jade a mais poderosa de todas as Bruxas que já existiu no mundo, sendo uma grande assassina, se ver encurralada e com um clã inimigo quase a pegando. Ela não tem outra escolha, a não ser se juntar ao grande herege que irá fazer de tudo para salvá-la...
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olho bem para o Kai sentando a minha frente, sua aparência continua a mesma desde que o conheci. Seu cabelo loiro claro está sedoso e brilhoso, é um contraste enorme com seus olhos que são pretos que nem obsidian. O analiso melhor e vejo que ele está com alguns arranhões espalhados pelo rosto, tenho medo no que o Kai anda se metendo.
estamos em um restaurante no centro da cidade. Escolhi o local que vinha com ele antigamente, é um restaurante relativamente grande, mas é bem aconchegante. O piso escuro dá um ar mais reconfortante ao local, as paredes cheias de quadro retrô são agradáveis.
Mas, por mais que eu acredite que não foi o próprio Kai que mandou as cartas, eu não quero colocar minha família em risco, no momento o Kai está sendo uma ameaça. E por isso decidi vim a esse local, talvez seja tudo um mal entendido e depois podemos rir disso tudo bebendo as nossas bebidas favoritas.
– estava com saudade dos tempos que saiamos assim para bater um papo – olho bem para seu rosto. Ele se remexe inquieto na cadeira, estranho.
– sinto saudades de quando você pedia para eu tirar as cebolas da sua comida, você odiava.
– pois é, e ainda continuo odiando.
o silêncio recai, e é tão estanho. Antigamente era tão fácil conversar e se abrir com ele, hoje em dia parece que tem uma parede invisível entre nós.
– então, como está a sua vida? soube que o Samson faleceu? – bebo um pouco da água que pedi.
– minha vida está normal, a mesma de sempre. Sim, eu soube da morte dele – a todo momento o Kai evita contato visual me fazendo ficar em alerta, ele nunca foi disso.
– você nem ligou para mim, você sabia o quanto ele era importante para mim – abaixo a cabeça rapidamente, faço de tudo para controlar as lágrimas, não vou chorar na frente dele.
– eu ia ligar – passa a mão pelos cabelos, os tirando dos olhos.
– quando? quando você iria ligar? já se passou mais de um mês Kai – minha voz sai bastante forçada.
e novamente o silêncio recai sobre nós, isso está muito estranho. Desconfortável, eu me remexo na cadeira e crio coragem para olhar para o Kai, ele não me olha, seu olha está fixo no prato a sua frente.
– eu só não sabia o que falar naquele momento para você – ele me olha de relance, e eu sinto o quanto ele se arrepende de algo que fez, eu sinto!
– sabe, naquele momento em que perdi o Samson e meu outro amigo estava se recuperando de uma quase morte, eu precisava de alguém. E a primeira pessoa que pensei foi em você, fiquei grudado no celular esperando uma ligação, uma mensagem, mas não chegou nada – faço de todo para não demostrar fraqueza, engolindo o choro preso na garganta continuo a falar – mas uma pessoa me ajudou a se reerguer e foi por causa dela que hoje em dia estou aqui. Ah! eu não te contei a melhor parte – forço uma falsa alegria.
– o quê? o que foi que teve? – agora ele me olha atentamente. Sempre foi fácil ler as expressões do Kai, mas hoje está tão difícil, não saber o que ele está pensando dificulta tudo.
– comecei a receber ameaças logo depois da morte do meu melhor amigo. Na época fiquei paranoico com isso, surtado e pilhado mesmo. E de novo esperei uma ligação sua dizendo que tudo iria ficar bem, mas não recebi, então eu precisei de remédios para poder seguir em frente sem me matar – sorrio debochado.
– você o que? – seus olhos ficam maiores, sua boca se abre em choque – está falando sério?
– sim, eu estou. Mas uma pessoa me tirou dessa, me fez enxergar o mundo de uma nova forma, ela deu cor a minha vida que estava começando a ficar em preto e branco – sorrio verdadeiramente ao lembra da Jade, o jeito que ela fala comigo, seu rosto, sua voz – e quando finalmente fiquei "bem" fisicamente e mentalmente, tive um sonho que estava mais para um pesadelo. E olha que legal, você estava nele.
seus olhos aumentam parecendo que vão sair do seu rosto. Assumindo um semblante assustado, ele me olha esperando a continuação do pesadelo.
– a pessoa que estava me enviado às cartas era você. E você mais do que ninguém sabe que quando sonho, ou a coisa vai acontecer, ou a já aconteceu. Então me fala Kai, foi você? – tenho medo da resposta que vai sair da sua boca, então respiro fundo e me preparo para qualquer coisa.
– eu..Eu – ele limpa a garganta, me dando a confirmação que era ele que estava envido as malditas cartas. Porque se não fosse ele, ele iria negar imediatamente – não fui eu que mandei, eu escrevi sim algumas coisas e depois rasguei. Mas não fui eu que enviei nada.
solto uma risada frustrada, porra! eu considerava tanto ele. Levanto irritado da cadeira, pronto para sair desse lugar.
– pera! me escuta por favor.
– ainda estou aqui, não estou? – falo entre dentes.
– uma pessoa me procurou e me falou o quanto não gostava de você por vários motivos. E na época eu estava bastante chateado com você, então dei ouvidos a essa pessoa que me procurou. Poxa, você nem me falou que tava com a Jade, que conhecia ela – me olha atentamente – você estava distante, só me ligava quando precisava, fiquei com raiva porque pensei que você estava me usando. Então comecei a escrever várias cartas, mas nunca cheguei a te mandar, a pessoa que me procurou que leu o que escrevi e mandou para você. Eu só soube disso tudo depois.
que história mal contada, eu sinceramente não estou acreditando em nada que está saindo da boca dele. Não faz sentindo nenhum.
– depois de alguns dias percebi que estava fazendo uma burrada, você era como um filho para mim, não tinha porque fazer isso com você. Então procurei a pessoa que me procurou e ameacei ela, afirmando que se ela mandasse mais alguma coisa para você eu a mataria com as minhas próprias mãos – sua voz é de desespero – por favor, acredite em mim.
– não tem como acreditar em uma pessoa que fez o que você fez comigo. Sou grato a tudo que você fez por mim, mas no momento estou com raiva e mais do que tudo, magoado com você. Você era a única pessoa que me conhecia por completo desde a infância, era a pessoa que eu mais amava e foi a pessoa que mais me magoou.
me viro e saio o mais rápido possível desse restaurante, o ar está começando a me deixar sufocado. Estava com um fio de esperança que não era ele, esse é o mal de confiar e se entregar para as pessoas, uma hora elas nos decepciona.
e dói, dói muito saber que uma pessoa que eu tanto amava fez isso comigo. Às vezes a falta de diálogo faz com que as pessoas pense demais e ache coisas erradas na onde não tem, e acabam comentando erros, erros esses que são imperdoáveis. Quem comete o erro acha que uma simples desculpa irá resolver tudo, mas infelizmente não resolve, sempre ficamos com um pé atrás.
E é isso que me deixa com raiva, porque nunca será a mesma coisa com o Kai, uma lágrima teimosa escorre pela minha bochecha. Engulo um grito que estava querendo sair de dentro de mim, não posso ficar tão abalado assim.
volto para casa pela floresta, quero chegar o mais rápido possível e me jogar nos braços da minha mulher. Preciso do aconchego dela, preciso desabafar, preciso dos concelhos dela.
e é estranho pensar sobre isso, alguns meses atrás eu mal conseguia falar com ela. E hoje em dia estou correndo para os seus braços para me refugiar e esquecer dos meus problemas de merda.