CAPÍTULO 1 - Aquilo que desapareceu

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Séculos atrás

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Séculos atrás

Rebekah sempre soube quando algo estava errado.

Não era dor comum, nem medo. Era um vazio antecipado, uma sensação incômoda que se espalhava pelo corpo como um aviso tardio. Ainda assim, ela tentou ignorar. Havia passado tempo demais desejando aquilo para permitir que o pressentimento vencesse.

Ela estava grávida.

Contra tudo. Contra a natureza. Contra as regras que sempre governaram sua existência.

E, mesmo assim, era real.

Seu corpo sentia. Seu coração sentia. Havia vida ali, pequena, frágil, mas insistente. Pela primeira vez em séculos, ela não se sentia quebrada. Não se sentia incompleta.

Até que tudo mudou.

Foi rápido demais. Um frio repentino percorreu seu ventre, seguido por uma pressão estranha, abrupta, como se algo tivesse se desligado dentro dela. Rebekah levou a mão ao próprio corpo, o desespero crescendo antes mesmo da compreensão.

— Não... — o sussurro saiu baixo, quase inaudível.

Ela sentiu.

Sentiu quando a conexão se rompeu.

Sentiu quando o calor desapareceu.

Sentiu quando o peso, aquele peso que a ancorava ao mundo, deixou de existir.

Não houve sangue.

Não houve dor física suficiente para justificar o pânico.

Houve apenas o vazio.

Um vazio profundo, absoluto, impossível de negar.

A magia ao redor se agitou de forma quase imperceptível, antiga demais para ser compreendida. Rebekah caiu de joelhos, ofegante, tentando entender como algo que existia havia simplesmente... acabado.

Disseram depois que não havia nada a ser feito.

Que não era possível.

Que nunca deveria ter acontecido.

Ela ouviu tudo em silêncio.

Porque, no fundo, ela já sabia.

Sabia que havia existido vida dentro de si.

E que aquela vida havia se perdido.

Não havia dúvidas.

Não havia espaço para esperança.

O que quer que tivesse sido... não estava mais ali.

Naquela noite, Rebekah chorou uma perda sem corpo, sem rosto e sem despedida. Um futuro que ninguém mais reconheceria como real. Um sonho que a natureza tratara como erro.

O mundo seguiu em frente como se nada tivesse acontecido.

Mas, para Rebekah, algo havia terminado ali, de forma definitiva, irreversível.

O bebê se foi.

E nunca voltaria.

E nunca voltaria

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