piscar de olhos

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Exausta. Era assim que Charlotte se sentia; Nawat havia abusado de seu poder e feito Charlotte trabalhar muito mais do que o normal, incluindo ter que buscar café do outro lado do hospital para ele várias vezes.

Ela sabia que isso aconteceria, pois o senhor Nawat não estava lidando muito bem com o fato de ela, ainda não estando formada, pegar um caso tão raro e importante quanto o de Engfa. Engfa era um milagre da medicina e, apesar do pouco tempo que estava acordada, seu nome já se destacava nas principais manchetes por todos o país. Juntamente com seu nome, se destacava o nome de todos os médicos e envolvidos no tratamento, obviamente o sobrenome Austin ficaria dentre o cenário da saúde e, certamente, Nawat gostaria de seu nome estar junto.

Charlotte fez o favor de deixar o homem ainda naquela lista, não por ele obviamente, senão por Engfa, mas o homem não parecia satisfeito com isso, afinal tantos anos de carreira não serviram para tirá-lo do cargo de auxiliar em uma manchete importante, ele se sentia humilhado provavelmente.

A maior tomou um banho

rápido no próprio hospital e se dirigiu ao quarto de Engfa. Ruth a recebeu com a mesma gentileza de sempre e disse que já havia deixado na recepção a autorização para ela passar a noite com Engfa, explicou também que sobre a mesinha havia seu número anotado em um papel. Charlotte anotou em seu celular por garantia, ela era desastrada havia tempo suficiente para saber que um pedaço de papel poderia ser facilmente destruído de várias formas.

Engfa não queria que sua mãe fosse, mas quando Charlotte explicou que a Ruth precisava dormir em uma cama confortável e comer algo saudável, Engfa acabou por concordar com Charlotte.

- Hey, Fah, minha irmã tem  algumas bonecas em minha casa. Ela não mora aqui, mas às vezes vem me visitar. Gostaria que eu trouxesse para brincarmos? - Engfa fez uma careta e negou.

- Eu não gosto de bonecas. - Charlotte riu e assentiu.

- Para ser sincera eu também nunca gostei.
- Engfa assentiu sem sequer olhar para Charlotte. - Ei, o que você tem?

- Nada. - Engfa disse baixando seus olhos para suas mãos.

- E o que está gerando essa carinha triste, então? - Engfa começou a piscar rápido demais para Charlotte considerar algo normal. - Engfa, você está bem? - Os olhos não pararam de piscar, tendo Engfa os pressionando fortemente no momento seguinte e então Charlotte segurou sua mão. - Eu vou chamar um médico, espere.

- Char.. - Engfa disse, segurando sua mão apressadamente, fazendo a maior lhe fitar novamente. - Não!

- Então respire. Tudo bem? Sente alguma dor? Algo fora do comum? - Charlotte perguntou, subindo na cama e embalando Engfa em seus braços. Engfa negou lentamente, começando a parar de piscar tão rápido. Charlotte ficou acariciando suas costas até a garota voltar ao normal.

Desculpe. - Engfa pediu baixinho, afundando seu rosto na curva do pescoço de Charlotte.

- Não tem por que se desculpar, anjinho.
- Charlotte disse calmamente. Eu vou precisar - comunicar o médico sobre isso, de qualquer forma, tudo bem para você?

-Não, por favor. - Engfa pediu, começando um choro baixinho. - Não me deixa sozinha.

- Shhh, tudo bem. Não vou sair do seu lado. Esperarei alguma enfermeira noturna então, mas se algo mais estranho acontecer eu precisarei ir, tudo bem? - Engfa assentiu, virando seu rosto na direção de Charlotte, prestando atenção em cada detalhe.

- Eu não sou normal? - A garota perguntou subitamente, fazendo Charlotte olhar na direção de seu próprio ombro, que era onde o rosto de Engfa estava.

- Por que está me perguntando isso? - Engfa enrubesceu e Charlotte notou os olhos voltarem a piscar muito rápido, deixando a sensação de preocupação inundar seu ser novamente. Charlotte decidiu se virar e apertar o botão ao lado da cama, que era usado somente para urgências. Depois se desculparia por isso, mas precisava de alguém ali.

- O moço da TV falou de vida amorosa, que era normal na minha idade, mas eu.. - Os olhos não paravam de piscar e Charlotte começou a balançar lentamente as duas, como se estivesse ninando a garota. - Eu não sou normal? - A voz saiu baixa e triste.

Charlotte não pôde responder aquela pergunta, pois o quarto foi invadido por toda uma equipe de médicos, com equipamentos prontos para o uso. Charlotte sorriu sem graça e desceu da cama.

- Então, eu precisava de alguém aqui. - Charlotte começou sua explicação envergonhada. - Mas eu não podia sair do quarto então eu.. Oh, céus, sinto muito. - Ela disse enrubescendo. Algumas pessoas reviraram os olhos e saíram, mas um médico ficou.

- Pois não? - Ele perguntou gentilmente.

- Estávamos conversando e, de repente, ela começou a piscar muito rápido e às vezes pressionava os olhos fortemente. Eu fiquei preocupada, isso não é normal. - Charlotte disse.

- Era para tentar parar. - Engfa disse e então o médico se aproximou da cama.

- Tentar para o quê? - O doutor perguntou, acendendo sua pequena lanterna nos olhos da garota. Siga meu dedo com os olhos. - Ele pediu e Engfa o fez.

- De piscar. - Engfa replicou. - Eu apetei os olhos fortemente para tentar parar de piscar.- Sentiu algo? Tontura, dor, mal-estar? Algo diferente?
- Engfa pareceu pensar e logo assentiu.

- As minhas bochechas arderam. - O médico assentiu, olhando para Charlotte.

- Sobre o que falavam?

- Charlotte, não! - Engfa pediu com veemência, enrubescendo; seus olhos começaram a repetir o mesmo de alguns minutos antes ao piscarem rapidamente. Engfa apertou fortemente eles e negou com a cabeça. - Não param! Argh! - Engfa disse.

- Vou levá-la para uma ressonância e precisarei que você toque neste momento o mesmo assunto com ela quando estivermos lá. - Ele disse, fazendo Charlotte assentir.

- Devo ligar para a mãe dela? - Charlotte perguntou aflita, cruzando os braços. O doutor apenas sorriu e negou.

- Se for o que eu estou pensando então não tem com o que se preocupar. - Ele disse calmamente. - Vamos fazer a ressonância, hm? Depois disso o resultado for algo negativo você chama a mãe dela, mas eu acredito que não será necessário. - Charlotte assentiu, vendo o homem acariciar se braço sem malícia, apenas a confortando.

- Ei, princesa.. - Charlotte a chamou assim que o médico saiu, se debruçado sobre a cama.
- Vamos fazer um exame rápido em você, tudo bem? Eu vou estar lá com você.

- Vai doer? - Engfa perguntou assustada.

- Não. O médico só vai tirar uma foto do seu cérebro. - Ela disse sentindo os dedos de Engfa se entrelaçarem nos seus.- Igual o moço da TV? - Perguntou curiosamente e Charlotte negou com a cabeça.

- De jeito nenhum. O moço da TV é um bobo. Não quero que pense que você tem algum problema ou que é anormal, tudo bem?

- Mas eu não sou igual a maioria da minha idade. Eu deveria ser. - Ela disse, sentindo Charlotte acariciar seu rosto.

- Vou contar um segredo. - Ela disse baixinho. - Ninguém é igual ninguém. Não quero que se sinta triste com o que ele disse, tudo bem?

- Você promete que não liga? - Charlotte sorriu e assentiu.

- De dedinho?

- De dedinho. - Charlotte respondeu, entrelaçando seu dedo mindinho com o de Engfa.

- Então eu deixo o médico tirar foto do meu cérebro. - Engfa disse sorrindo, fazendo Charlotte sorrir também, porém internamente ela sentia um medo avassalador. Mesmo com o médico achando não ser algo preocupante, Charlotte só se acalmaria quando soubesse do que se tratava aquele piscar de olhos.

///HOJE EU CAPRICHEI. 😄😉

Em Um piscar de olhosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora