazer isso direito - ela respondeu.
O sorriso dele diminuiu, mas não desapareceu.
- Você nunca aparece sem um motivo.
Ela sustentou o olhar.
- Tem algo errado acontecendo com as bruxas da cidade.
Finn ficou sério na mesma hora.
- Errado como?
- Movimentos estranhos. Magia sendo usada de formas... irresponsáveis - respondeu, sem entrar em detalhes. - Ainda não sei quem está por trás.
- Mas vai descobrir - ele disse.
- Vou.
Ele assentiu lentamente.
- Só... tenta não arrumar problemas em Nova Orleans.
Ela arqueou a sobrancelha.
- Isso é um pedido ou uma piada?
- Um pedido - ele disse. - A piada é achar que você vai obedecer.
Os dois riram, baixinho.
- Você sabe que pode contar comigo - ele disse, mais baixo. - Sempre soube.
Olívia assentiu.
- Eu sei. É por isso que vim te avisar.
Quando se levantaram, passos ecoaram no corredor.
Rebekah apareceu à porta, parando abruptamente ao vê-la.
- Quem é você? - perguntou, direta.
Finn deu um passo à frente, num gesto quase automático.
- Rebekah, essa é Olivia. Uma amiga.
O olhar de Rebekah percorreu Olívia com atenção desconfortável, e por um segundo ela sentiu um aperto inexplicável no peito, rápido demais para ser lembrança, forte demais para ser ignorado.
- Prazer - disse Olívia, educada.
- É... - Rebekah respondeu, estreitando os olhos. - O prazer é meu.
Havia inquietação ali. Uma sensação estranha demais para ser ignorada.
Finn abriu a porta para Olívia.
- Se mudar de ideia sobre onde ficar... você sabe onde me encontrar.
Ela assentiu.
- Eu sei.
Quando Olívia saiu, Rebekah continuou parada, olhando para a porta fechada.
A porta se fechou.
Rebekah cruzou os braços.
- Finn... - disse devagar. - Ela é... diferente.
Ele apenas deu de ombros.
- Ela sempre foi.
Rebekah não pareceu convencida.
E, em algum lugar de Nova Orleans, algo antigo percebeu que Olívia Mikaelson tinha começado a se mover.
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