CAPÍTULO 11 - À Luz do Dia

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Nova Orleans estava acordada

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Nova Orleans estava acordada.

O sol já se espalhava entre os prédios antigos, refletindo nos paralelepípedos gastos, aquecendo fachadas que escondiam mais história do que deveriam. Ainda assim, a cidade parecia... alerta. Atenta demais para uma manhã comum.

Olívia sentiu isso no instante em que colocou os pés na rua.

A magia não era silenciosa.
Nunca tinha sido.

Era velha. Espessa. Camada sobre camada, como cicatrizes mal curadas deixadas por séculos de feitiços, pactos e erros. Não se movia livremente, se arrastava, observava, reagia.

Não havia rejeição.
Nem acolhimento.

Havia tensão.

Ela parou por um segundo, fechando os olhos apenas o suficiente para testar a própria conexão. A magia respondeu de imediato. Firme. Controlada. Um pouco pressionada, como se mãos invisíveis tentassem segurá-la sem ousar apertar demais.

O Outro Lado, porém, permanecia fechado.

Olívia abriu os olhos e seguiu andando.

As bruxas sentiam. Os vampiros também. Nem todos sabiam explicar o motivo, mas os instintos gritavam. Portas eram fechadas rápido demais. Olhares se desviavam cedo demais. A cidade reconhecia quando algo antigo caminhava por suas ruas.

Ela não começou pelas bruxas.

Não ainda.

Bruxas mentem melhor quando sabem que estão sendo caçadas. Vampiros, não. Vampiros sempre acham que ainda têm vantagem.

O primeiro estava do outro lado da rua, fingindo interesse no celular. Jovem. Nervoso. O coração batia rápido demais para alguém que tentava parecer entediado.

Olívia atravessou a rua e parou diante dele.

- Você - disse, simples.

Ele ergueu o olhar, confuso. O mundo pareceu desacelerar por um segundo. O poder dela envolveu o dele como uma névoa invisível, antiga, inevitável.

- Me conta - pediu, a voz baixa, firme - o que as bruxas estão fazendo.

Ele piscou, preso naquele olhar que não aceitava resistência.

- Reuniões... - começou. - Muitas. Discussões longas.

- Sobre o quê?

- Um ritual. Grande. Antigo. Alguns dizem que vai fortalecer a cidade. Outros acham que vai destruir tudo.

- E por que agora?

Ele hesitou, o corpo tenso.

- Porque... alguém mexeu na cidade sem pedir permissão.

Olívia sorriu de leve.

- Inteligente da sua parte perceber isso.

Ela soltou o controle.

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