Catarina
Adaptação nunca foi um problema.
Quando iniciei minha carreira no esporte, para uma menina de apenas nove anos, a parte mais divertida além de jogar tênis derrotado adolescentes medidos era viajar ficando longe de uma casa cheia de estranhos.
Gostava de explorar, sentia uma liberdade em estar próxima de algo fora da minha realidade ou rotina.
Graças ao meu pai, tenho uma curiosidade enorme sobre culturas, comidas tradicionais e costumes religiosos de terceiros por isso a razão pela qual consigo falar mais de sete idiomas.
Já estive no Brasil algumas vezes, na maioria por conta do torneio que acontece no Rio de Janeiro, mesmo com a mudança radical do meu pai para cá nunca encontrei tempo para visitá-lo em uma agenda apertada de torneios e eventos.
Tinha completado uma semana desde que cheguei da Austrália.
Me sinto uma completa estranha no meio de uma família normal, tentava acompanhar a rotina deles, minhas irmãs tinham aulas na parte da manhã e cursos complementares pela tarde, o meu pai passava o dia inteiro no ct e quando estava em casa enfiado dentro do seu escritório.
Ausência é algo que não podemos fugir, Caterina?
A voz da minha grita em meu subconsciente.
Observo algumas ligações perdidas do piloto da Ferrari na tela principal do celular, estava sem cabeça para responder seu interrogatório típico de irmão mais velho.
Escuto as risadas das meninas vindo do corredor, não demorou muito para elas invadir o meu quarto com sacolas e sorrisos travessos em seus rostos.
— O que? — pergunto, elas riram.
— Hoje é a festa do Paulistão, Cate. — Inês disse, como se fosse a coisa mais óbvio do mundo.
— É você vai, maninha. — Mari disse, parecia mais um pedido com aqueles olhinhos pequenos e meigo.
— Não, eu não conheço ninguém. — digo, negando com a cabeça.
— Precisa sair para conhecer pessoas. — Inês disse, em tom de voz mais firme.
— Odeio vocês. — digo, vencida por elas.
Ambas riram alto e começaram a pular retirando os vestidos das sacolas que tinham comprado no caminho para casa.
{...}
Vinte minutos.
Foram exatamente vinte minutos que me fizeram fugir da festa badalada de uma comemoração de título, não consigo evitar o pensamento de que eu poderia estar comemorando em Monaco também se não tivesse falhado. Então procuro um lugar mais reservado e sem olhares de pena junto com perguntas sobre a lesão ou se eu sentia saudades da minha família.
Odiava rótulos e hoje tudo que parecia que eu era a garotinha lesionada que não via o pai por anos.
Talvez eu seja ela, mas não precisava ser comentado.
— No sabía que el yeso estaba de moda. — a voz masculina misturada com sotaque forte me arrepia por inteira.
— No lo es, falta de educación si. — digo, curta e grossa.
— Desculpe, era só uma brincadeira ruim. — ele disse, misturado português com espanhol.
Desvio meu olhar para dono do sotaque forte, quando os meus olhos caem sobre aquele deslumbre de homem sinto um formigamento na região do meu ventre.
VOCÊ ESTÁ LENDO
THE ARCHER - JOACO PIQUEREZ
RomanceCatarina Gomes Ferreira, promissora jogadora de tênis, é conhecida tanto pelo talento nas quadras quanto por ser filha da socialite mais adorada de Portugal - e do treinador de um renomado time brasileiro. Após uma lesão que a afastou das competiçõe...
