Peso na consciência (V)

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Aizawa estava contando as crianças pela quarta vez, e estava pensando em fazer uma terceira chamada.

- Sensei, acho que todos estão aqui...
Disse Burnin sentada em uma cadeira.

- Nunca se sabe... talvez teremos que fazer uma chamada no meio do caminho, e na chegada e...

- Shota. Já deu. Vamos embora.
O professor loiro só queria ir embora.

Desta vez Aizawa andou atrás das crianças (discretamente as contando) junto de Yamada. Hawks, Mirko e Burnin foram na frente.

O caminho foi em silêncio. As crianças já estavam cansadas e ofegantes, e o clima estava pesado, nem mesmo Mic não falou nada.

Em algum momento as pernas de Izuku desistiram e, apenas aceitando, ele deitou de cara no chão. Até Shoji pega-lo, o carregando.

Na escola, já haviam alguns pais esperando para buscarem os filhos, como os de Koda e Jiro. Mas muitos ainda tinham que chegar.

Esperando junto das crianças, Hawks assistia pais pegando seus filhos sonolentos no colo, ou perguntando do passeio.

Assisto-lós voltar para suas famílias depois de um dia cansativo foi... surpreendentemente deprimente para ele.

O garoto já tinha aceitado a muito tempo que nunca poderia ser infantil, mas mesmo assim teve vontade de chorar feito uma criança quando Aizawa brigou com ele, o chamando de... bem, criança.

Antes que continuasse nessa linha de raciocínio, ele percebe Mirko sentando ao seu lado.

- Da pra acreditar naquele cara? - ele começa irritado. - falando que eu posso me matar se eu fosse descuidado. Como se eu já não tivesse sido treinado pra cuidar disso.

- Hawks. - ela diz relutante. - Acho que ele tem um ponto.

- O que?

- Acho que ele tem um ponto.

Ele levanta a cabeça, finalmente a olhando.

- O que quer dizer com isso?

- Acho que você não devia lidar com criminosos.
Ela o olha de volta com o olhar firme, mesmo que suas palavras fossem trêmulas.

- Acha que eu não sou capaz?

- Você não tá entendendo. Eu acho que esse programa do governo não deveria existir.

Ele suspira, e olha de volta para as famílias.

- Qual foi a última vez que você foi pra sua casa?

Houve um silêncio. Ela não sabia se devia responder.

- Escuta, - ele começa - eu sou bom nisso, eu gosto de fazer isso e eu quero ser um herói. Eu já não pude ir a escola, ou ter uma família normal, ou uma infância. E você acha que que a única coisa que eu mais quero na vida também tem que ser tirada de mim?

- Eu... nunca tinha pensado por esse lado.

- Eu sei. Ninguém nunca pensa.

Os últimos pais finalmente chegam, e, após conversar um pouco com os professores, já estão indo embora.

Hawks se levanta.

- Eu não estou bravo com você. De verdade. - ele corta sua frase, como se fosse dizer algo a mais, mas desistiu na hora. - Eu tenho que ir, a academia tem toque de recolher.

- Tudo bem, tchau.

- Tchau.

*

Hawks e Mirko

Hawks e Mirko

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