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De todas as coisas que Charlotte já havia feito em sua vida, essa definitivamente era uma das mais corretas, julgada por ela. Seu dedo voltou a pressionar a campainha e no segundo seguinte Ruth abriu a porta.
- Olá! - Ruth recepcionou com um sorriso enorme. - Por favor, entrem. - Ela disse para Charlotte e seus amigos. Todos haviam sido convidados para o Natal, afinal quanto mais gente melhor para Ruth. Este seria o primeiro Natal que passaria em sua casa desde que se acidentaram anos atrás. O primeiro Natal que passaria longe do hospital.
- Eu gostaria de agradecer por ter convidado meu amigos. - Charlotte disse, entrando na casa. Charlotte apresentou Aoom à ru e todos retiraram seus casacos, dando uma boa olhada na casa. Os olhos de Charlotte prenderam em Engfa, mas ela os desviou rapidamente. Primeiro tinha algoa fazer. - Podemos conversar um minuto a sós, Ruth?
- Bem.. - Ruth disse arqueando uma sobrancelha. - Claro, me acompanhe até a cozinha. - Pediu. - Vocês fiquem à vontade. Já voltamos.
Charlotte acompanhou Ruth até o cômodo, sentindo o delicioso cheiro de algumas coisas que já estavam sendo preparadas. A empregada estava cozinhando, porém Charlotte não se importou com sua presença, afinal a mulher usava fones de ouvido e dançava feito uma louca enquanto cortava algumas batatas.
- Pois não? - Ruth perguntou e Charlotte suspirou, vendo a mais velha se debruçar sobre o balcão.
- É sobre Engfa. - Disse, vendo- Ruth piscar ainda calada, esperando por algo a mais.
- O que tem ela? - Perguntou naturalmente.
- Hm, ontem ela.. Digo, isso já veio de antes, desde o assunto das flores. - Ruth franziu o cenho, segurando o riso pelo aparente nervosismo de Charlotte. - A massagem também foi um sinal, mas talvez nem saiba o que esteja passando.
- Compreendo. - Ruth disse, balançando a cabeça, fazendo Charlotte gargalhar no momento seguinte.
- Desculpe. Não falei nada coerente, é que eu estou muito nervosa. - Disse, enxugando o suor das mãos na calça jeans.
- Tudo bem, querida. Não se preocupe. - Ruth disse com gentileza.- Eu não sei bem como isso aconteceu, mas eu gosto da sua filha de um jeito mais intenso do que eu creio que deveria. Eu peço perdão por isso, eu realmente não sei como controlar e eu não quero que a senhora pense que eu estou me aproveitando dela, porque eu não estou.
- Gosta dela romanticamente, você quer dizer
- Ruth perguntou e Charlotte um pouco hesitante assentiu.
- Ontem ela meio que, uhm, me beijou.
- Confessou temerosa. - Não foi um beijão, foi um simples esbarrar de lábios, mas eu definitivamente não queria te esconder isso. Se a senhora achar que eu devo me afastar eu entenderei, apesar de realmente querer ficar por perto.
- Eu já sabia sobre o beijo. - Ruth disse, vendo Charlotte a olhar surpresa. - E não quero que se afaste de Engfa, Charlotte. De onde tirou isso?
- Não sei. Só entendo que ela tem coisas para lidar: A fisioterapia, as aulas, a readaptação com tudo.
- E você faz tudo isso ser mais fácil para ela.
- Ruth disse. - Olhe, criança, se você for paciente e não machucar a minha menina, estou mais do que de acordo com isso. - Confessou.
- Conversei com Engfa ontem, ela está confusa e acha que está brava com ela. - Compartilhou.
- Isso não será fácil, ela ainda é, na maioria das vezes, a Engfa ingênua.
- Eu sei. - Charlotte disse, ligeiramente mais aliviada. - Eu não pretendo apressar as coisas. Eu sequer sei como agir, para ser sincera.
- Confessou envergonhada.
- Que tal agir como sempre, uhm?- Ruth propôs.
- Isso realmente soa agradável para todos.
Após a conversa com Ruth, ambas voltaram à sala. Todos estavam sentados no sofá devorando algumas jujubas que Engfa havia oferecido. Os olhos de Charlotte focaram em Engfa, ela usava um vestido rosa com as bordas pretas rendadas.
- Oi. - Charlotte disse docemente assim que se aproximou de Engfa. A morena estava ao lado da árvore de Natal com Léo sobre as pernas, na cadeira de rodas.
-O Léo sentiu saudades, Char. - Engfa disse, vendo Charlotte sorrir e se abaixar diante dela.
- Só o Léo? - Engfa olhou para os pisca-pisca da árvore de Natal um pouco hesitante.
- A mamãe também. - Charlotte não resistiu em rir.
- Eu também senti saudades deles. - Disse, apesar de ter passado vinte e quatro horas. - E de você mais ainda. - Os olhos castanhos encontraram os esverdeados e Engfa sentiu seu coração saltar em seu peito.
- Você não ficou brava? - Ela perguntou e Charlotte negou com a cabeça.
- Não fiquei. - Confessou. - Acho que te devo um pedido de desculpas.
- Por quê?
- Por ter saído daquele jeito ontem e, provavelmente, ter te deixado confusa. Não foi a minha intenção. - Engfa piscou algumas vezes antes de dizer algo.
- Você caiu na neve? - Charlotte riu e mordeu seu lábio inferior.
- Sim. Disse, vendo os olhos de Engfa percorrerem seu corpo em busca de algum hematoma. - Não se preocupe, a blusa amorteceu a queda.
- Charlotte.. - Engfa chamou com o dedo indicador, fazendo Charlotte se inclinar para que ela pudesse dizer algo em seu ouvido. - Me desculpa?
- Por quê? - Charlotte perguntou confusa.
- Por ontem. - Confessou acariciando o ursinho em seu colo. - Por tudo. Eu não quero que você vá embora porque eu sou uma boba.
- Você não é boba, Engfa. Eu que fui. - Charlotte disse.
- Você não, Char. - Engfa dissencom veemência. - Eu prometo não fazer de novo. - Os olhos de Charlotte foram atraídos pela alta risada de Heitor, que comia um cachorro quente que uma das empregadas estava servindo enquanto conversava com Ruth e seus amigos.
- Eu gostei do que você fez, Engfa. Eu só.. Não estava preparada. - Charlotte informou, vendo Engfa começar a acariciar sua mão, que estava sobre sua perna.
- Não ficou brava mesmo? Jura de dedinho?
- Juro, princesinha, mas me diz, por que fez aquilo? - Engfa pareceu pensar por alguns milésimos de segundos.
- Não sei, parecia certo. - Disse brincando com os dedos da maior. - Eu gostei, mas você foi embora.- Prometo nunca mais ir embora assim, tudo bem? - Charlotte disse, se levantando e deixando um beijo demorado na testa de Engfa.
- Tudo bem. - Disse, tendo o início de um sorriso nascendo em seus lábios. - Char, adivinha quando dedos tem aqui? - Disse, tampando os olhos de Charlotte com uma mão estendendo outra com três dedos esticados.
- Humm, deixa eu ver... cinco. - Charlotte chutou e Engfa retirou sua mão da frente do olho de Charlotte para que ela pudesse ver.
- Errou! - Disse rindo.
- Não errei não. Tem cinco dedos, dois abaixados e três levantados. Você não especificou. - Engfa entortou a boca e franziu o cenho, parecendo verdadeiramente pensativa.
- Tem razão, não valeu! - Disse, repetindo a situação enquanto Charlotte ria. Ah! Como ela adorava estar por perto de Engfa.
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Em Um piscar de olhos
FanfictionEngfa Waraha tinha apenas seis anos quando seus pais decidiram tirar as tão famosas férias em família. Iriam para Los Angeles, porém, o destino lhes foi cruel, causando um choque de um caminhão desgovernado contra o carro onde estavam durante o cami...
