jovens ampulhetas
Ah, juventude, lençóis emaranhados, louça pendente, uniforme lavado. Ah, juventude que gira como cata vento e aponta os sonhos de uma vida. Rosa dos ventos sem direção. Ampulhetas que sacudimos para terminar, tênis que não amarramos e esperamos não tropeçar. Juventude com amor, juventude com solidão, juventude sem você, sem ninguém. Juventude, não quer terminar, não? Semanas com matemática, fins com aniversários de minha cama. Juventude que me corrói, que tira inocência, ampulheta que não acaba. Inimigos que eram amigos, espelhos amaldiçoados, sentimentos que de meu cadarço não saem. Juventude, me tira essa dor. Juventude com quatro paredes, uma porta, sozinha em um breu juvenil. Coisas na superfície, como óleo por cima de água. Tem celular, tem computador, mas não tem você. Juventude sem memória, sem lembrança, juventude sem história. Relógio sem piedade, praia que tinha de estar tão distante. Juventude sem visitas, juventude esquecida, empoleirada de conversas que nunca me aconteceram, festas de outra vida. Jovens ampulhetas que vivem sem sabor, sem cor, com palavras entaladas. Jovens de outra época, ampulhetas vazias.
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CASTANHO CASTANHOLA
PoesiaTextos sobre amor e juventude. "Castanho da castanha que bate no meu coração que nem castanhola." 🥇 em crônica • 17/09/23 | 2.4 mil livros 🥇 em trechos • 26/09/23 | 820 livros 🥇 em prosa • 27/09/23 | 1.2 mil livros concluido em: 30/09/23.