Uma amarga traição

733 64 190
                                        

-Por quê? Por que justo agora em que as coisas finalmente deram certo vocês dois aparecem? -Atsushi sentou-se em uma das cadeiras da fria cozinha de sua casa, os dois rapazes o analisando furtivamente com o olhar.

-Dentro de algumas horas nosso plano precisa estar em ação. -Declarou Dazai, segurando nas mãos um pedaço de papel e uma caneta- só escreve a droga do bilhete logo e venha conosco.

-Nós devíamos ter abordado uma pessoa menos sentimental, francamente -Chuuya revirou os olhos- se não quiser continuar, pode dizer, eu consigo matá-lo aqui e agora se for o caso. E depois o namoradinho dele.

-Chuuya, vai com calma. -O moreno reprovou, observando a figura desamparada de Atsushi à sua frente.

O relógio marcava 4:35 da manhã, os ponteiros provocando um barulho incomodativo no ambiente. O vento uivava do lado de fora da residência como um sussurro de súplicas sofredoras abafadas pela neve.

-Eu... eu vou com vocês, mas... -algumas lágrimas silenciosas brotaram de seus olhos. O Nakajima reuniu forças para tentar dizer o que precisava. -Será que quando isso tudo acabar vocês podem nos deixar em paz? A única coisa que eu queria era ficar com ele, quem sabe até passar o resto dessa vida podendo...

-Okay, a gente já entendeu. -Interrompeu Chuuya- não precisa dessa choradeira não.

-Ele tem razão. -Comentou Dazai. Ele colocou o papel e a caneta sobre a mesa- escreve aí, não deixe muitos detalhes, eles precisam... pensar um pouco.

A mão trêmula de Atsushi segurou a caneta. Algumas lágrimas borraram o papel em pequenos pontos, e os dedos da outra mão amassavam o bilhete com raiva e desilusão. Depois de riscar as palavras, entregou o papel a Dazai, que conferiu o curto texto e sorriu maliciosamente.

-Vamos. -Insistiu o Nakahara, impacientemente. -E Dazai, por favor, precisa parecer real. -Os dois arrastaram Atsushi para fora da casa, certificando-se de que ninguém flagraria o plano em andamento...

<<<>>>

Os irmãos Akutagawa mal conseguiram terminar de acordar outra vez com a velocidade em que chegaram ao escritório. A sala subterrânea da casa de Dazai nunca havia sido tão fria. Gin ainda vestia a calça do pijama por baixo do casaco longo rosado, esfregando as pálpebras dos olhos que implicavam com o sono.

Todo o escritório possuía um clima pesado e mortalmente quieto, mas os olhares de todos os membros da Armed Street estavam intranquilos. Dazai andava de um lado para o outro, absorto em seus pensamentos.

-Posso saber o que aconteceu aqui? -Ryūnosuke passou os olhos por todos os presentes com ansiedade. Aquelas mensagens de Dazai haviam lhe deixado com um mau pressentimento. Afinal, o que havia acontecido? 5:00 da manhã de Ano-Novo e ele chamava-os por um assunto sério. E mencionou o nome de Atsushi. Imaginar que algo pudesse ter acontecido com ele angustiou Akutagawa.

Osamu o encarou com um brilho culposo na face. Suspirou, tentando comunicar-lhe a situação:

-Akutagawa, eu... sinto muito...

-Do que está falando? Pode parar de enrolar...

Gin observava o olhar aflito do irmão com certa pena. Dazai retirou um papel dobrado algumas vezes e ligeiramente amassado nas pontas de dentro do bolso da blusa.

-Eu vou procurar ser extremamente breve: nós voltamos um pouco mais tarde do Mitsuike park, faz menos de uma hora. Nos perdemos na conversa, sabe... -ele explicou, o tom de voz estava estranho, carregado de uma energia negativa. -Então, quando cheguei, me lembrei que precisava entregar uns papéis pro Atsushi antes que me esquecesse de novo. Quando cheguei lá, a porta da casa dele estava arrombada, e nenhum sinal dele. Encontrei apenas esse bilhete. -Entregou o papel a Akutagawa, que o desdobrou e leu as linhas tortas em letras levemente borradas:

The Armed Street ~ {Shin Soukoku Fanfic}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora