CAPÍTULO 15 - Cemitério de Lafayette

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O cemitério de Lafayette não era um lugar de descanso

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O cemitério de Lafayette não era um lugar de descanso.

Nunca foi.

As lápides antigas se inclinavam como se tivessem aprendido, ao longo dos séculos, a escutar melhor o que vinha debaixo da terra. Raízes atravessavam túmulos sem pedir licença, partindo pedra e ossos com a mesma indiferença. A magia ali não dormia. Ela se acumulava.

Olívia sentiu antes mesmo de cruzar os portões enferrujados.

O feitiço estava ativo.

Não era um ataque direto, e isso a incomodava mais. Era um uso contínuo, calculado. Um dreno constante, como alguém respirando através dela sem permissão. Sua magia não estava sendo arrancada à força. Estava sendo canalizada.

Treinada.

— Isso não é pequeno… — murmurou.

Ela caminhou entre os túmulos sem pressa. Cada passo fazia o chão reagir, como se o próprio cemitério reconhecesse algo antigo demais para ser ignorado.

— Já podem sair — disse, sem elevar a voz. — Não estou com paciência pra jogos hoje.

O silêncio se estendeu mais do que deveria.

Então, sombras se moveram.

Três bruxas surgiram entre os mausoléus. Duas jovens, inquietas, mãos trêmulas demais para esconder o medo. A terceira permanecia rígida, o olhar baixo — não por submissão, mas por contenção. Ela sabia exatamente onde estava.

— Nós não sabíamos quem você era — disse uma das mais novas, rápido demais. — Juramos.

Olívia inclinou a cabeça, avaliando.

— Vocês sabiam o suficiente — respondeu. — Só fingiram que não.

A bruxa mais velha respirou fundo.

— Nos disseram que era uma fonte esquecida. Uma magia antiga, sem dono.

O ar ao redor de Olívia pareceu se comprimir.

— Magia sem dono não existe — disse ela. — Existe magia que sobreviveu aos donos.

Ela deu um passo à frente. O feitiço reagiu de imediato, puxando com mais força, não por necessidade, mas por urgência.

Olívia sentiu.

E entendeu.

— Isso aqui… — seus olhos escureceram — não é um ritual de ataque.

As bruxas se entreolharam.

— Vocês não estão tentando ferir ninguém agora — continuou. — Estão preparando algo que precise aguentar impacto.

A mais jovem engoliu em seco.

— Nenhuma de nós conseguiria sustentar isso sozinha.

— Nem juntas — completou a outra, percebendo tarde demais que falara demais.

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