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O declínio de uma operação

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Yokohama nunca esteve tão fria como naquele amanhecer.

Não havia nada comparável ao receio e a incerteza que dominavam a mente de cada um dos detetives armados. Toda a vida da cidade parecia se esgueirar e se esvair de todos os cantos, fazendo restar apenas uma solidão arrasadora, por mais que fosse completamente iluminada pelo grande centro, a brancura insensível era inquietante e de certa forma sórdida.

Fukuzawa observava os passageiros do banco de trás do carro de relance, pelo retrovisor, com certa pena. Atsushi e Akutagawa não conseguiram dizer um "a" sequer durante todo o percurso.

-Tentem não se preocupar, garotos, temos tudo acontecendo dentro do planejado -Fukuzawa murmurou, as mãos segurando firmemente o volante.

Mas ele não recebeu resposta.

O coração do Nakajima deu um salto ao olhar pela janela do automóvel e realizar que faltavam poucos minutos para que eles cruzassem os amedrontadores portões do Porto. Ansiosamente, voltou seu olhar aflito para Ryūnosuke, ao seu lado, o qual também fitava o exterior com uma pontada de pânico em sua expressão.

-Ryuu -chamou Atsushi, de súbito. De início, ele nem sabia o que lhe dizer, mas logo encontrou um pequeno pretexto para a ação- se conseguirmos chegar até o Mori pra matá-lo... você pode...

Não foi necessária nenhuma palavra a mais para Akutagawa ler a dúvida no rosto do platinado.

-Você quer saber se eu posso atirar no seu lugar, não é? -O outro assentiu, levemente envergonhado- por acaso você... nunca matou ninguém?

-Eu... eu... -a voz de Atsushi vacilou gravemente por um instante, demostrando sua insegurança- na verdade... . -Shibusawa. Um nome que Atsushi jamais iria esquecer.- Ele... tentou me matar. Mas eu não gostei nem um pouco de fazer isso. Não... não é justo... por favor...

-Fica tranquilo, Atsushi -Dazai, que ocupava o banco do passageiro, ao lado de Fukuzawa, se pronunciou pela primeira vez desde o começo do percurso- sabemos das suas fraquezas. O Akutagawa te protege.

Ótimo. Sobrou pra mim. Filho da mãe.

Mesmo deixando à vista sua indignação com a intromissão de Dazai no curto diálogo, Akutagawa realmente refletiu; Atsushi possuía uma índole naturalmente gentil, mas ainda não havia lhe ocorrido que por este mesmo motivo a ideia de matar uma pessoa era quase impensável. Voltando seu olhar momentaneamente sombrio para o Nakajima, Ryūnosuke declarou em conclusão:

-Não se preocupe. Eu vou atirar na cara daquele imbecil até ele ficar irreconhecível.

Se a afirmação tivesse sido acompanhada por um mínimo traço de um sorriso, o platinado a receberia com contentamento, mas como não foi o caso, estando Akutagawa mortalmente sério, Atsushi não pôde deixar de engolir em seco, assustado. Esquecera-se completamente que o namorado possuía aquele lado moderadamente guiado por instintos assassinos.

Os quatro tentaram permanecer calmos e focados, mas no instante em que Fukuzawa conduziu o carro para dentro dos portões de ferro que demarcavam a entrada do Porto, pareceram simultaneamente prender a respiração, temerosos. Quando o carro parou, antes de desembarcarem, Fukuzawa deu-lhes uma última orientação:

-Lembrem-se: é importante manter a cautela. Vocês estão cientes dos detalhes do plano, não tem erro.

Novamente, ninguém se pronunciou, até todos os quatro colocarem os pés para fora do carro, firmando-os sobre aquele já conhecido e amplamente extenso pátio de concreto.

-É bem diferente de quando viemos aqui há alguns dias, não é? -Dazai soltou um riso discreto.

De fato; nem se comparava com a área vazia com a qual se depararam no início legítimo do ano. Com todas as docas reabertas, o movimento de funcionários indo de um lado para o outro, saindo e entrando pelos armazéns, era espantosamente grande. Ao longe, os containers eram carregados sobre navios cargueiros cujos tamanhos superavam até os prédios mais altos da cidade, com a ajuda de uma estrutura imensa de um guindaste --no qual eles estranhamente não haviam reparado antes. Os trabalhadores portavam pranchetas nas mãos e rádios de comunicação presos aos uniformes, em sua maioria. O pátio parecia ainda maior; Fukuzawa havia estacionado o automóvel reluzente da Polícia pouco após a entrada, e não demorou para que outro exatamente igual, que trazia o restante da equipe, chegar ao local e parar logo atrás.

The Armed Street ~ {Shin Soukoku Fanfic}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora