Então Lizzy começou a contar a fatídica história de sua rotina de pobre:
— Em um dia ensolarado, quando o sol brilhava forte lá fora... eu estava saindo bem plena para fora de casa, quando... — a senhorita dramática disse, fazendo um suspense no final. — Quando de repente, eu encontrei um animal horrendo, asqueroso e assustador! — ela descreveu o bicho com horror.
— Para de me deixar curiosa e conta logo que animal era esse, menina! — pediu Sabrina, rindo da descrição da garota.
— Deixa de ser apressada, deixa eu fazer o meu drama primeiro! — Lizzy falou e em seguida prosseguiu:
— Então, continuando a história, lá estava eu distraída, prestes a abrir a porta, faltava no máximo uns dois centímetros para eu encostar na maçaneta, quando eu vi um negócio preto e estranho que não deveria estar ali. Foi então que eu me aproximei mais e vi que tinha um... — ela fez suspense mais uma vez. — Um ESCORPIÃO ENORME.
— Um escorpião?! — perguntaram as três juntas.
— Sim.
— E aí, o quê aconteceu?! — Milla quis saber.
— Bem, quando eu vi, ele estava lá paradinho, parecia estar morto, mas aí eu pensei comigo mesma: "Humm, eu que não vou me arriscar a pegar nesse bicho, vai que ele tá vivo e me ferra, sou nem doida." — Ela falou a última parte com a mão no queixo, encenando como fez naquele quase fatídico dia, e depois continuou. — Então o que foi que eu fiz: eu peguei um facão e — Lizzy foi interrompida por uma súbita risada por parte de Léia.
— O quê foi, criatura? — perguntou.
— Como assim você pegou um facão?! — ela perguntou, rindo.
As outras, que até então escutavam atentamente, começaram a rir também.
— Mas claro, eu ia bem encostar naquela criatura sinistra que podia estar viva e, ainda por cima, me ferrar! — ela se defendeu.
Mesmo assim, Léia continuou rindo da narrativa.
— Vai, continua a história. — incentivou Milla.
— Tá, tá, onde foi que eu parei mesmo?
— Parou na parte que você pegou o facão. — Léia respondeu, se segurando para não rir.
— Ah, sim. Eu peguei o facão e encostei nele, e adivinhem o que aconteceu? — perguntou de forma retórica. — Né que o escorpião se mexeu!
— E o que você fez? — dessa vez foi Sabrina quem se pronunciou.
— O quê eu fiz? — ela deu uma risada maligna com a lembrança. — Eu levantei o facão que estava na minha mão e cortei o escorpião em três pedaços.
Quando ela falou isso, as três olharam para ela assustadas.
— Vocês queriam o quê? Que eu simplesmente deixasse ele lá, pra ele ferrar alguém? E outra, quem manda ele querer se fingir de morto pra cima de mim, eu hein.
Depois que ela falou isso, as garotas começaram a rir das expressões que se formaram no rosto da amiga, uma mistura de ofendida e indignada ao mesmo tempo.
— E o que aconteceu depois? — Léia perguntou curiosa, esperando mais coisas.
— Depois disso, nada, só joguei os restos do escorpião fora e vida que segue. — respondeu dando de ombros, o que causou mais risadas nas meninas pela falta de interesse da outra por aquele acontecimento. — Além do mais, aparecem escorpiões com muita frequência lá em casa.
— Sério? — surpresa com a última parte, Milla perguntou.
— Sim, de vez em quando eles aparecem. Até perdi as contas de quantos já foram mortos lá em casa. Eu só lembrei de contar dessa vez para vocês, porque foi quase "sal" pra mim. Se um bicho daquele tamanho tivesse me ferrado, acho que eu não estaria viva para contar essa história para vocês.
Léia interviu dizendo:
— Deixa de ser tão dramática, Lizzy, você não ia morrer por causa de uma ferradinha de escorpião.
— Para de estragar o meu drama, menina. — resmungou, para depois continuar. — Mas, falando sério, sem brincadeira, o escorpião realmente era bem grande e se tivesse me ferrado eu estaria lascada. Já ferrou a minha irmã uma vez; a sorte dela é que o escorpião era bem pequeno e por isso não doeu tanto.
— Meu Deus! — Milla murmurou baixo.
— Vida de pobre é assim mesmo, sempre correndo perigo. — comentou Sabrina. E as outras riram (riram para não chorar).
— Então, acabou? — Léia perguntou, direcionando o olhar para a que estava narrando no início.
— Sim. — confirmou. — Essa foi a minha quase fatídica história. — terminou de falar e suspirou alto. Ninguém podia negar, Lizzy era a mais dramática do grupo.
Milla ainda estava associando as informações que Lizzy havia dado quando, de repente, surgiu uma lembrança em sua cabeça. Como sempre, as conversas delas eram formadas por assuntos que ligavam outros assuntos, foi o que acabou acontecendo.
— Ah! Falando em bichos assustadores... — ela limpou a garganta. — Há alguns anos, o meu tio tinha um bicho que, meu Deus... — fez uma cara feia.
— Como ele era? — Léia perguntou.
— Ele era assustador, eu tinha pavor de chegar perto dele! — ela se arrepiou só de lembrar do bicho.
— Fala logo, você está agindo igual a Lizzy agora. — Sabrina disse, rindo como sempre.
— Tá bom, tá bom. — Milla ajeitou os cabelos atrás da orelha, se preparando para contar. — O animal era tipo uma mucura, mas na verdade era uma catita.
— Uma catita? — Lizzy inclinou uma sobrancelha.
— Sim. E certo dia, meu tio não estava em casa, então eu e o meu primo tivemos que dar comida para o bichano! — Léia e Sabrina se olharam.
— Parece que agora a história vai ficar boa! — Léia bateu palmas, ansiosa pelo que estava por vir.
— Ele ficava preso em uma coleira, mesmo assim eu morria de medo dele, pois muitas vezes ele arranhou os braços do meu tio. E olha que ele sempre cuidou dele! — assim que ela contou essa parte, as garotas caíram na gargalhada.
Lizzy, que ainda continuava rindo, perguntou:
— Um rato numa coleira? — a imagem do animal numa coleira foi hilária.
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Pobres iludidas
AdventureLizzy, Léia, Milla e Sabrina, um quarteto de amigas inseparáveis, enfrentam juntas os desafios do último ano do ensino médio. Unidas por sua paixão ardente por um grupo de K-pop, elas compartilham um único e grande sonho: assistir ao show de seus íd...
