Há muito tempo atrás, em uma densa selva habitada por diversos animais, algo terrível começou a acontecer: Uma seca intensa se instalou na região, fazendo rios secarem, árvores perecerem e o capim parar de brotar.
Com isso, houve uma grande escassez de frutas, peixes, flores e outras coisas que serviam de comida para muitos animais, além da própria falta d'água. Preocupado com aquilo tudo, o leão, que era rei da selva, convocou uma reunião de emergência com todos os animais.
Assim que todos eles estavam presentes, o leão pediu a palavra e proclamou:
- Meus caros súditos! Já não é segredo para ninguém que nossa selva já teve dias melhores! Se não acharmos logo alguma solução, poderá ser o fim para todos nós!
Imediatamente, todos suspiraram, assustados. A raposa, que ouvia tudo atentamente, pediu a palavra e disse a todos:
- Vossa majestade, se me permite dizer, creio que Deus nos mandou essa seca para nos castigar por nossos pecados! Assim sendo, precisamos sacrificar algum animal que tenha cometido muitos erros, para aplacar a ira do Criador!
- Tem toda a razão, raposa! - respondeu o rei, pensativo. - Mas então, quem deverá ser sacrificado?
- Claramente que eu, vossa majestade! - replicou a raposa, bravamente. - Roubei muitas galinhas de fazendas próximas!
- Que bobagem! Já fiz coisa muito pior! - retrucou o tigre, que ouvia tudo. - Já perdi a conta de quantos carneiros, veados e búfalos devorei! Eu é que devo ser sacrificado!
- Pois eu aposto que devorei bem mais do que você, meu amigo! - exclamou o urso. - Me sacrifiquem!
Logo, diversos animais começaram a se manifestar, confessando seus pecados e pedindo para serem o escolhido. O leão começava até a perder o controle da reunião, e resolveu soltar um enorme rugido para aquietar seus súditos. Todos ali imediatamente se calaram, intimidados.
- Já chega de tanto discutir! - exclamou o soberano. - Desse jeito, não chegaremos a conclusão alguma! Mas notei que alguém aqui ainda não se manifestou a respeito: Você, amigo burro!
Dito isso, o leão apontou para o burro, que comia capim tranquilamente enquanto ouvia a reunião. Ao ouvir seu nome, o burro assustou-se e respondeu, de orelhas em pé:
- Eu, vossa Majestade?!
- Você mesmo, burro. O que tem a dizer? - inquiriu o rei.
- Ora, v-vossa M-majestade... - gaguejou o burro, desajeitado e com um pouco de medo. - E-eu jamais fiz qualquer maldade com outro animal!
- Tem certeza disso, meu caro? - alfinetou o leão, desconfiado.
- Tenho, sim, vossa Majestade! Tenho muito orgulho de nunca ter ferido nenhum outro habitante dessa selva! Posso dizer com toda a certeza que nunca cometi nenhum erro em minha vida! - contou o burro, suando frio.
Nesse instante, um esquilo que assistia a reunião do galho de uma árvore se adiantou e disse:
- Vossa Majestade, se me permite dizer, acredito que o amigo burro não seja assim tão inocente!
- É mesmo? - quis saber o rei, intrigado. - E o que foi que ele fez?
- Pois na semana passada... - começou o esquilo. - O burro estava tirando uma soneca sob a sombra de uma bananeira e, ao rolar para o lado enquanto dormia, acabou esmagando minha prima, que corria pela grama bem naquele instante. Eu vi quando o burro acordou horas depois, notou o corpo sem vida de minha pobre prima e simplesmente trotou para longe dali, querendo esconder sua culpa!
- Sendo assim, já temos nosso escolhido para servir de sacrifício! - definiu o soberano, zangado. - Este burro é tão pecador quanto qualquer outro de nós. Entretanto, foi o único que se recusou a reconhecer seus próprios erros! Ele não merece perdão!
FIM
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Contos de Fadas
FantasyUma seleção de contos clássicos, escritos nas minhas palavras como eu os ouvi.
