EARLY CALL

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Catarina

— Catarina.

A voz masculina embargada com sotaque forte e sono me assusta no instante que atendo sua décima ligação.

— Boa noite, Leclerc. — digo, sem ânimo.

Me jogo na cama depois de um dia extremamente cansativo.

Para minha felicidade, as sessões de fisioterapia tinham começado na segunda-feira, não tinha muito esforço físico e ainda iria demorar muito para voltar para dentro das quadras, mas era melhor que nada.

Ponto positivo de uma semana agitada em São Paulo, passar os dias com as meninas e minha madrasta, todas as atividades possíveis que estamos fazendo, incluindo cozinhar jantares juntas.

A sensação de segurança nunca esteve tão presente em minha vida.

— Finalmente, estava quase pegando um avião para vê-la. — ele disse, mais dramático do que costume.

— Me desculpem por ter uma vida. — digo, imagino ele revirando seus olhos. — Como está?

— Bem, e você?

— Estou bem. — digo, mordendo os lábios.

— Quem é o rapaz? — ele perguntou, soltando um logo suspiro em seguida.

— Como? — pergunto, franzindo a testa. — Não tem ninguém, seu idiota.

— Nenhum jogador? — ele perguntou, em tom de voz irônico.

— O que você sabe? — pergunto, irritada.

— Você não atende o celular, então tive que perguntar para sua irmã que me respondeu em minutos e assim soube que você estava jantando com um tal de Piquerez.  — ele explicou.

— É um amigo.

— Maldita regra. — ele disse, solto uma risada fraca.

— Por essa regra somos amigos. — digo, em tom de voz firme. — Mesmo que você não faça o meu tipo.

— Você gosta de sotaque, certo? — ele brincou.

— Ele está me ajudando conhecer a cidade, besta. — digo, ele riu.

— Como foi o jantar?

— Não quero falar sobre isso com você. — digo, passo a língua entre meus lábios.

— Foi ruim? — ele insistiu, tipicamente curioso.

— Não, foi bom. — digo, vencida.

— E qual o problema ? — Charles perguntou.

— Porque começamos fazer tudo juntos, são almoços, cafés da tarde, jantares depois dos jogos.

— Nós dois fazemos isso também, Cate. — ele disse, tentando achar uma solução para o meu problema.

— Eu não me sinto atraída por você. — admito.

— Um tiro doeria menos, Catarina. — ele brincou. — Você está atraída por ele?

— É carência, Leclerc. — rebato, ele riu. — Estou sozinha em uma cidade nova e ele é o único homem que conheço.

— Conheça outros homens, simples. — ele disse, em tom de voz óbvio.

— Só tem atletas ao meu redor. — grito, ele gargalhou.

— Você está tecnicamente de férias, então regra poderia estar também. — ele rebateu.

— Não é simples assim, querido. — digo, em tom de voz baixo. — Eu tenho uma razão em ter essa regra.

— Você não vai se tornar sua mãe depois que transar com um jogador. — ele disse, em tom de voz mais sério.

— Acha que é por isso? — pergunto, incrédula.

— Não é? — ele perguntou, respiro fundo.

— Podemos mudar de assunto, por favor. — imploro, exausta para discutir sobre os meus problemas mentais.

Então, ele começou suas reclamações diárias sobre a Ferrari e seus engenheiros.

{...}

Após ficar quase duas horas em ligação com o monegasco, encerramos por conta da grande diferença de fusos.

Finalmente o meu quarto estava começando ter uma vibe mais minha, o meu pai tinha deixado claro que poderia decorar da forma que achasse melhor.

Então hoje comecei a arrumar o meu closet depois de enrolar semanas deixando as roupas nas malas. 

Também tinha aqueles 15% que achava melhor deixar as roupas nas malas caso quisesse correr para casa da minha mãe.

Falando em Maria, estava conversando apenas sobre um assunto que não brigamos: o meu irmãozinho Leo.

Escuto o barulho do meu celular tocando, pego despreocupada que está no chão junto com as roupas espalhadas pelo closet, atendo sem ao menos olhar o nome na tela.

— Olá, moça bonita. — uruguaio disse, em tom de voz mais rouco do que o normal.

— Moça bonita? — pergunto, em tom de voz sedutor propositalmente.

— Não usa esse tom comigo, Catarina. — ele pediu, saiu quase como um sussurro. — Estou numa balada.

— Folga amanhã? — pergunto, fingindo que não sabia que eles estavam de folga depois de ganhar um jogo importante, algo que o meu pai tinha comentado quando chegou em casa.

— Sim, o que está fazendo? — ele perguntou.

— Arrumando o meu closet.

— Vem para cá. — ele pediu, mordo meus lábios para conter o suspiro após escutar o sotaque dele.

— Piquerez.

— Vamos lá, vai ser legal. — ele insistiu.

— Balada no meio da semana? O que vou falar para o meu pai? — pergunto, ele riu.

— Não sei, Cate.  — ele disse, depois de longos minutos.

Primeira vez que ele me chamava de Cate.

— Vamos marcar outro dia, Joaco. — digo, tentando não cair na tentação.

— Não, tem que ser hoje. — ele continuou.

— Está tarde, jogador.

— Queria te ver hoje, cariño. — ele admitiu, suspirando alto. — Estava ansioso achando que estaria no camarote.

— Você nem me convidou, querido. — brinco, ele riu. — Vai aproveitar sua festa, foi um bom jogo.

— Obrigado, Catarina.

— Cuidado, aproveite sua noite. — digo, desligado antes que ele pudesse prologa mais aquela tortura.

Deito minha cabeça no chão no meio daquelas roupas tentando recolocar meus pensamentos.

Eu conheço ele em menos de quinze dias, não tinha nenhuma razão para me sentir atraída por alguém dessa maneira.

Precisava me afastar.

THE ARCHER - JOACO PIQUEREZHistórias para pegar e não largar. Descubra agora