A casa estava quieta. Com o chegar da tarde, o tempo esfriou rapidamente, fazendo uma monótona neblina pairar pelas ruas de Yokohama. Silêncio. A bolsa de compras recém-feitas repousava sobre a longa mesa da cozinha. Ryūnosuke ainda guardava seus pertences e até alguns itens novos por toda a residência, quando ouviu alguém bater à porta várias vezes. Ao abri-la, se deparou com Dazai, que sussurrava coisas agressivas enquanto digitava uma mensagem no celular.
-Posso ajudar...?
-Ah... senhor Akutagawa! -Osamu sorriu estranhamente- tudo okay por aqui?
-É... eu acho. -Os olhos escuros e acinzentados de Ryuu perceberam que seu vizinho não estava lá em seu melhor dia; o sorriso exibia uma pontada de cansaço evidente, o colarinho da camisa estava aberto e amassado, deixando à mostra alguns pequenos hematomas em seu pescoço. Os cabelos castanhos estavam mais embaraçados do que deveriam estar em seu habitual, as bandagens estavam frouxas e praticamente soltas, e os olhos estavam prejudicados por olheiras terríveis. -Não sei se poderia dizer o mesmo do senhor, por acaso gostaria...?
-Não tenho muito tempo, se importa se eu der uma olhada na sua casa? -Ele guardou o celular no bolso e sem nem receber uma confirmação, empurrou Akutagawa do caminho da porta e entrou a passos rápidos, olhando atentamente cada centímetro do lugar.
-Ei, espere... -Ryūnosuke seguiu-o, tentando, inutilmente, pará-lo. -O que pensa que está fazendo?!
-Você por acaso não deixou aberta nenhuma janela ou porta quando saiu? Ficou de olho na casa o tempo todo? -Dazai passou por todas as janelas, consultou todos os cômodos, com um Akutagawa irritado em seu encalço. -Ninguém veio até sua casa até agora? Alguém estranho? Algo diferente? Eu sei que você chegou aqui ontem, mas...
-Olhe, eu não estou entendendo o que quer dizer. -Ryuu explicou, usando um tom de voz elevado e ameaçador. -O que há de errado agora?!
Dazai se virou para Akutagawa e segurou-o pelos ombros. Olhou dentro de seus olhos e desfez o sorriso.
-Eu preciso que seja sincero- esse cara usa drogas, só pode- aconteceu alguma coisa que você consideraria diferente? Alguém bateu na sua porta? Você ficou muito tempo fora de casa? Esqueceu alguma porta aberta?
-Eu saí por mais ou menos uma hora, de manhã, eu acho... e agora de tarde não levei nem meia-hora para voltar do mercado... por que está...?
-Okay, okay... e quando voltou para casa, de manhã o que você fez? Detalhes, por favor.
-Ahn... eu... estava ouvindo música e guardando as minhas coisas, e só comi um pouco ao meio-dia, e eu não abri nada além da porta da frente, mas por que...
O Osamu se afastou e voltou a vasculhar as janelas. Parou diante de uma dos fundos e abriu a cortina para mostrar a Akutagawa o vidro partido em vários pedaços, deixando um buraco grande o suficiente para uma pessoa passar. A cor desapareceu completamente do rosto de Ryuunosuke. Seus pulmões pareceram esquecer que precisavam funcionar. O que diabos está acontecendo?!
-Escute aqui- ele bradou, encarando Dazai, seriamente- eu não sei o que você quer com esse jogo idiota, mas vamos parando por aqui. Eu já tenho preocupações o bastante na minha vida, não preciso dessa sua esquisitisse paranóica pela minha casa. -Osamu tentou falar algo mais, mas o outro o empurrou pelos cômodos até a porta da frente e a bateu em sua cara, deixando-o para o lado de fora.
-Droga, droga, droga... ele não vai querer me ouvir... -e Dazai cruzou a rua, perdido em milhares de pensamentos desorganizados. -Vou precisar tirá-lo de lá hoje.
Enquanto isso, Akutagawa tentava processar o que acabara de acontecer. Maluco... lunático, isso é o que ele é. Invadindo a minha casa, como se...
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The Armed Street ~ {Shin Soukoku Fanfic}
FanfictionAkutagawa Ryūnosuke apenas procurava uma casa nova afastada dos problemas de Tokyo. Ao encontrar o lugar perfeito para se distanciar de seu passado sombrio que lhe atormentava em seus pesadelos, em uma pacata rua afastada do centro de Yokohama, ele...
