CAPÍTULO 9 - A Cidade que observa

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Nova Orleans não recebia estranhos em silêncio

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Nova Orleans não recebia estranhos em silêncio.

A magia da cidade não gritava, observava. Espalhada nas paredes antigas, nos becos estreitos, nos passos que ecoavam sobre pedras que já tinham visto demais. Olívia sentiu isso no instante em que cruzou o limite invisível da cidade.

Não era rejeição.
Era avaliação.

Ela estacionou o carro algumas quadras antes do centro. Desligou o motor, mas não saiu de imediato. Fechou os olhos por um segundo, testando a conexão.

A magia respondeu.

Não livre como antes.
Não ferida.
Mas pressionada.

O Outro Lado, porém, permanecia em silêncio absoluto.

Esther não respondia.
Dahlia também não.

Olívia abriu um sorriso lento, perigoso.

- Então é assim que vocês querem jogar.

Saiu do carro e começou a andar.

Não precisou de muito tempo para sentir o primeiro olhar cravado em si.

Não era curiosidade humana. Era vigilância.

- Você anda com muita confiança pra alguém que acabou de entrar na cidade errada.

A voz veio de trás.

Olívia parou, mas não se virou de imediato.

- Cidade errada? - perguntou, tranquila. - Interessante... porque foi ela que me chamou.

A bruxa estava encostada em um poste quebrado, braços cruzados, magia pulsando sob a pele como um reflexo nervoso. Não parecia surpresa. Parecia preparada.

- Eles disseram que você não viria - comentou. - Que ia fingir que não sentiu.

Olívia finalmente se virou.

- Quem disse?

A mulher sorriu de canto, mas havia tensão demais nos olhos.

- Você sabe quem.

Um símbolo começou a se formar nos dedos dela. Pequeno. Rápido. Um teste.

Olívia inclinou levemente a cabeça.

- Não faz isso.

- Por quê? - a bruxa provocou. - Vai me matar no meio da rua?

Olívia deu um passo à frente, a voz baixa, firme.

- Não. Vou te matar porque mandaram você.

O choque atravessou o rosto da mulher.

O estalo veio seco, preciso. O corpo caiu sem cerimônia no asfalto.

Olívia não olhou para trás quando voltou a andar.

Em algum lugar da cidade, uma vela se apagou sozinha.

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