Capítulo 6

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CAROLYNA POV.

- Nãoooo! - Priscila gritou gargalhando, eu corei mais ainda, eu sei que era patético. - Você nunca beijou ninguém? Aos dezessete anos? - Ela parou de rir para me olhar incrédula.

- S-Sim. - Engasguei envergonhada e cobri o rosto com as mãos.

- Mas você nunca se sentiu atraída por ninguém a ponto de querer beijar? - Ela arqueou a sobrancelha, curiosa.

- Ahm. - Tossi rapidamente e cruzei as pernas em formato de índio. Estávamos de volta ao seu quarto, passamos a tarde toda confessando coisas sobre nossas vidas, eu me senti um pouco perdida quando comecei a contar sobre os acontecimentos na rua e ela começou a chorar, ela me abraçou forte e disse que sentia muito por eu ter passado por tudo isso, ela realmente ficou triste com o que eu passei e eu a abracei de volta para acalmar ela do choro. - Bem, eu já gostei de um menino é de uma menina, os dois não deram certo então eu não sei do que eu gosto sabe? E também não tem como eu gostar de alguém, olhe para mim, depois que sai do orfanato eu passei a ser invisível, então acho que me conformei que nunca vou acabar tendo um primeiro beijo ou sexo. - Corei.

- Nunca é uma palavra muito forte, agora você está conosco e vai ter uma vida normal novamente okay? Eu vou fazer de tudo para você conseguir um beijinho. - Ela piscou sorrindo maliciosa e eu ri envergonhada.

- Eu não vou ficar aqui, Priscila. Não tem espaço e eu não quero atrapalhar a vida de vocês, eu vou ficar bem, estou indo atrás de um emprego mas com o final do ano eu dei uma parada por tudo estar fechado e essas coisas, mas eu vou conseguir, eu sei que vou. - Assenti convicta, eu só precisava de um trabalho e aí as coisas iriam melhorar, eu talvez ficasse em alguma pousada barata que desse para pagar e quando começasse a ter mais dinheiro eu alugava algo só meu, não devia ser tão difícil.

- Claro que temos espaço aqui! - Ela fechou a cara, franzi o cenho. - A mamãe pode comprar uma cama e colocar no quarto da Ananda e então vocês dividem o quarto, ou você pode ficar aqui comigo, você pode entrar no meu colégio e estudar comigo e eu posso até pedir para o papa te arranjar um emprego, aí quando você terminar os estudos e estiver com um dinheiro guardado você pode alugar um apartamento para você. - Sorriu animada.

- Eu não posso ficar aqui por um ano... - Mordi o lábio inferior.

- Eu não vou deixar você ir embora, nem o papa e a mamãe. - Ela ergueu a cabeça convencida, acabei rindo da sua marra, parecia uma criança.

- Vamos com calma, eu vou pensar sobre isso e respondo quando seus pais voltarem do Havaí. -Ela pareceu pensar e concordou por fim, Priscila era uma pessoa incrível, conseguiu com que eu me abrisse com ela sobre tudo, ela tinha uma conversa maravilhosa, que te prendia, te instigava a ter mais assuntos e se deixasse você passava a noite toda assim com ela, eu não contei a ela da minha condição, ela estava sendo tão legal comigo e eu não queria que ela se afastasse por estar com nojo de mim, o pior, por eu ter dormido na mesma cama que ela.

- Sabe... eu ouvi a conversa sem querer, que você teve com a minha mãe. - Ela mordeu o lábio inferior me olhando culpada e eu arregalei os olhos.

- É-é... - Engoli em seco.

- Eu nunca pensei que minha mãe puxava para o lado colorido da força. - Ela riu e se jogou na cama para deitar. - Essa história foi bem intensa, eu fiquei me perguntando como ela conseguiu seguir em frente sabe? Ela amava a sua mãe mas conseguiu esquecer ela é seguir em frente com o meu pai, mas mesmo assim ama ela até hoje? É confuso, ela ama meu pai e sempre amará a sua mãe, o primeiro amor deve ser algo tão intenso e real que te marca até os últimos dias da sua vida né? - Ela divagou olhando para o teto, deitei ao seu lado timidamente e concordei com ela, o amor era algo tão estranho. - Eu queria viver uma história assim, um amor tão forte que marca você para sempre, mesmo não acabando ao lado dessa pessoa, óbvio que eu iria querer acabar com ela entende? Mas mesmo que não, eu queria isso, lembrar que eu amei uma pessoa tão intensamente que eu deixei ela ir, mas ela não me deixou completamente, mesmo amando outra pessoa eu ainda seria dela e ela seria minha, iríamos morrer mas o sentimento ainda continuaria ali. - Ela suspirou.

Christmas - Capri Onde histórias criam vida. Descubra agora