Capitulo 5

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Angelina

Eu só gostaria de acordar, e ver que tudo isso não passou de um grande pesadelo. Só gostaria de poder voltar ao passado, para evitar que meu pai entrasse naquele maldito helicóptero. Se eu tivesse evitado, tenho certeza que nós não estaríamos passando por isso. Vejo minha mãe botar para fora através de suas lágrimas, toda a sua tristeza, angústia, e sofrendo. Eu só gostaria de poder fazer alguma coisa para evitar todo o seu sofrimento.

— Muito obrigada por ter nos aceitado em sua casa. Se não fosse por você,não sei o que seria da gente — minha mãe agradece enquanto enchuga as suas lágrimas.

— Você sabe que não precisa agradecer minha filha. Essa casa é mais sua do que minha. —ela diz toda carinhosa.— Se não fosse por você, eu não teria esse teto para morar — diz sorrindo enquanto acaricia o cabelo de minha mãe. — E essa moça? provavelmente deve ser a pequena angelina. — diz enquanto olha para mim

— Sim, tia. — Minha mãe confirma e dá um leve sorriso — Filha, essa é a tia Antônia, a mulher que me criou depois da morte da sua avó. — tento dar um sorriso em forma de agradecimento mesmo com toda tristeza.

— Se aproxime querida, deixo vê-la como cresceu — vou até ela um pouco sem jeito, e sento ao seu lado. — Como você está linda, minha querida. Da última vez em que lhe vi ainda era um bebê. — ela sorriso enquanto me olha. — Fique a vontade, essa casa é mais sua do que minha, e a partir de hoje, você pode me chamar de vó Antônia, tudo bem?

— Sim — a respondo um pouco sem jeito

— Deixo apresentar para vocês, essa é minha neta Flávia. Que irá ajudar vocês no que precisar. — Apresenta a moça que nós recepcionou.

— Vovó me contou o que aconteceu, eu sinto muito. O que vocês precisarem podem contar comigo — Ela diz toda simpática.

— Muito obrigada. —Minha mãe agradece e sorrir

— Sei o quanto você devem estarem cansadas e precisam descansar. Então já deixei tudo pronto. — ela diz enquanto se levanta — Você minha pequena Angelina irá ficar no mesmo quarto que a Flávia, ela vai lhe mostrar onde fica. E você, minha filha, vem comigo. — fala para a minha mãe

— Vem, vou lhe mostrar onde fica o quarto. — com a ajuda de flavia a sigo em direção a um pequeno corredor, passo por uma pequena porta onde provavelmente é o banheiro, e logo entramos em outra. — Esse aqui é o nosso quarto. Imagino que não deve ser nada comparado ao seu, mas é bastante confortável. — com algumas malas em mãos, entro no pequeno quarto. Vejo duas camas de solteiros pertos da janela, e uma pequena porta no canto onde provavelmente é o banheiro. Percebo o quanto ele é pequeno comparada ao meu antigo, mas é confortável, como flavia havia dito

— Muito obrigada — Agradeço sem jeito

— De nada. Imagino que você tinha um quarto só para você, mas fique a vontade. Durante a noite eu não fico aqui.

— Não? Por que?

— Porque eu trabalho durante a noite — ela diz enquanto começa a tirar a sua roupa

— Você trabalha em que? —pergunto e vejo a sua expressão mudar

— Trabalho como recepcionista em eventos noturno. — diz sem me olhar e tira sua roupa, ficando apenas de sutiã e calcinha, fazendo eu admirar o seu belo corpo. Ela vai em direção a porta onde é o banheiro, e entra, me deixando sozinha.

Apesar de estar presente fisicamente neste quarto, sinto como se tudo o que estou vivenciando não fosse real. Aproximo-me da janela e observo a movimentada rua. Como será minha vida daqui para frente? Como enfrentarei essa intensa dor que machuca meu coração? Será que um dia me acostumarei com a falta de meu pai? Ou me adaptarei à minha nova realidade? Sinto medo por não conhecer o que o destino me reserva, mas preciso ser forte pela única pessoa que me resta, minha mãe. Aos poucos, começo a arrumar algumas peças de roupa no espaço do armário que flavia deixou para mim. Porém, são tantas roupas que tenho a certeza de que não irão caber. Observo flavia sair do banheiro, envolta em um grande casaco que vai até seus joelhos, deixando à mostra apenas o sapato de salto.

— Impossível sair sem esse casaco, está muito frio do lado de fora. — ela diz após perceber eu ficar olhando

— Verdade, precisa se aquecer para não adoecer. — falo tentando ser mais amigável e simpática possível.

— Bom, eu vou indo. Nos encontramos amanhã de manhã, bom descanso.

— Obrigada, e bom trabalho — vejo Flávia sair e fechar a porta do quarto.

Termino de desfazer a primeira mala, e resolvo deixar o resto para amanhã, já que hoje não me sinto com nem uma disposição para continuar. Pego meu roupão, que estava sobre a cama, e decido tomar um banho para tentar me acalmar um pouco. Desde que minha mãe e eu tivemos que sair de casa às pressas para vendê-la, ainda não tive coragem de contar a ninguém. Sei que tenho muitos amigos em quem posso confiar, mas no momento não me sinto à vontade para isso. Preciso de um tempo para refletir e acalmar minha mente, que está um turbilhão. Entro no banheiro e percebo o quanto ele é pequeno, ligo o chuveiro, e deixo a água morna cair sobre o meu corpo, fazendo algumas lágrimas se misturar com ela.

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