- Você tem certeza que você realmente quer ir? - Richarlison, eu não estou doente. E já combinamos com sua família que a gente iria. - Você tem certeza que não está sentindo nada? - Richarlison. - Falei em tom de fim de conversa.
- Desculpa, só tô meio preocupado. - Tá tudo bem, não precisa pedir desculpas.
(...)
Me sentei ao lado de Richarlison na mesa do restaurante, mas senti o olhar de Elisa queimar sobre mim.
- Vocês já pediram alguma coisa? - Não, estávamos esperando vocês.. - Richarlison assentiu chamando o garçom.
(...)
- Bom, enquanto a comida não chega a gente pode conversar. - Andreia sugeriu.
- Como vocês pretendem manter o relacionamento? - A tia dele perguntou, sabia que não foi a intenção sair insensível, mas saiu.
- Quero dizer, você trabalha no Brasil e ele na Inglaterra. - Eu amo o meu trabalho no Palmeiras, mas é temporário, quando eu terminar minha faculdade, não trabalharei mais lá. - Richarlison me encarou, ele não sabia disso. - Embora eu vá terminar minha faculdade em março, mas o contrato termina em junho.
- Ainda acho que é muito tempo para manter uma relação. Você não precisa trabalhar, Richarlison recebe quatro milhões. - E eu seis mil, não preciso do dinheiro dele. - E quando vocês tiverem filhos? - Me reencostei na cadeira.
- Eu e Maya não planejamos ter filhos por agora. - Como não? - Elisa disse. - Você dizia que era seu sonho.. que seria um jogador incrível de futebol, ou a sua princesa.. dizia que teria meus olhos também. - Isso colocou um clima desconfortável na mesa e um sentimento de insegurança no meu peito.
- Eu e Maya temos muitos planos ainda, Elisa, planos que eu não tinha enquanto jogava no Fluminense. - Ah, claro.. Maya Oliveira, não é? Igual a ex ficante dele? Não era Oliveira o sobrenome dela? - Eu respirei fundo, eu ia descer a porrada nela.
- Elisa, para. - A gente está conversando, ué. - Ela estava conversando sozinha então.
- E sua família, Maya? - Essa garota não cansava de ser inconveniente? - A Maria? Ela.. - Sua família. - Maria é minha família. - Estou dizendo sua mãe, seu pai.. - Richarlison fez um carinho na minha perna e ia responder, mas eu fui mais rápida.
- Meu pai morreu e eu não falo com a minha mãe. - Você não fala com sua mãe? - Deveria? - É a sua mãe. - E o que ela tinha haver com isso?
- Elisa, agora já deu. - Richarlison disse impaciente. Respirei fundo, demorou um tempo até que meu celular tocasse.
- Desculpa, tenho que atender. - Disse me levantando da mesa.
- Oi, Veiga. - Vem cá, você disse que ia consertar uma câmera sua, qual? - D850 SLR. - Tenho cara de quem sabe qual é? - Eu não esperava menos, ela é a que tá marcada de azul. - Ouvi um murmúrio de concordância.
- Por que você quer saber? - Maya, para de questionar tudo. - Nem sonhe em consertar. - Porquê? - Porque só o conserto é dois mil reais. - Água.
- Raphael Veiga. - Relaxa, aproveita aí. - E desligou.
Eu tinha que seriamente rever meus amigos.
(...)
- Quem era? - Veiga. - Respondi apenas para Richarlison.
- Porquê? - Minhas câmeras ficam na mão dele, acho que ele quer consertar uma. - Ele revirou os olhos.
- Se você precisa de uma câmera nova é só me falar. - Não preciso, se ele fizer isso é porque ele quer, tá ligado? - Sei. - Se virou novamente para frente.
(...)
- Como foi? - Maria perguntou assim que eu adentrei a varando. - Acho que nem o jantar dos meus dezesseis anos foi tão ruim assim. - Nossa. - Ela disse surpresa.
- Sabe aquele papo de ex chata? "Aí, ele queria ter filhos comigo" e os caralho de asa? - Mentira que ela meteu essa. - É, e depois o Veiga me ligou.. - Maria arqueou as sombrancelhas.
- Porquê? - As câmeras. - Ela murmurou em concordância.
- Deixa eu adivinhar? Richarlison morreu de ciúmes. - É.. meu Deus, o que ele acha? Eu quem deveria sentir ciúmes! A ex dele tá do meu lado. - Respirei fundo.
- Você tá bem, Maya? - O que você acha? - Não estou dizendo nesse quesito.. você tá meio estranha, você tá enjoada demais, pediu comida japonesa, você odeia comida japonesa. - Enfatizou. - E ainda, não me leve a mal, você está meio inchada, porque sua bunda por mais bonita que seja.. - Maria! - Desculpa, mas é menor. - Eu encarei ela.
- O que você quer dizer? - Eu não quero dizer nada. - Porra! Eu não tô grávida. - Só tô dizendo. - Ela ergueu as mãos mãos forma de redenção.
- Eu não posso estar grávida. - Se eu fosse você eu tirava dúvida.
(...)
- Maya. - Richarlison pediu enquanto eu penteava meu cabelo. - Diga. - O que você tem? - Eu estou de boa. - Sorri levemente sabendo que ele podia me ver através do espelho.
- O jantar ficou com um clima pesado. - Então você tem que conversar com a Elisa, não comigo. - Gata, eu não quero brigar. - Não tem ninguém brigando aqui.
- Não, mas você está estranha. - Só tô cansada, certo? Hoje foi cansativo. - Ponderei. - Você devia descansar também, amanhã vai treinar. - Não estou com um pingo de sono. - Se retirou do cômodo.
- Ihhh, o que aconteceu? - Antony nem esperou dar trinta segundos que Richarlison saiu para poder entrar.
- Nada. - Bora logo, Maya. - É a Elisa, ela tá me incomodando. - Está com ciúmes dela? - Olhei para ele indignada.
- Não! - Ah, você tá. - Por que eu deveria? - Porque você tem medo de perder quem você ama, Maya. - Me virei para ele, aquela pessoa seria ali não podia ser o meu Antony, meu amigo.
- A um tempo atrás você me deu um conselho, hoje eu estou te dando um, não dê a essa mulher o que ela quer, que é ver vocês separados. - Como você sabe? - É óbvio, tem pessoas que fazem de tudo para ver outras infelizes e cá entre nós, Maya, nem você confia nela.
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Só pra constar antes do próximo capítulo, uma câmera da Maya é R$22.167,22. Porque eu nãofaço coincidência.