XVI

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Caminho em passos lentos, atravessando a ponte. Eu sou cansado, eu preciso dormir.

Vou em rumo para casa com passos arrastados, mesmo sabendo que eu terei que ver meu irmão, eu preciso descansar, faz algumas noites que eu não durmo.
Não tenho mais forças, não consigo chorar, não consigo gritar, não consigo.

Depois de alguns minutos que pareciam horas, finalmente chego em casa. Destranco a porta e abro a mesma. E pra piorar minha situação, o Illumi está lá, sentado no sofá mexendo no celular com um cigarro na boca. Ele fuma mais uma vez antes de tirá-lo da boca para me falar algo.

- Eu estáva com saudades. - ele exclama. Olhando em meus olhos.

- Eu preciso dormir - digo subindo as escadas, sem nem conseguir escutar o que ele está dizendo.

- Tenha uma boa noite, Kill.

Suas palavras parecem se embaralhar em minha cabeça, quando eu me deixei ficar tão vulnerável? ele poderia fazer o que bem quisesse comigo agora, eu não teria nem forças pra reagir ou impedir algo. Não posso mais deixar eu ficar no meu limite pra tomar uma mísera atitude.

Tomo um banho rápido e visto um pijama de botões que eu encontrei no guarda-roupa. Me jogo na cama e me cubro com uma coberta quente, desejando apenas um pouco de descanso.

14:50pm
Quebra de tempo.

Percebo minha coberta sendo puxada e minha janela ser aberta agressivamente. Me viro para o outro lado da cama, deve ser apenas o Illumi me encomodando.

Algo me empurra pro lado oposto, me fazendo ficar deitado de barriga pra cima. Sinto mãos passearem pelo meu corpo, eu devo estar tendo um pesadelo com isso de novo. Eu deveria tentar dormir novamente.

Murmuros tomam conta do local, me fazendo perder o sono. Não consigo abrir meus olhos, eles parecem estar pesados pelo cansaço.

Antes que eu pudesse tomar uma atitude, sinto minhas coxas serem agarradas e minhas pernas serem abridas á força. Um dor agúda toma conta do meu corpo ao sentir algo viscoso entrar dentro de mim.
Um grito de dor sai da minha boca de uma forma desesperadora.

- Que porra é essa? - Pergunto ao ver vários homens e algumas mulheres no meu quarto, não consigo contar quantos.
Me arrasto pro canto da cama com lágrimas escorrendo pelo o meu rosto. Todos eles estão olhando pra mim com sorrisos em seus rostos, eles estão falando algo pra mim, não consigo escutar.
Minha visão fica embaçada, e a primeira e última coisa que eu consigo escutar, é a voz do Illumi.

- Me desculpe, eu precisava do dinheiro. Seja um bom garoto e não me dê mais problemas. - Ouço sua voz em um tom de repreensão, seguido de um estrondo na porta.

Escuto risadas de satisfação no cômodo, como se tivessem ganhado na loteria ou algo assim. Fecho meus olhos e me encolho no canto da cama, sabendo que irão tirar toda a dignidade que ainda me resta.

18:00pm

Me usaram e me descartaram como se eu não fosse nada. Todo meu corpo dói, principalmente minha alma.

Gritos podiam ser escutados do lado de fora do quarto. Eles me agarravam com força, puxavam meu cabelo e me torturavam. Fazendo o que bem entendessem comigo sem meu consentimento.
Por que eu fui o escolhido pra sofrer isso? parece que o azar está penetrado em meu sangue e alma. Eu não tenho escolha, não tenho opção.

Não tenho forças pra levantar, não consigo ir tomar banho, não consigo me vestir. Só consigo chorar e pensar que, se o Gon estivesse aqui, ele teria impedido isso, ele teria me protegido como se eu fosse alguém importante.

Eu preciso vê-lo, mesmo que eu tenha que me sacrificar pra isso. Me arrasto pela cama até chegar na estante e pegar meu celular, mil agúlhas parecem perfurar meu estômago quando eu me mexo.

Ligo o telefone e escrevo uma mensagem pra ele antes de desmaiar de dor.

"Gon, me tire dessa bagunça, porfavor."

18:06pm

Ouço soluços antes de conseguir abrir meus olhos. Me vejo na banheira da minha suíte com o Gon esfregando meu cabelo com lágrimas escorrendo pelo seu rosto bronzeado.

- Oi Gon, que saudades. O que tá fazendo? - pergunto com a voz rouca e um sorriso no rosto. Passando meu polegar em seu rosto, secando suas lágrimas.

- Killua! me desculpa, eu tive que dar banho em você, me desculpa mesmo. - ele diz preocupado, tirando as mãos do meu cabelo. - Por favor, me diga o que aconteceu. Eu quero saber de tudo.

- Espera, como você entrou aqui? não tem ninguém em casa?

- Quando eu entrei não tinha ninguém, eu acho.

- Acha? - pergunto preocupado.

- Não sei, entrei correndo pra cuidar de você. - Ele afirma olhando pra baixo. - Eu não deveria ter deixado você vir pra sua casa, eu sabia que você tinha algum problema em casa, mas não sabia que era tão grave. Por favor, aceite minhas desculpas. Eu deveria ter sido mais cuidadoso.

- Tá tudo bem Gon, a culpa foi minha de não ter falado nada sobre esse assunto, eu não deveria ter adiado tanto isso. - Falo me apoiando na borda da banheira. - Se eu tivesse falado sobre isso antes, talvez isso não tivesse acontecido.

- E afinal, o que aconteceu exatamente? poderia me contar?

- Eu acho que chegou de contar, não posso mais adiar isso.

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O Sangue de Azar (Killugon)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora