THE MIKAELSON || Olívia Mikaelson nunca deveria ter existido. Uma brecha da natureza que jamais deveria ter acontecido: metade vampira e metade bruxa, ela carrega um poder capaz de abalar o equilíbrio entre os mundos sobrenatural e humano. Silencios...
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O cemitério de Lafayette não era um lugar de descanso.
Nunca foi.
As lápides antigas se inclinavam como se tivessem aprendido, ao longo dos séculos, a escutar melhor o que vinha debaixo da terra. Raízes atravessavam túmulos sem pedir licença, partindo pedra e ossos com a mesma indiferença. A magia ali não dormia. Ela se acumulava.
Olívia sentiu antes mesmo de cruzar os portões enferrujados.
O feitiço estava ativo.
Não era um ataque direto, e isso a incomodava mais. Era um uso contínuo, calculado. Um dreno constante, como alguém respirando através dela sem permissão. Sua magia não estava sendo arrancada à força. Estava sendo canalizada.
Treinada.
— Isso não é pequeno… — murmurou.
Ela caminhou entre os túmulos sem pressa. Cada passo fazia o chão reagir, como se o próprio cemitério reconhecesse algo antigo demais para ser ignorado.
— Já podem sair — disse, sem elevar a voz. — Não estou com paciência pra jogos hoje.
O silêncio se estendeu mais do que deveria.
Então, sombras se moveram.
Três bruxas surgiram entre os mausoléus. Duas jovens, inquietas, mãos trêmulas demais para esconder o medo. A terceira permanecia rígida, o olhar baixo — não por submissão, mas por contenção. Ela sabia exatamente onde estava.
— Nós não sabíamos quem você era — disse uma das mais novas, rápido demais. — Juramos.
Olívia inclinou a cabeça, avaliando.
— Vocês sabiam o suficiente — respondeu. — Só fingiram que não.
A bruxa mais velha respirou fundo.
— Nos disseram que era uma fonte esquecida. Uma magia antiga, sem dono.
O ar ao redor de Olívia pareceu se comprimir.
— Magia sem dono não existe — disse ela. — Existe magia que sobreviveu aos donos.
Ela deu um passo à frente. O feitiço reagiu de imediato, puxando com mais força, não por necessidade, mas por urgência.
Olívia sentiu.
E entendeu.
— Isso aqui… — seus olhos escureceram — não é um ritual de ataque.
As bruxas se entreolharam.
— Vocês não estão tentando ferir ninguém agora — continuou. — Estão preparando algo que precise aguentar impacto.
A mais jovem engoliu em seco.
— Nenhuma de nós conseguiria sustentar isso sozinha.
— Nem juntas — completou a outra, percebendo tarde demais que falara demais.