CAMILA POV.
- É o nome da minha mãe. - Engoli em seco. Como ela conhecia minha mãe?
- Oh meu Deus. - Ela sorriu emocionada, vi que seus olhos marejaram. - Posso? - Hesitante, ela tentou me abraçar, assenti, mesmo perdida. Ela me abraçou e eu fiquei um pouco sem ar, seus ombros começaram a tremer.
- Hey, por que está chorando? - Me afastei para olhá-la.
- É que você aqui na minha frente me lembra tanto dela, vocês são iguais. - Ela sorriu limpando as lágrimas.
- Você conhece ela como? Você deveria ser próxima dela não é? - Perguntei interessada. Sua reação foi muito... estranha.
- Ah. - Ela limpou a garganta olhando para o chão. Fitei-a curiosa, por que ela estava corando? - Eu conheci sua mãe no colegial, no segundo ano do ensino médio. Nós ficamos muito amigas, carne e unha, e fazíamos planos para o futuro, faculdade juntas, morar perto uma da outra, ser madrinha uma da outra, mas no último dia do terceiro ano nós...
- Vocês? - Insisti.
- Nos beijamos. - Ela riu envergonhada. Arregalei os olhos, mamãe nunca disse isso. - E percebemos que não éramos tão amigas, tínhamos sentimentos e acabamos nos entregando, foram dois anos maravilhosos de namoro, pensávamos até em nos casar, mas brigamos feio uma noite e terminamos. Eu não falei por ela por três anos, até que nos reencontramos num mercado, foi um choque, como se todos os sentimentos do passado voltassem de uma vez. Nos cumprimentamos e eu fiquei sabendo que ela estava noiva do Alex, foi como um balde de água fria, eu desisti naquele momento. - Ela sorriu triste, eu estava completamente incrédula, minha mãe teve uma história de amor, com uma mulher. - Eu nunca a esqueci, o primeiro amor não se esquece nunca. Mas conheci Mike e eu o amei, amei de verdade, e fiquei feliz por ter conhecido ele, temos uma família maravilhosa e mesmo que eu tivesse a chance de ter ficado com a Danda, eu provavelmente não teria a sorte que tenho por ter meus filhos e Mike.
- Nossa. - Engoli em seco, eram tantas coisas para assimilar.
- Por que você está na rua, Carol? Cadê seus pais? - Ela pegou minha mão que estava no meu colo, eu olhei-a e senti pena, ela não sabia da morte deles.
- Eles morreram. - Sussurrei. Olhei em seus olhos e percebi a surpresa, e então eles se encheram de lágrimas.
- Danda morreu. - Ela sussurrou para ela mesma, suspirei sem saber o que fazer e então puxei ela para um abraço, não demorou muito para ela começar a chorar nos meus ombros, eu estava me sentindo mal.
Nós ficamos ali até ela se acalmar e se levantar, pediu desculpa pelo descontrolo e disse que iria dormir, eu assenti. Quando ela subiu eu olhei para a sala vazia e senti uma ansiedade enorme me atingir, eu tinha que ir dormir. Com a Priscila.
Subi as escadas hesitante, Ananda tinha me falado qual era o quarto de todos quando eu fui tomar banho então eu sabia qual era o da Priscila. Respirei fundo e fechei os olhos, quando os abri bati timidamente na porta, ouvi algo caindo no chão e em seguida passos apressados. Priscila abriu a porta ofegante e eu ri baixinho, o que era isso?
- Desculpe, eu cai da cama de susto. - Ela riu recuperando o fôlego. - Pode entrar. - Ela se afastou me dando liberdade. Eu entrei timidamente e passei os olhos pelo quarto. As paredes eram brancas, diferente de uma apenas que era preta, a que a cama era encostada. Tinha um mural de fotos na parede, a cama era bem grande, caberia quatro de nós duas ali. Um guarda-roupa simples, uma escrivaninha com um notebook e alguns objetos em cima, e uma porta, ela tinha o banheiro só dela então.
- Espero que tenha gostado. - Ela disse tímida e fechou a porta, sorri fraco e assenti. - Eu separei um pijama meu, está no banheiro, se você quiser tomar outro banho. - Ela apontou para a porta, eu havia tomado um antes da ceia, não era necessário.
- Vou me trocar. - Me virei para ela e percebi o que ela usava, uma camisola pequena preta, tinha um decote bem grande e ela chegava a metade das suas coxas, eu corei e voltei a olhar para os seus olhos, ela me olhava sem nenhuma expressão, apenas com os olhos fixos em mim. - V-Vou. - Apontei para a porta e corri até a mesma, tropeçando no caminho pelo salto da bota, resmunguei baixinho e ouvi ela rindo.
Fechei a porta e respirei fundo, eu sentia minha barriga revirar e meu coração batia rápido, que diabos? Eu não deveria ter ficado tão estranha ao olhar para Priscila, espero que ela não tenha percebido. Eu nunca me senti à vontade com a minha condição, por isso nunca quis ter relações íntimas com ninguém, não sabia do que eu gostava, já gostei de um menino quando era criança mas pelo visto meninos tinham nojo de alguém como eu, então eu tentei com meninas quando já era adolescente, no orfanato, gostei de uma amiga lá mas ela também não me correspondeu, disse que era estranho ficar comigo sendo que eu era assim, então eu resolvi que não precisava de nenhum dos dois, ninguém me aceitaria e eu já tinha aceitado isso. Não precisava beijar nem fazer sexo como todos os adolescentes fazem, eu nunca provei para ter que ter vontade, então estava tudo bem para mim.
Quando coloquei a camisola que ela me separou agradeci aos céus por ela ser grande, ia até os joelhos e era larga já que Lauren não tinha o mesmo corpo que eu, esconderia meu segredo. Eu tirei a maquiagem lavando o rosto e soltei os cabelos, me virei para sair e olhei para o box, tinha uma calcinha dela pendurada, senti meu rosto esquentar e sai apressadamente.
- Você tem preferência de qual lado dormir? - Priscila perguntou, ela estava sentada na cama mexendo no celular.
- Não. - Ela assentiu e então foi para o lado direito, encostado na parede, andei até o esquerdo e me sentei envergonhada.
- Pode deitar. - Ela disse quando percebeu minha hesitação, concordei com a cabeça e me deitei, eu quase deixei um suspiro escapar, a cama era tão boa, dois anos sem deitar em algo tão macio com certeza me fez ter vontade de chorar só por sentir minhas costas relaxarem mais uma vez. - Boa noite. - Ouvi Priscila sussurrar se virando de costas para mim, com o movimento seu cheiro veio direto para o meu rosto, ela era muito cheirosa mesmo.
- Boa noite. - Sussurrei de volta, meus olhos pesaram em segundos e eu me entreguei ao sono, provavelmente o melhor dentre dois anos da minha vida.
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Christmas - Capri
FanficEra para ser apenas mais um Natal solitário, Carolyna já estava se acostumando a essa vida. Você pode dizer que não existe nenhuma ação altruísta hoje em dia, mas o que Michael Caliari fez parecer ter algum interesse? Isso é apenas uma adaptação, to...
