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- Qual vai ser a primeira coisa que você vai fazer sendo maior de idade agora? - pergunto encarando ele com um sorriso de canto. Ele dá mais uma mordida na maçã antes de responder.

- Eu não sei, eu quero me divertir. Acho que só jogar video-game no seu quarto é suficiente, pode ser? - Ele pergunta dando mais uma mordida na maçã.

- Claro, podemos jogar sim. Mas você não acha que seria mais interessante se nós sairmos pra almoçar ou algo assim? Afinal, é uma data importante. É seu aniversário. - pergunto virando a cabeça pro lado, com um sorriso tímido no rosto.
Ele balança a cabeça em negação.

- Eu quero passar o tempo com você na sua casa. Na rua a gente não tem privacidade. Ele pode muito bem ter contratado agentes pra nos vigiar. - ele afirma olhando pra mesa, com as sobrancelhas um pouco franzidas.

- Tudo bem, acho que você está certo. Podemos jogar até o almoço ficar pronto. Mas você não pode ficar se escondendo igual um rato pra sempre, você pretende viver até quando dessa maneira? ao mesmo tempo que eu acho que você deveria acabar logo com essa relação, eu também acho que você deve viver aqui, comigo, onde eu sei que consigo te proteger.

O albino dá mais uma mordida na maçã antes de me encarar com seus grandes olhos inocentes e cansados.
Ela dá um pequeno sorriso de canto enquanto mastiga, bobo, mas o suficiente pra me fazer corar sem nem perceber.

- É bom saber que ainda existem pessoas querendo nosso bem, né? - Ele volta á olhar para mesa, ainda com um pequeno sorriso nos lábios rosados.

Palavras me faltam pra conseguir responder algo fofo para ele, mas eu gostaria de ter conseguido falar algo como ; " Eu não quero que você olhe pra mesa, quero que você olhe pra mim."

...

- Você é muito ruim nesse jogo. - Digo dando uma pequena risada enquanto aparece uma tela de game over.

- Bem que você podia me ensinar a jogar melhor alguma hora, né? - o moreno questiona colocando o controle na estante, pausando o jogo.

- De jeito nenhum, eu sempre vou ser melhor que você. - um pequeno sorriso surge em meu rosto. Largo o controle na estante. Me deito em sua cama, fechando os olhos, dando um longo suspiro enquanto me espreguiço.
O ar aqui parece mais puro, mais leve, eu não me sinto preso, eu não me sinto mais tão "impuro", eu não pareço mais estar tão errado em ter passado por coisas que não foram minha culpa.
Sinto sua presença se aproximar de mim. Um toque acalorado em minha bochecha, uma sensação parecida com um pequeno choque em meu rosto. Abro os olhos por tal ação.

Vejo aqueles belos olhos, olhando fixamente pra mim. Um pequeno sorriso em seus lábios rosados.

- Zoldyck...uhm, você... se parece bastante com seu pai. - ele diz com uma expressão serena em seu rosto. Como se não soubesse a gravidade do que acabou de falar.

Meu coração parece errar as batidas por um momento, me levanto da cama em uma fração de segundos.

- Oque...? - olho fixamente pra ele, com os olhos arregalados, tentando manter a calma - como você sabe como meu pai se parece? - Digo em um tom baixo, colocando uma das minhas mãos na lateral da minha cabeça, tentando não ficar tão nervoso.

- Sua família não eram aqueles...- ele parece relutante em continuar. - assasinos que apareciam no jornal há alguns anos ? a tia Mito sempre me dizia pra tomar cuidado com eles. Eu juro que eu tentei não tocar nesse assunto por um bom tempo... mas eu to muito curioso em escutar mais sobre sua história, Killu. - afirma o garoto, curioso.

Alguns segundos se tornam presentes, preciso digerir todas essas palavras e informação antes de falar qualquer coisa.

- Me desculpa falar isso assim do nada, mas eu nunca mais ouvi falar sobre eles, a Mito sempre vinha correndo ate mim contar alguma novidade sobre os Zoldycks que ela via no jornal, que por sinal, eram poucas. Já que eles tinham uma vida bem privada. Alguns anos pra cá ela nunca mais disse nada sobre eles. Eu que não ia perguntar nada sobre.

O Sangue de Azar (Killugon)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora