— Bom dia! — Eu até tentei, mas é impossível controlar o tom sarcástico quando algo me incomoda.
Hyunjin direciona um olhar frívolo na minha direção assim que entra no quarto e me vê sentado em sua cadeira giratória. Ele naturalmente me expulsaria, mas o silêncio entre nós prevalece; ele sabe que estou chateado. São 6h da manhã, e o cansaço está estampado em seu rosto. Ele saiu sem me avisar durante a festa e voltou só agora. Passei a noite em claro, preocupado, sem saber se ele voltaria para casa.
Ele tira a jaqueta de couro preta, arremessando-a em cima de uma cadeira aleatória, junto a uma pilha de peças de roupas usadas. Hyunjin caminha até a janela, o piso de madeira rangendo sob seus pés – o que me lembra das noites em que tentávamos sair de fininho, andando na ponta dos pés para não acordar o papai –, fecha as cortinas escuras para bloquear a claridade insistente do amanhecer, mas deixa o abajur aceso. Mesmo ignorando minha presença, ele sabe que ainda estou aqui e quero conversar.
Desde que voltamos para essa casa, Hyunjin se apossou do quarto do papai. Como ele é 15 minutos mais velho, não questionei. Até porque, não via a hora de ter o meu quarto só para mim. Além disso, o hyung se parece muito com o pai, nos gostos, no estilo, e na paixão inexplicável por carros clássicos. Tanto que Hyunjin nunca mudou nada no quarto, só acrescentou alguns pôsteres de bandas barulhentas.
Os móveis são robustos com detalhes entalhados, assim como toda a antiquaria da casa: o que mais chama a atenção é a cama de dossel com lençóis pretos, e a antiga poltrona de couro gasta do papai; Hyunjin vive sentado nela. Em cima da cômoda, há um porta-retratos do casamento dos nossos pais. A mamãe era tão linda e tinha um sorriso gentil que todos dizem ser igual ao meu. Mas a verdade é que o sorriso do Hyunjin sempre foi o mais gentil; ele só não tem muitos motivos para sorrir hoje em dia.
Acho que tudo o que puxei dela foi o gosto pela música. Meu pai sempre dizia que ela era uma violinista incrível.
Esse quarto, a casa, está tudo impregnado com a presença do passado, cada detalhe trás lembranças da vida que tínhamos antes de tudo desmoronar. Deve ser por isso que meu irmão a mantém intocável.
Hyunjin se deita na cama, com um braço sobre a testa e os olhos fechados. Parece sereno, como se estivesse dormindo, mas eu sei que ele não dorme tão fácil. A mente dele nunca para.
Às vezes, eu também fico assim, especialmente quando ele sai como fez ontem.
— Você disse que não faria mais isso. — Minha voz quebra o silêncio.
Ele não responde. Essa atitude me irrita tanto!
Quando éramos crianças; Hyunjin sempre foi o tagarela, sorridente, parecia que nada podia abalar seu espírito positivo e radiante.
E então, teve o acidente, a morte do papai, aquele cara... O Hyunjin foi preso. Tudo mudou.
Acho que sou a única pessoa com quem ele ainda conversa por mais de cinco minutos. Por isso não gosto de quando se cala, tenho medo de que pare de falar comigo e nunca mais pronuncie uma palavra sequer pelo resto da vida.
— Hyung! — chamo.
Ele bufa e estreita o olhar para mim.
— Não é como se eu pudesse simplesmente parar, Sammy.
— Mas eu não gosto disso.
— E você acha que eu gosto? — Ele encara o teto, seu queixo se enruga e ele morde o lábio inferior para segurar as lágrimas que se acumulam em seus olhos. Engole o sentimento como se nunca tivesse vindo à tona, assim como qualquer outro que possa deixá-lo vulnerável. — Eu pareço feliz pra você?
VOCÊ ESTÁ LENDO
Samlixjin - Fast & Furious
Fiksi PenggemarOnde Felix é um policial disfarçado na missão de investigar Hwang Hyunjin, ex presidiário que agora é campeão de rachas ilegais. Só não esperava que o criminoso tivesse um irmão gêmeo Sam Hwang.
