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Ela estava cansada. Era a palavra exata para lhe definir naquele relacionamento de dois anos, por mais que soubesse que combinava perfeitamente com ele. Não estava suportando mais conviver, beijar ou tocar aquele corpo. O que um dia existiu - aquele amor - acabou antes de perceber. Enquanto engolia o conteúdo daquele copo estava mais impulsionada a dar um fim naquela merda toda. Mesmo a agitação do lugar não a impedia de questionar onde tinha enfiado toda a admiração que um dia sentiu? Aquilo estava mais chato que o normal, sempre foi moldada por adrenalinas e aquela sensação de viver a vida no último limite. Não era atoa que vivia aquele ano - 1980 - como se fosse o último.
Irônico como foi acabar: Desgastada de um relacionamento, trabalhando em uma bilheteria de cinema, ainda morando com a mãe drogada e tendo que passar o seu aniversário de vinte e cinco anos com um copo de tequila em mãos enquanto assistia o seu tão adorável namorado apostar alto. Deveria avisar que ele não tinha mais dinheiro para isso? Ou que o seu irmão havia ido parar na cadeia por apostar demais e não pagar suas dívidas?
Decidiu que não iria falar nada. Assim como também não respondeu as últimas cartas de seu pai questionando se estava pronta para abandonar sua mãe naquela casa e ir viver com ele do outro lado da cidade. Com a proposta de tentar uma vida nova, sabia perfeitamente que seu pai caiu fora daquela vida assim que percebeu que a mulher no qual estava morando junto há anos não iria vencer o vício contra a heroína. Xingando a justiça por não concedê-lhe a guarda da criança de dez anos, teve que acabar tentando suprir sua falta o máximo que conseguiu naqueles últimos anos. Especificamente seu pai foi o único que não lhe decepcionou e não tinha uma certa raiva.
Não aquela raiva que sentia agora da garota cuja o nome levava como melhor amiga. Sentada no colo daquele que um dia já rolou por seus lençóis na época na adolescência e que foi o primeiro que se apaixonou, poderia até levar aquilo numa boa se a cretina não tivesse compartilhado a cama com ela na mesma época. Por mais que tenha passado oito anos ainda sentia o gosto na boca de pura mágoa e engolia junto com a tequila a falsidade que flutuava dentro do seu ser. Foi idiota o bastante para acreditar naquelas palavras ditas de um homem que se portou como um grande Bad Boy, ironicamente ele parecia mais um gatinho medroso, então deixou que a serpente o enrola-se até dar-lhe o bote.
Encostada na grade observou ao longe todo o cenário que estava acostumada a presenciar, os jovens enlouquecidos ainda não começaram a lhe esmagar, faltava alguns minutos. Assim como esperavam apenas o último competidor chegar, àquele que nos últimos meses tomou a atenção toda para si, ganhando de lavada todas as apostas contra o seu adorável namorado. A única coisa que sabia sobre o garoto novo da cidade era o seu nome.
— Espero que o Ron consiga ganhar dessa vez. — revirou os olhos ao escutar a voz da garota mais irritante que conhecia e não fazia questão de esconder seu desprezo. Lilá Brown era uma completa vadia. E não citava a sua forma de se vestir, pois se igualava a ela nessa questão.