nave espacial

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Naquele momento estavam diante da máquina, Engfa já se encontrava deitada, porém chorava alto, temendo ficar sozinha.

- Fah, eu não posso entrar ali com você, mas ficarei aqui fora te vendo.- Charlotte disse, vendo - Engfa negar com a cabeça.

- Você disse que não sairia do meu lado. - A menina disse chorando e Charlotte suspirou. - Por favor..

- Olha.. - Charlotte disse, levando sua mão ao rosto de Engfa e enxugando delicadamente as lágrimas da região. - Eu não vou sair daqui. Que tal se brincarmos de algo bem legal? - Engfa fungou, cessando o choro para prestar mais atenção em Charlotte.

- Do quê? - Perguntou ainda soltando soluços involuntários.- Vamos imaginar que essa é a sua nave espacial. - Charlotte disse. - Você precisa se deitar aí e ficar quietinha enquanto eu conto uma história. Combinado? - Engfa pensou um pouco e então assentiu, Charlotte sorriu, se inclinando e deixando um beijo no rosto da menina. - Por isso que eu gosto de você, porque sabe se comportar. - Engfa sorriu timidamente e então Charlotte olhou para o médico, acenando a cabeça como confirmação.

No momento seguinte à máquina levou Engfa para dentro e Charlotte respirou fundo.

- Charlotte? Tem uma luz na minha cara. - Engfa disse preocupada, mas se sentiu aliviada quando ouviu a risada de Charlotte.

- Essa aí é a luz da sua nave. - Engfa ouviu Charlotte dizer e sorriu animada. - Fah.. - Charlotte disse olhando para o médico. - O médico me pediu para contar o que você não me deixou falar lá no quarto.

- Char.. Não! - O tom de voz foi preocupado e o médico assentiu. - Por favor, não diz para ele. É um segredo.

- Okay, princesa. Se acalme, tudo bem? - Charlotte disse assim que o médico deu o sinal. - Pode ficar quietinha um segundo para ele tirar uma foto do seu cérebro?

- E a história? - Charlotte sorriu e ignorou o fato de o médico estar ouvindo-a.

- Era uma vez, uma garota que não vivia em nossa galáxia. Ela se chamava Engfa..

- Igual eu?

- Sim, meu anjo, mas preciso que fique quietinha sem falar. Pode só me ouvir? - Pediu com doçura na voz, vendo o médico assentir em positivo para ela.

- Sim. - Engfa disse e então Charlotte continuou.

- Ela andava em sua nave pelo espaço em missão, mas aí uma estrela gigante, chamada Betelgeuse, atrapalhou seu caminho, a jogando em um planeta muito longe do dela. Lá ela encontrou amigos e uma garota muito disposta a ajudá-la..

Engfa ouvia toda a história atentamente e nem percebeu que seu corpo já estava diante do de Charlotte novamente.

- Eu disse que não doeria viu? - Charlotte disse, vendo Engfa assentir e esticar os braços pedindo um abraço. Charlotte se debruçou sobre ela, sem colocar demasiada força sobre seu corpo, e sentiu os braços morenos rodearem seu pescoço.

- Char, e no final a Engfa fica com a Charlotte? - Charlotte riu, percebendo o quão ingênua Engfa era.

- Sim, Fah. Elas ficaram juntas. - Disse, se afastando do abraço.

- Mesmo a Engfa sendo de outra planeta e diferente? - Perguntou vendo o enfermeiro pegá-la no colo e a colocar na cadeira de rodas, visto que ela ainda precisava da fisioterapia para conseguir andar sem problemas. Seus braços também estavam fracos, porém, estavam muito mais fortes do que as pernas.

- Sim. Mesmo a Engfa sendo de outro planeta.
- Ela disse quando começou a empurrar a cadeira pelos corredores do hospital, levando Engfa de volta para seu quarto. - A Charlotte era concentrada demais no trabalho dela, nas estrelas, em seus equipamentos.. - Charlotte disse, tendo Engfa totalmente antenada em suas palavras. - Acho que justamente por Engfa ser diferente que chamou a atenção dela. Não era qualquer pessoa que a faria ter interesse daquela forma.

- A Engfa deve ter ficado muito feliz da Charlotte ter ficado com ela. - Disse, vendo Engfa virar o corpo para trás e lhe fitar.

- Você vai embora? - Charlotte franziu o cenho.

- Como?

- Você vai ir embora da minha vida ou vai fazer igual a Charlotte e ficar? - Charlotte parou a cadeira e andou até a frente de Engfa, se ajoelhando na frente dela.

- Eu vou fazer igual a Charlotte e ficar. - Ela disse, segurando as mãos da garota. - Porque assim como a Charlotte dessa história, eu também tenho a minha Engfa para cuidar. - Charlotte não podia explicar a intensidade do sorriso que rasgou o rosto de Engfa.

A maior suspirou bobamente e lembrou a si mentalmente que Engfa era apenas uma criança em um corpo de adulto, não teriam uma história de amor igual em contos, mas sua vontade de cuidar de Engfa não iria embora por isso, pelo contrário, só queria cuidar dela cada vez mais.

- Char?

- Sim?- Eu vou crescer. - Engfa disse sorrindo. - Você ainda vai cuidar de mim quando a minha mente ficar grande? - Charlotte riu e assentiu.

- Vou, meu amor, mas não quero que se desespere para crescer. Viva um dia de cada vez. - Ela disse e Engfa assentiu.

- Posso te contar um segredo? - Engfa perguntou assim que Charlotte se levantou e voltou a empurrar sua cadeira.

- Diz.

- Eu.. - Seu tom de voz preocupou consideravelmente Charlotte, que voltou a parar e a se abaixar na frente de Engfa. A menina estava corada e piscando sem parar.

- Ei, você está bem? - Charlotte - perguntou, vendo Engfa pressionar os olhos fortemente e asentir. - O que queria me dizer?

- Eu quero fazer cocô. - Sussurrou de cabeça baixa, fazendo Charlotte suspirar vendo os olhos voltando ao normal. (N/A: Foi bem aqui que eu morri kakakkakakkakaka)

- E como eu posso te ajudar? - Charlotte perguntou confusa.

- As minhas pernas não tem muita força. - Disse sem jeito. - Poderia me colocar lá? - A maior assentiu, levando Engfa até o banheiro de seu quarto.- Consegue se segurar sozinha?
- Charlotte perguntou, sabendo que Engfa não tinha muita força nos braços ainda.

- Sim. - Engfa disse, voltando  a piscar muito rápido. Charlotte assentiu e deixou o banheiro sem jamais olhar para Engfa de cintura para baixo.

Agora ela só precisa esperar o doutor chegar para ela finalmente descobrir o porquê de Engfa piscar daquele jeito.

Em Um piscar de olhosOnde histórias criam vida. Descubra agora