Não me dei falta de Richarlison na cama quando acordei pois o mesmo havia me avisado antes de sair.
Me sentei na cama ainda desacreditada da noite passada, sabia que Maria já havia chegado, porque estava quase derrubando o apartamento.
Enrolei apenas minha toalha na cintura indo buscar uma mochila minha na sala para que eu pudesse tomar banho.
- Ah, acordou. - Bom dia, Mah. - Bom dia, quero conversar com você depois. - Eu também quero conversar com você. - Rebati e ela me encarou confusa mas eu apenas peguei a peça de roupa voltando para o banheiro.
(...)
Quando eu sai do banheiro segui direto para a cozinha para comer alguma coisa.
- Pode falar, agora. - Quero que fale primeiro. - Que horas você e o Neymar voltaram? - Às três. - Eu sorri, não era exatamente uma risada sincera, na verdade, era mais desacreditada.
- Nós namoramos, May. - Sei que vocês namoram.. eu só queria saber. - Sei que se preocupa, afinal, não somo as melhor dupla em questão de relacionamentos.. mas, está tudo bem, Neymar me trata como se eu fosse uma rainha. - Que bom, o que você queria falar? - Quem esteve aqui ontem? - Questionou.
- Quem te disse? - O porteiro? Assim que chegamos foi o que eu exigi, que eu soubesse quem entrasse e quem saia. - Me esqueci dessa sua mania, ridícula por sinal. - Meu pai é detetive, tenho que estar atenta em tudo, é o que ele sempre diz. - Meu pai dizia o mesmo.. mas, ao extremo? - Ainda não me disse quem veio. - Fala como se eu recebesse muitas visitas.. Richarlison. - Eu dei de ombros.
- Ele estava no CT, não? - Depois que ele saiu. - Ele esteve aqui tão tarde da noite? - Quer falar de horário? - Ela revirou os olhos.
- O que vocês fizeram? - Eu já te dei o que você queria, que foi saber quem veio, porque veio, já é um papo completamente diferente. - Nem fudendo, você vai falar sim. - Então você vai me dizer onde estava com Neymar e o que estavam fazendo. - ' Pera aê.. aí já exigiu. - Pois é. - Abri a geladeira.
- Eu comprei comida, no fogão. - Ah, tá, valeu. - Agradeci sentindo o olhar de Maria queimar em minhas costas.
- O que você quer saber? - Eu já te fiz minha pergunta. - Nós ficamos. - Me limitei a dizer.
- Mas vocês.. - Ficaaaamos, Maria. - Puta merda. - Eu prefiro que você continue em silêncio. - Sugeri.
- 'Tá arrependida? - O quê? Não, nunca. Só, não quero falar sobre. - Aí, Maya, tô orgulhosa. - Não é minha primeira vez, Maria, pode relaxar por aí. - Mas você finalmente vai entender que com você e o traste, o problema nunca foi você. - Eu sorri sem mostrar os dentes para ela voltando para o fogão.
É, o problema realmente nunca fui eu e sim ele.
(...)
Passei o dia trancafiada no apartamento resolvendo algumas pendências que eu tinha. Depois de oito anos o caso do meu pai havia sido reaberto pois haviam encontrado mais provas com sua inocência, embora não fosse mudar nada, porque ele já se foi, eu queria saber, queria por um ponto final naquilo.
E também estava resolvendo sobre meu trabalho, provavelmente eu iria cobrir todos os eventos de janeiro. Eu tinha que concordar, porque o que aquela equipe fazia por mim era ótimo.
E por fim terminei de tirar qualquer coisa que estivesse em puro acesso da minha mãe.. realmente não sabia mais nada dela, e acharia até melhor assim, mas quieta demais ela também era encrenca.
- Você vai querer alguma coisa para comer? - Onde você vai? - Andar um pouco. - Sozinha? - Sim.. estou falando a verdade. - Ah, não, não vou querer nada. - Dispensei ela apenas voltando para a minha agenda.
- Agenda cheia? - Vou cobrir os eventos de Janeiro, tenho que agendar um julgamento, resolver umas coisas da faculdade.. tá cheia pra cacete. - Então, não vai poder ficar muito tempo depois que os jogos acabarem? - Eu não sei como vai ser.. nada.
- Algo me diz que não está falando só dos jogos. - Richarlison ontem mandou eu pensar sobre um possível relacionamento sério... mas, porra, ele mora na Inglaterra e eu no Brasil, quais as porcentagens disso dar certo? - Você pode se mudar. - E depender do salário dele? Por favor, Maria, odeio isso.
- Então vivam com isso, com as viagens, você está superando seu medo de avião agora.. então, está tudo bem. - E vai ser assim sempre? Toda vez que eu quiser ir pra minha casa ter que pegar mais de quatro horas de voo? Sem contar que jogos são imprevisíveis não posso contar com a sorte para poder voltar pro Brasil. - Fechei meu caderno.
- Eu sei, May.. mas se você ama ele vocês vão arrumar um jeito. - As vezes, amor não é tudo. - Sério? - Um relacionamento exige, confiança, tempo, espaço, respeito.. que são a união de amor mas separados.
- Vocês sentem tudo isso um pelo o outro, sei que você vai tomar a decisão certa, Maya, mas não a lógica que esse seu cérebro aí mandar.. A que seu coração escolher. Vou indo. - Toma cuidado. - Ela sorriu.
(...)
Necessária.
Foi o que havia sido minha pequena conversa com Maria.. eu precisava expressar o que sentia para realmente entender.
Amor não era tudo, que o cérebro precisava.. mas se eu amava Richarlison, eu iria tentar, eu poderia tentar.
Richarlison me fez sentir confortável como ninguém mais fez, fez eu ver o mundo de uma forma diferente e compreensível, fez eu voltar a me sentir suficiente.
Se isso não fosse tudo o que era necessário, eu estaria sendo claramente muito burra.
Porque eu o amava, e ele me amava também. E agora eu entendia que a gente conquistaria tudo, com tempo.
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Próximo capítulo é o jogo e eu juro, o funeral vai virar festa.