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Alguns avanços e aquela garota

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Dazai conseguiu, por um milagre que fosse, fazer Akutagawa se sentar e se acalmar. O dia já estava amanhecendo. Ao longe, os pássaros cantavam com a esperada chegada de um novo nascer do sol. O garoto loiro, Kenji, dormia profundamente sobre uma pilha de papéis. Kunikida acordou-o, batendo seu caderno com força na mesa ao seu lado.

-Kenji, não temos tempo para dormir. Encontre para mim os documentos que pedi e depois você descansa.

Dazai se sentou em frente a Ryūnosuke, com os cotovelos apoiados em sua escrivaninha, e Atsushi ao lado dele. O Osamu apoiou a cabeça nas mãos e, sorrindo, perguntou:

-E aí? Resolveu confiar em nós?

-Talvez. Veremos. -Sua resposta foi rápida e fria, cortante como gelo- não sei se posso.

-E não precisa- Atsushi emendou, o sorriso compreensivo voltando ao rosto- apenas nos conte como se fôssemos... repórteres?

-Não ajudou muito -resmungou Ryuu, fitando os próprios joelhos.

Atsushi ergueu o queixo de Akutagawa com seu dedo indicador e o encarou. O coração de Ryūnosuke errou as batidas por um momento. O que esse cara pensa que está...

-Ouça, Ryuu- Dazai arqueou uma sobrancelha ao ver que o outro não protestou sobre o apelido na boca de Nakajima- queremos te ajudar, e você pode ajudar a gente. Se não quiser, está tudo bem; mas faça isso, por mim.

Akutagawa ficou um bom tempo perdido naquele olhar... aquele olhar, gentil, preocupado. Percebeu o quanto Atsushi era realmente atraente. Que droga eu estou pensando? Você mal conhece ele. Mas não dá para negar... ele... ele é bonito... sentiu-se confiante. Sentiu-se confortável. Engoliu a angústia de lembrar daqueles dias horríveis e se pôs a contar o máximo que conseguia:

-Era uma tarde normal quando eu morava em Tokyo. Estava voltando do emprego de meio período na biblioteca, adorava passar meu tempo lá, e consegui ganhar dinheiro fazendo algo que me agradava. Eu estava à pé, e começou a chover, as ruas estavam muito movimentadas. Procurei um atalho pelo distrito do porto para chegar mais rápido ao loft alugado onde eu morava. Foi nesse caminho que eu ouvi... era... como se alguém estivesse chorando, implorando por misericórdia. Tentei... tentei procurar pela pessoa, achei que estivesse precisando de ajuda, por mais que essa área não seja o meu forte. Quando encontrei... -a cena causava um frio intenso dentro dele. Lhe dava pena, tristeza, recordar aquele momento que de alguma forma o traumatizou.- havia um homem, jogado contra o chão... um cara quebrou a mandíbula dele... pisou nele como se não fose nada e depois deu três tiros no peito dele. Sangue. Tinha muito sangue. -Os olhos de Ryūnosuke estavam vidrados. Geralmente, sangue, morte e violência não o perturbavam, mas aquela memória era terrível- pensei em ligar para a polícia. Mas o que eu diria? Não tinha provas, não tinha fundamento, apenas o meu testemunho, que para um bando de policiais preguiçosos não fazia diferença. Depois do meu período na biblioteca, passei alguns dias ainda pelo mesmo atalho, procurando fotografar, gravar, presenciar tudo o máximo possível. Descobri que eram uma organização que se denominava Máfia do Porto. Vários caras se juntavam, pareciam reuniões, algo informal. Muitas pessoas mais foram mortas daquele jeito. E também... havia uma mulher estranha... tinha uma sombrinha sempre nas mãos. Acho... que tirou uma espada daquela coisa... e matou mais alguns.

-Que bizarro. -Interrompeu Atsushi. Akutagawa até agora nem havia se dado conta de que o Nakajima segurava sua mão. Precisou se conter para não demonstrar nenhuma reação, mantendo a mão especialmente paralisada. Por algum motivo, não queria que ele soltasse. Logo retomou:

-Um dia, o lugar estava vazio. Quando pensei em ir embora, eles... -a agonia prendeu fortemente sua garganta. Não, agora não é hora pra isso. Você precisa parecer calmo. A mão de Atsushi apertou ainda mais a sua, dando-lhe um certo alívio- um cara... estranho, parecia um vampiro... me barrou. Só lembro de ter acordado em um lugar frio e escuro, horas depois. Devo ter passado dias lá. Sem nada pra comer. Me tiraram de lá e me deram pilhas de papéis. Disseram para mim sair e realizar aquelas missões. Tive... tive que entregar pacotes de bombas. Eu matei pessoas. Com tiros, explosões, surras, "acidentes" que na verdade foram especificamente planejados. Eu fiz muitas coisas. E se eu não as fizesse, ameaçavam Gin de morte. Depois de mais algum tempo, não haviam mais missões. Me deixaram trancado. Sozinho. Mas eu encontrei uma maneira de fugir, conversei com minha irmã, e ela me disse que o melhor para mim era procurar um lugar mais seguro. Então eu vim parar aqui. -Tentou resumir o máximo possível aquelas semanas anteriores que magoavam-no.

The Armed Street ~ {Shin Soukoku Fanfic}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora