romantismo geométrico
Quando tu me pediu em namoro, castanho, senti a mesma sensação de quando me mostraram a tabuada na infância e disseram-me: memorize. Seu idioma era quadrilátero, mas eu nada mais que silêncio falava. Tuas bochechas tinham o formato de meus lábios, mesmo sem nunca terem me sentido. A gente tinha forma? Massa em forma vira coração, o problema é quando tira e despedaça tudo. Nem sequer pensastes no rejunte de glacê...
Acho que o que estou tentando contar, castanhola, é que essas suas formas: o triângulo do nariz, as linhas paralelas do cabelo, o trapézio do pescoço e o cilíndro dos dedos me trouxeram a lume e percebi; não tinha estrela nos olhos, apenas esferas. Não entendendo essa física aplicada, esse teu jeito de pagar as contas depois de uma briga. Saímos da frequência, desligamos a vitrola, sem música nas idas para faculdade. Tem muito paralelepípedo pesando o ar entre eu e você, quase não te enxergo. Dói muito quando lembro que você nem tentou me procurar naquele labirinto geométrico, como míope que odeia os próprios óculos.
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CASTANHO CASTANHOLA
ŞiirTextos sobre amor e juventude. "Castanho da castanha que bate no meu coração que nem castanhola." 🥇 em crônica • 17/09/23 | 2.4 mil livros 🥇 em trechos • 26/09/23 | 820 livros 🥇 em prosa • 27/09/23 | 1.2 mil livros concluido em: 30/09/23.