capítulo 8

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— Eu não disse que era um rato, eu disse que era uma catita.

— Mesmo assim, parece um rato e um rato numa coleira é muito engraçado! — Ela falava ainda rindo.

— Ai, minha barriga está doendo de tanto rir. — Léia já estava se abanando tentando recuperar o fôlego. — Mas então, o que foi que aconteceu quando você foi dar a comida pra ele? — ela perguntou, curiosa com o restante da história e tentando inutilmente parar de rir.

— Deixei a comida a um metro de distância dele e ele mal conseguia alcançar.

— Coitado! — Léia realmente ficou com dó do animalzinho, porém Milla continuou:

— Coitado nada, ele era mau!

— Mas e aí, o que rolou depois? — Sabrina perguntou claramente interessada com o desfecho da história.

— Meu tio acabou vendendo ele para um outro tio, apesar de gostar dele. Mas, ele matou as galinhas desse outro tio e resultou na sua morte. Enfim, eu nunca gostei dele, imagina o meu alívio quando ele foi vendido e morto! — explicou.

— Por falar nisso, uma vez uma mucura apareceu lá em casa e comeu os pintinhos da mamãe. Você falando nisso me recordei da história.

Depois de muita conversa, o ônibus chegou e elas tiveram que encerrar o assunto por ali.

...

No dia seguinte...

A manhã daquele dia começou com uma leve garoa e o restante do dia ficou nublado. Na escola, tudo que se via eram os alunos com seus casacos e mãos nos bolsos.

Inclusive, Lizzy estava usando seu casaco roxo e Léia também usava um casaco. Milla não vestia um e, quando Sabrina chegou, percebeu que era mesmo a única que não usava casaco.

— Gente pobre que mora no interior é sempre assim, não pode bater um friozinho que já se enfia em um casaco! — Milla resmungou.

— Isso é inveja! — acusou Lizzy.

— Verdade, porque ela é a única que não está com um casaco. — Sabrina concordou.

— Eu? Com inveja? — Milla se fez de ofendida.

— Tá, tá. Mudando de assunto, vocês não sabem o que eu descobri ontem à noite! — anunciou Sabrina, animadamente.

— É realmente, a gente não sabe. — Milla rebateu mal-humorada.

— Nossa, eu esperava isso da Lizzy e não de você. — Léia disse surpresa.

— Por que eu? — indagou Lizzy por ter sido metida de repente na conversa.

— Por quê será em?! — Léia lançou-lhe um olhar questionador.

— Não faço a mínima ideia. — fingiu-se de desentendida.

— Deixa eu falar, gente. — Sabrina atraiu novamente a atenção das garotas.

— Fala logo, criatura!! — Lizzy já estava no ápice de sua paciência e a tarde estava apenas começando.

É... elas tinham uma amizade muito saudável... (perceberam a ironia? kkkk)

— Eu estava mexendo no celular simplesmente meia-noite e vinte quando me deparei com uma Live de uma ARMY, com 300 mil seguidores, e antes que me perguntem, foi por isso que eu entrei na Live, porque ela tinha muitos seguidores. — Ela parou para recuperar o fôlego e logo continuou:

— Depois de uns vinte minutos eu pensei em sair da Live, porque a garota tinha um ar daquelas riquinhas mimadas, sabe... mas ela falou algo que me prendeu na Live, e vocês nem imaginam o que era... — fez suspense.

— Dá pra parar de enrolar e ir direto ao ponto? — Impaciente, a esquentadinha perguntou.

— Calma, Lizzy, já vou chegar lá. Então, continuando, ela estava simplesmente lançando um concurso chamado "Quem quer ir ao show do BTS?". No qual os concorrentes teriam que passar por três fases de uma competição até que, na última, restariam apenas seis grupos de pessoas, dos quais seria escolhido apenas um, que seria o vencedor e os integrantes ganhariam ingressos para ir ao show do BTS de graça com todas as despesas pagas.

— Sério?! — Milla perguntou.

— Sim. — confirmou Sabrina com a mesma empolgação.

— Isso está muito suspeito... — Lizzy comentou desconfiada.

— É, eu também achei no começo, só que aí eu dei uma investigada e descobri que muitos famosos estão divulgando com a #QuemQuerIrNoShowDoBTSDeGraça? Então, se os famosos estão divulgando, deve ser verdade, né?

— Mas por que ela faria isso de graça? — Léia questionou desacreditada.

— O quê uma riquinha que já tem tudo precisa é ser famosa. E com esse concurso, ela vai ganhar muitos seguidores, ou seja, ela consequentemente irá ficar muito famosa. — Milla expressou seu ponto de vista.

— Pode até ser por esse motivo, mas não estou totalmente convencida. Deixa eu ver essa zinha aí.

Então, Lizzy pegou o celular de Sabrina e pesquisou o arroba Camilla Drummond, que era o nome da influenciadora.

Lizzy entrou no canal do Instagram da tal de Camilla e foi rolando o dedo na tela, vendo as publicações que somavam mais de 2 mil. Até que ela encontrou um vídeo que chamou sua atenção, com a seguinte legenda: "Quem quer ir ao show do seu grupo de k-pop favorito?"

Ela clicou no vídeo e a influenciadora começou a falar:

—  Oiiii meus amores, hoje vim aqui anunciar que estou criando o primeiro concurso para pesoas que assim como eu, são fãs de k-pop. Nessa primeira edição vai ser para o show do BTS,o concurso será composto por três etapas,totalmente online visto que algumas pessoas não poderiam voar até São Paulo simplesmente para fazer as provas. Em cada etapa,alguns participantes serão eliminados,restando somente um grupo de kpopers,o qual ganhará cinco ingressos e despesas totalmente pagas... _

A influenciadora continuava a falar, porém Lizzy pausou o vídeo e tentava assimilar o que tinha acabado de ouvir. Ao olhar para ambas as garotas que estavam ao seu lado também assistindo o vídeo, pôde ver que também estavam bastante surpresas.

Sabrina, que já havia assistido ao vídeo pelo menos umas cinco vezes, se pronunciou ao ver a expressão no rosto das amigas:

— Também fiquei surpresa no início.

— Mesmo assim, não sei se acredito totalmente que esse concurso é verdadeiro. — Lizzy disse pensativa.

As garotas continuariam a conversar, porém o sinal tocou e tiveram que entrar na sala. Enquanto esperavam pelo professor, elas refletiam sobre a conversa anterior, decidindo se iriam ou não acreditar naquele tal concurso.

...

Naquele dia, as garotas foram dispensadas na hora do intervalo. O motivo? Bom, o motivo era bem simples: dois dos professores que dariam aula nos últimos horários estavam de atestado médico: um alegava estar com o dedo quebrado, enquanto a outra dizia estar com sérios problemas no intestino, mas convenhamos, todos sabiam que era na verdade diarreia.

Quando estavam a caminho do refeitório, onde poderiam conversar livremente, Seu Francisco, o porteiro da escola, parou as garotas dizendo:

— Ei, meninas, o ônibus já está ligado e prestes a ir embora.

Pobres iludidas Onde histórias criam vida. Descubra agora