ME AND YOU FOREVER

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       Catarina

Respiro o ar gelado que batia sobre o meu rosto enquanto caminhava sem pressa alguma dentro do estacionamento do hospital. Não tinha motivo para voltar para casa, não queria encarar a realidade e nem os rostos de pena.

Ao chegar no veículo, aperto a chave que estava pendurada na bolsa abrindo o carro e logo entrando dentro. Jogo minha bolsa no banco de trás junto com um casaco pesado por conta do clima de Portugal que me obrigava a vestir. Coloco chave automática na ignição, mas continuo paralisada olhando para espaço completamente vazio, então eu grito alto.

Não tinha mais lágrimas para derramar, mas havia uma voz desesperada dentro de uma menina que estava prestes a perder sua mãe.

{...}

Digito minha senha na porta do apartamento para liberar meu acesso, entrando nele deixou as sacolas do mercado na mesa, tinha passado antes de voltar para cá depois que tive ideia de fazer um jantar mais saboroso para os meus meninos.

Caminho em direção a sala de estar escutando gritinhos animados cada vez mais que me aproximo do cômodo. Assisto quieta a cena do jogador e o meu irmão mais novo jogando fifa, os dois pareciam empolgados pelo barulho e bagunça que faziam que mal notaram minha presença.

— Me diga que está ganhando dele, Leo. — digo, encostado na parede contendo o sorriso dos meus lábios.

Ambos se assustaram, me fazendo rir fraco.

— Tio Piquerez é muito ruim, Cat. — mais novo disse, voltando sua atenção para seu jogo diferente do uruguaio que tinha um olhar preocupado.

— Eu estou deixando você ganhar, cara. — Joaco disse, provocando criança.

Ele manteve seu olhar tentando decifrar minha feição, então abro um sorriso falso em sua direção.

— Vocês comeram algo? — pergunto, indo de encontro ao meu irmão para abraçá-lo por alguma razão era o que eu precisava.

— Tio Piquerez fez um macarrão gostoso. — Leo murmurou, em meus braços.

— Eu te amo, sabia? — pergunto, me afasto um pouco do seu corpo para olhar em seus olhos azuis.

— Sabia. Eu te amo, Kika. — ele disse, agarro seu corpo abraçando fortemente.

— Eu ia até preparar o jantar mas como ninguém me ama, não vou mais. — Piquerez brincou, encarando nós dois com aquele seu olhar típico que me dava quando estava orgulhoso.

— Nem sua irmã? — Leo perguntou, inocente.

— Ela me ama, amiguinho. — ele disse, rindo fraco.

— Ele é dramático, meu leãozinho. — digo, deixando alguns beijinhos pelo seu rosto fazendo pequeno gargalhar. — Vou preparar nosso jantar com tio Piquerez, quer algo?

— A mamãe. — ele pediu, me encarando com aqueles pares de olhos azuis.

— Meu amor, em breve você verá ela. Prometo. — digo, ele assentiu ainda cabisbaixo.

— Depois do jantar podemos jogar dama novamente, que tal? — Piquerez disse, se aproximando de nós dois.

— Pode ser. — mais novo respondeu, sem animação. — Você vai dormir aqui de novo?

O jogador me olhou confuso já que não sabia resposta certa para essa pergunta, ele tinha dormido aqui no quarto de hóspedes depois que liguei no meio da madrugada pedindo sua ajuda.

THE ARCHER - JOACO PIQUEREZHistórias para pegar e não largar. Descubra agora