capítulo 10 : mais dúvidas

1 1 0
                                    

Marco guiou Jennie por um caminho coberto de flores até uma casa deslumbrante, cercada por jardins bem cuidados. A lua iluminava o lugar, e a beleza serena do ambiente parecia envolvê-los em um momento fora do tempo. Ao entrar, Jennie ficou encantada. A sala estava adornada com flores brancas que exalavam um perfume suave, e fotos deles em momentos divertidos estavam espalhadas pelas paredes, cada uma capturando um instante de felicidade compartilhada.

"Uau, isso é... incrível," ela disse, olhando ao redor, o coração aquecendo com a visão.

"Esperei você aqui," Marco respondeu, um sorriso tímido se formando em seus lábios. "A decoração já estava pronta. A comida pedi no caminho."

Ele se dirigiu à mesa, onde uma refeição de comida japonesa estava disposta ao lado de um prato de estrogonofe. "Eu sei que você ama comida japonesa", disse ele, olhando para o prato que claramente não era o seu favorito.

Jennie sorriu. "E você realmente pediu estrogonofe para você? Sabe que isso é o mesmo que dizer 'eu te amo', certo?"

Marco deu um leve sorriso. "Achei que você iria gostar de um toque pessoal."

Antes de se sentarem, ele pôs uma música suave, criando um clima acolhedor. Enquanto as notas preenchiam o ar, eles se acomodaram à mesa.

"Como você fez tudo isso?" Jennie perguntou, admirando a decoração, sua voz carregada de surpresa.

"Eu queria que fosse especial," Marco disse, fazendo uma pausa. "Mesmo que eu não consiga expressar muito com palavras, tento mostrar com ações o quanto você significa para mim."

Jennie olhou para ele, sentindo um turbilhão de emoções. "Eu sei que você me ama, Marco, mas às vezes eu me sinto perdida," confessou, os olhos baixando. "Eu sei que você se esforça, mas o ciúmes, a forma como você tenta me controlar... não posso ignorar isso."

Marco ficou em silêncio por um momento, sua expressão ficando séria. "Meu ciúmes não é porque eu não confio em você, é porque eu não quero te perder. Sempre tive medo de que alguém pudesse tirar você de mim. Mas isso não é uma desculpa, eu sei disso."

Jennie suspirou. "E é exatamente disso que eu preciso, Marco. Eu preciso de espaço para respirar, para sentir que estou fazendo as minhas próprias escolhas. E, para ser honesta, agora, eu... eu não sei o que quero."

A sinceridade nas palavras dela caiu sobre Marco como uma pancada. "Você está dizendo que não tem certeza sobre nós?" ele perguntou, a dor evidente em sua voz.

Jennie olhou para ele, os olhos brilhando com lágrimas não derramadas. "Sim, Marco. Eu estou dividida," admitiu, sentindo o peso da revelação. "Passei um fim de semana incrível com alguém que me faz sentir leve, que me faz rir e que me faz sentir que posso ser quem sou, sem restrições. E... não sei se isso é justo com você."

Marco respirou fundo, desviando o olhar por um momento. "Então é ele," murmurou, a voz quase inaudível. "Esse outro cara que você estava... é ele quem você está considerando?"

Jennie assentiu, sentindo um nó na garganta. "Lucas sempre foi alguém especial para mim, mas ao mesmo tempo... eu não posso simplesmente apagar o que sinto por você. O que nós temos é intenso, real, mas eu não sei se é o que eu preciso agora. E eu... eu não quero te machucar."

Marco ficou em silêncio por um momento antes de finalmente encontrar sua voz. "Eu não vou mentir, Jennie. Dói ouvir isso. Saber que você tem sentimentos por outra pessoa. Mas eu também sei que fui eu quem criou essa distância entre nós com minhas atitudes."

Jennie encarou Marco, surpreendida com a sinceridade e a calma em sua voz. "Eu não sei o que vai acontecer daqui para frente, Marco," ela disse, sentindo-se mais vulnerável do que nunca. "Eu só sei que preciso de tempo para entender o que eu realmente quero."

Marco respirou fundo, e então, com um sorriso triste, respondeu: "Eu vou te dar esse tempo. Mas, Jennie, saiba que vou tentar ser o homem que você merece. Não posso prometer que vou mudar do dia para a noite, mas vou tentar melhorar. Vou tentar ser alguém que te faça feliz, que te dê espaço e liberdade."

Ela sentiu as lágrimas ameaçarem cair e apertou a mão dele. "Eu quero acreditar nisso, Marco. E quero que você seja feliz também, com ou sem mim."

Eles ficaram em silêncio por um momento, deixando as palavras se assentarem. O som suave da música ao fundo preenchia o vazio deixado pelas emoções não ditas.

"Vamos comer," Marco sugeriu, quebrando o silêncio, com um sorriso que tentava disfarçar a dor. "É nossa noite, afinal."

Jennie assentiu, e enquanto compartilhavam a refeição, ela não pôde deixar de sentir que, apesar de tudo, havia ainda uma esperança para eles. Mesmo que seu coração estivesse dividido, talvez esse momento pudesse ser um novo começo - para ambos.

Depois do jantar, Marco surpreendeu Jennie trazendo a sobremesa. "Não é nada muito especial," ele disse, tentando esconder um pouco da ansiedade. "Mas espero que goste."

"Você realmente se esforçou, Marco," Jennie disse, admirada. "E eu agradeço por isso."

"É o mínimo que eu posso fazer," ele respondeu, os olhos encontrando os dela. "Espero que um dia você possa olhar para mim e sentir que valeu a pena."

Jennie sorriu, sentindo uma mistura de amor, dúvida e esperança em seu coração. "Vamos ver, Marco. Vamos ver."

Ali, naquela sala adornada por memórias e possibilidades, os dois se permitiram um momento de paz, sabendo que, mesmo que não tivessem todas as respostas, estavam dispostos a tentar.

Depois de terminarem a sobremesa, Marco a puxou suavemente para mais perto, seus olhos fixos nos dela. Sem dizer uma palavra, ele a beijou, lentamente no início, como se estivesse tentando memorizar o gosto dela, o calor de seus lábios. Jennie sentiu uma onda de emoções atravessá-la - desejo, carinho, medo e amor. Ela não resistiu quando ele a guiou até o quarto, onde a luz suave das velas dançava, lançando sombras delicadas pelas paredes.

Os dois se perderam um no outro, como se fosse a primeira vez, mas com a urgência e a profundidade de quem sabe que pode ser a última. Marco a tocava com uma mistura de paixão e delicadeza, seus corpos se movendo juntos em perfeita harmonia. Cada toque, cada suspiro, era uma promessa silenciosa, uma tentativa desesperada de se conectarem de forma mais profunda do que jamais haviam feito antes.

Quando finalmente se entregaram um ao outro, foi como se todas as barreiras que os separavam tivessem sido quebradas. Naquele momento, não havia incertezas, apenas a intensidade do que sentiam. Jennie sentiu lágrimas deslizarem por seu rosto, não de tristeza, mas de algo maior, como se finalmente tivesse encontrado um pedaço de si mesma que estava perdido.

"Eu te amo," Marco sussurrou contra sua pele, como se estivesse gravando as palavras em sua alma. Jennie o puxou mais para perto, incapaz de responder com palavras, mas permitindo que seu corpo falasse por ela.

Horas mais tarde, com o coração ainda acelerado, Jennie adormeceu nos braços dele, sentindo-se segura e aquecida. O mundo parecia mais tranquilo, e, por um momento, ela acreditou que tudo poderia se resolver, que talvez, só talvez, eles pudessem encontrar um caminho juntos.

Mas, ao acordar, o primeiro raio de sol entrando pela janela, Jennie sentiu um frio súbito ao perceber que o lado da cama de Marco estava vazio. Ela se levantou, o lençol deslizando pelo corpo, e olhou ao redor do quarto. A ausência dele era palpável, como se o ar estivesse mais pesado. O perfume dele ainda estava lá, mas a presença física havia desaparecido.

Ela encontrou uma pequena nota no travesseiro ao lado dela, com a caligrafia de Marco.

*"Eu precisei sair antes do amanhecer. Tive muito tempo para pensar esta noite e, por mais que eu queira ficar, sei que você precisa de espaço. Vou esperar por você, Jennie, e vou usar esse tempo para me tornar o homem que você merece. Mas acima de tudo, quero que você seja feliz, mesmo que não seja ao meu lado. Marco."*

Jennie sentiu as lágrimas escorrerem pelo rosto. Ela segurou o bilhete contra o peito, o coração apertado com a incerteza do futuro. Mais do que nunca, percebeu que estava dividida entre dois amores - mas agora sabia que Marco estava disposto a lutar, mesmo que isso significasse deixá-la ir.

Envolta pelo silêncio, Jennie deitou-se de novo na cama, sentindo o perfume de Marco ainda impregnado nos lençóis. Fechou os olhos e, por um breve momento, deixou-se levar pelas memórias da noite anterior, sabendo que, não importa qual fosse o futuro, aquele momento seria eterno.

entre dois amores Onde histórias criam vida. Descubra agora