Escuto o som da porta de ferro pesada sendo arrastada atrás de mim, em seguida o estrondo dela se chocando contra o suporte da parede, e por fim, o estalo da fechadura eletrônica, sendo reforçada pelo tilintar das chaves que a trancam.
— Bem vindo ao seu novo lar, bonitinho! — O guarda da duas batidinhas na porta da cela e se retira.
Permaneço parado, no mesmo lugar, no centro da cela, encarando o chão. Estou vestindo um conjunto de calça e camisa, larga, feia e cinza, meias pretas, um par de sapatos pretos e sem cadarço numa mão, e na outra, uma sacola de pano com uma escova de dentes, desodorante, toalha, e mais um conjunto cinza com uma jaqueta, também cinza.
Dez anos...
A última vez que olhei para um relógio foi quando entrei na cadeia; havia um na parede da entrada marcando 9 horas e 22 minutos da noite. Em quanto tempo uma pessoa começa a perder a noção do tempo dentro de um presídio? E a sanidade?
Não, eu não vou surtar.
O advogado disse que eu dei sorte porque o cara não morreu. Se eu tiver um bom comportamento minha pena pode ser reduzida pela metade.
Eu consigo fazer isso. Afinal, é exatamente por esse motivo que estou aqui: porque eu consigo lidar com essa merda.
No meu lado esquerdo, há uma pequena repartição de concreto, onde provavelmente deve haver um vaso sanitário, já que a pia está logo a frente. E no meu lado e direito, há uma estante com alguns pertences muito bem organizados, e uma beliche. É quando percebo que não estou sozinho.
Na parte de cima do beliche, avisto um rapaz com o mesmo uniforme cinza. Deve ter mais ou menos a mesma idade que eu, talvez um ou dois anos mais velho. Ele está deitado, aparentemente lendo um livro, mas seu olhar fixo sobre uma única página deixa óbvio que ele não está lendo coisa alguma. Está evitando contato visual porém, atento aos meus passos.
De repente, seus olhos encontram os meus: um olhar afiado e ameaçador, como o de um gato mirando sua presa.
Eu não quero confusão, quero sair daqui.
Quebro o contato visual e vou até a estante ajeitar minhas coisas, tento ocupar o menor espaço possível e mantenho a organização. Depois me deito na cama de baixo, já que estão todos em suas celas, em breve apagarão as luzes e teremos que dormir.
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Os dias parecem mais longos aqui dentro, ainda mais com aqueles babacas me perturbando o tempo todo. Mesmo com as atividades diárias como os cultos toda manhã, que eu não acho tão ruins porque sou cristão, apesar de não frequentar nenhuma igreja; as atividades físicas no pátio; e o trabalho manual, que é o único momento em que me sinto um pouco melhor aqui dentro, já que escolhi a mecânica.
Meu parceiro de cela nunca falou comigo, já deve ter passado dois meses, e eu também não fiz questão de tentar algum contato, com ninguém. Até minhas orações são silenciosas. Mas percebo ele me observando às vezes, de longe – com aquele olhar predador – quando estamos no pátio, refeitório, na oficina, ou na cela.
Ouvi alguns boatos sobre ele: disseram que matou o último parceiro de cela. Talvez seja por isso que ele fica me olhando, talvez queira me matar também.
Seja qual for o motivo, ele não seria o único a ter problemas comigo, como os caras logo à minha frente, andando direto na minha direção. Isso vem acontecendo quase todos os dias no refeitório.
Dois deles esbarram nos meus ombros propositalmente, um de cada lado, e eu seguro firme a bandeja com a comida que acabei de pegar. Mas um terceiro cara, tão alto e forte como os outros dois, dá um tapa na bandeja, derrubando-a e esparramando todo o conteúdo pelo chão.
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Samlixjin - Fast & Furious
FanfictionOnde Felix é um policial disfarçado na missão de investigar Hwang Hyunjin, ex presidiário que agora é campeão de rachas ilegais. Só não esperava que o criminoso tivesse um irmão gêmeo Sam Hwang.
