O que faltava

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Era o primeiro dia oficial de Shinso. Então Momo decidiu dar as boas vindas.

Havia canequinhas, pratos e talheres de plástico em uma mesa.
Sato preparava comidas com massinha e Momo montava a mesa.

Quando o garoto entrou em seu campo de visão, ela o chamou.
- Shinso! Vem cá! Vamos brincar de restaurante!

Ele deu um pulinho de susto antes de se aproximar deles.
- Ta bom, mas eu quero fazer as comidas também.
Ele súplica enquanto se senta.
- Sim, sim, eu vou sou o chefe e vocês os cozinheiros.
Alega Momo.

- Mas e os clientes?
Pergunta Sato.
- Podem ser os brinquedos.
Ela coloca uma pelúcia de coelho na cadeira, de frente para um prato.

- Não, espera! E se você for uma cliente exigente? Que fica pedindo pratos estranhos?
Diz Shinso. Eles se olharam e concordaram com a ideia.

Agora como cliente, Momo limpa a garganta antes de fazer um voz muito irritada.
- Oooooode está o garçooooom!?

Shinso vai em sua direção.
- Olá senhora, estou aqui.

- Muito bem...
Ela segura uma folha de papel fingindo ser um cardápio.

- Eu quero um filé mignon quase mal passado, e eu digo, quase! - Shinso fingia anotar o pedido em sua mão, com uma caneta imaginaria - Quero exatas 12 batatas fritas do mesmo tamanho, e sem ketchup! - Ele ri enquanto vira a página de seu caderninho imaginário - E uma pizza de chocolate. Tudo deve estar no mesmo prato, mas nenhuma, e eu digo, nenhuma comida pode tocar outra comida. - Ela cruza os braços de maneira dramática - Fui clara!?

Shinso solta uma risada e faz uma reverência.
- Sim! Sim! Foi clara sim.

Ele se dirige a Sato.
- Precisamos de filé mignon, pizza e... batas fritas.

Ao preparar o prato de massinha, Shinso e Sato entregam a Momo.

- Mas o que é isso!? Estás batatas estão totalmente diferentes! Está pizza não é de chocolate! E meu filé está cru!
Ela exclamava dramaticamente dentro do personagem.

- Sabe senhora, a vida é complicada - Sato coloca seu punho no peito - não se pode viver para agradar os outros...

- Pois é... nosso restaurante está passando por um momento difícil - Shinso olha tristemente para o chão - não temos uma grelha, ou chocolate, ou... batatas iguais...

- Oh não... - Momo põe a mão na boca - como pude ser tão ingrata! Como posso me desculpar?

Sato põe uma mão na cintura e levanta a outra, apontando um dedo para cima.
- Beeeeeeem... Podemos tomar chá na sua mansão?

Saindo da brincadeira ela pergunta.
- Querem que seja uma festa do chá agora?
Ambos assentem.
- Ora, porque não~?
Momo volta ao personagem.

Agora estavam todos sentados na mesa, cada um com sua própria xícara, pires e talher de brinquedo.

Servindo chá no bule imaginário, Momo puxa assunto.
- Então Shinso, já sabe qual é o seu dom?

Ele fingi tomar um gole de chá, levantando seu mindinho antes de responder.
- Não, mas todo mundo já tem dom nessa sala?

- Não, Aoyama e Midoriya ainda não tem os seus. E eu e Yaoyorozu ainda não sabemos usar os nossos.
Responde Sato.

- Não sabem usar? Como assim?
- Nós fomos no médico, sabemos o que temos, mas nunca conseguimos usar! Tipo, tem algo que falta sabe?
Explica Momo da melhor maneira que pode.

- Não, não entendi.
Retruca Shinso.

- Olha, eu poderia criar qualquer coisa que quisesse, mas eu tenho que saber do que as coisas são feitas. Isso nem faz sentido, já me falaram um milhão de vezes que água é "H2O". O que isso significa?? Água é feita de água, ué!
Momo parece se estressar só de pensar nessa lógica "falha".

- Ah, bem... "O" é de oxigênio, eu acho... água tem isso nela, é assim que os peixes respiram.
Explica Shinso.

- Sério!? Peixes respiram?
Sato exclama em choque.

- Espera... Se água tem oxigênio, então o "H2" é o que podemos ver? Porque não dá pra nadar em oxigênio.

Shinso da de ombros e se encolhe com vergonha de estar errado.
- Não sei, talvez.

- Bem... - Momo estica seu braço fingindo segurar um bule novamente, e servir Sato. - H2, água. O, oxigênio.
Ela diz não esperando muito resultado.

Até um fio de água milagrosamente sair de seu dedo e despejar dentro da xícara.

O garoto se levanta em choque, Shinso não sabe se sente mais orgulho de si ou da amiga.
Os três gritam e exclamam, chamam os professores, e mostram na sua frente o que a garota conseguia fazer.

Aplausos e comemorações vieram de seus amigos, finalmente podendo ver o dom que ela sempre aclamava ter.

Ela corre para Shinso e da um abraço apertado nele, o tirando do chão.
- Obrigada, Shinso! Era isso que faltava!

Ele não poderia se sentir mais feliz. As crianças gostavam dele de verdade. Não eram legais com ele por medo, e sim por admiração. Que incrível! Que sensação boa...

Oh não.

Monoma.

Ele sabe de algo. O que ele sabe? Ele contaria? Acreditariam nele?

Não. Oh não, não, não...

Ele não pode deixar que ninguém tire essa felicidade dele. Já fazia tempo que ele não tinha amigos.

Será que ele contou pra alguém? Será que minha vida vai ser assim pra sempre? Mentir, se esconder e fugir?
Era os pensamentos na cabeça de Shinso.

Eu preciso saber... preciso saber se ele sabe que posso controlar mentes. Preciso saber se ele pode guardar segredo.

Momo libera Shinso do abraço e vai em direção as outras crianças.

Todos parecem tão felizes.
Ele também estava feliz.

Era isso que faltava.

Essa sensação boa...

Será que duraria para sempre?

*

Sato e Momo

Ps: A lógica da formação química da água que as crianças discutem está incompleta e meio errada, mas não acho que uma criança de 5 anos vá saber o que é nitrogênio ou ligações moleculares :P

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Ps: A lógica da formação química da água que as crianças discutem está incompleta e meio errada, mas não acho que uma criança de 5 anos vá saber o que é nitrogênio ou ligações moleculares :P

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