THE MIKAELSON || Olívia Mikaelson nunca deveria ter existido. Uma brecha da natureza que jamais deveria ter acontecido: metade vampira e metade bruxa, ela carrega um poder capaz de abalar o equilíbrio entre os mundos sobrenatural e humano. Silencios...
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A mansão Mikaelson nunca dormia de verdade.
Ela apenas diminuía o tom, como uma fera antiga que fecha os olhos sem jamais relaxar o corpo.
Olívia sentiu isso assim que atravessou a soleira. A casa reagiu à sua presença não como a algo estranho, mas como algo que reconhecia... e se recusava a aceitar.
Hope caminhava ao seu lado, passos leves demais para um lugar tão carregado.
- Você vai ficar quanto tempo? - a menina perguntou, curiosa, balançando levemente a mão que segurava a de Olívia.
- Ainda não sei - Olívia respondeu.
Hope sorriu, satisfeita, como se aquela resposta explicasse mais do que dizia.
Finn observava de perto. Próximo demais. Alerta demais.
O jantar tinha sido educado, do tipo que só pessoas muito antigas conseguiam sustentar enquanto mediam forças invisíveis. Agora, espalhados pela sala, os Mikaelson fingiam casualidade como predadores que aguardam o momento certo.
Kol foi o primeiro a quebrar o silêncio.
- Então... - disse, encostado na estante, girando um copo vazio entre os dedos. - Você não parece impressionada.
Olívia ergueu uma sobrancelha.
- Deveria?
- A maioria das pessoas fica. Ou assustada. Ou excessivamente respeitosa.
- Eu já vivi tempo demais para confundir barulho com perigo - respondeu, tranquila.
Kol sorriu, genuíno.
- Gosto disso.
Rebekah revirou os olhos, mas não comentou. Ainda.
Klaus observava tudo em silêncio, montando um quebra-cabeça que claramente não tinha todas as peças, e percebendo que alguém as escondera de propósito.
Hope sentou-se no tapete, puxando Olívia com naturalidade infantil.
- Você pode me contar uma história? - pediu. - Uma de verdade. Não dessas que eles contam.
Olívia se sentou com cuidado, ficando na altura da menina.
- Histórias verdadeiras costumam ser mais pesadas - disse com suavidade. - E você ainda é pequena para algumas delas.
- Eu não sou fraca - Hope rebateu, fazendo um bico.
Olívia sorriu de leve.
- Eu sei. Mas força também é saber o que não precisa carregar agora.
O ar da sala mudou.
Freya sentiu o arrepio subir pela espinha. Aquilo não era apenas carinho. Era escolha.