Há muito tempo atrás, vivia um veado que, à procura de um novo lugar para morar, chegou até uma bela e densa floresta, com muito capim, árvores, flores e rios. Ao ver tamanha beleza natural, imediatamente pensou consigo:
- É aqui mesmo que vou fazer morada!
Assim sendo, procurou por uma clareira grande o bastante e se pôs a trabalhar na construção de sua nova casa. No primeiro dia de trabalho, capinou toda a mata rasteira que havia na área. Quando terminou, exausto, a noite já vinha caindo.
- Puxa, acho que por hoje, já estou cansado demais! - ele murmurou, suando. - Amanhã volto e continuo com a obra.
Dito isso, recolheu suas ferramentas e foi embora.
Naquela madrugada, quando o único som que se ouvia na região era de uma coruja piando ao longe, uma solitária onça-pintada apareceu naquela mesma clareira. Assim como o veado que estivera ali mais cedo, ela também estava atrás de uma nova casa.
Assim que chegou, a onça logo notou o solo limpo e capinado, e pensou:
- Caramba, só pode ser um sinal divino! Acho que Deus está me dizendo para escolher este lugar!
Dito isso, a onça foi até o mato próximo apanhar varas de madeira, e as usou como hastes para erguer sua casa. Assim que terminou, o sol já vinha nascendo. Bocejando, a onça pensou consigo, satisfeita:
- Bom, por hoje já trabalhei o bastante. Amanhã volto e continuo.
Em seguida, sumiu por entre as árvores.
Horas depois, no início da tarde, o veado voltou para seguir com a construção. E ficou boquiaberto ao ver as varas de madeira fincadas na terra, formando um quadrilátero.
- Puxa, vida! Deus deve estar me ajudando com a obra! - disse ele, feliz da vida.
Sentindo-se até mais motivado a trabalhar, o veado foi até o mato pegar mais madeira, serrou em formato de tábuas e construiu as paredes da casa. Assim que terminou, foi embora para descansar.
Depois que anoiteceu, a onça voltou para seguir com a construção e ficou maravilhada ao ver as paredes já montadas.
- Deus deve estar me ajudando com a obra! - exclamou ela, sorridente, antes de começar a fazer o telhado.
E assim passaram-se os dias. Pela manhã, o veado vinha e trabalhava em alguma parte da casa. E à noite, quando ele não estava, a onça vinha e complementava com algo que faltasse. Ambos acreditando que estavam sendo ajudados por Deus.
Até o dia em que a casa ficou finalmente pronta. O veado apareceu com sua mala e um cobertor e se instalou em um dos quartos, feliz da vida. Assim que anoiteceu, a onça apareceu com sua bagagem e se instalou no outro quarto, também muito contente. Naquela noite, os dois dormiram satisfeitos e sossegados, sem saber que não estavam sozinhos ali.
Até a manhã seguinte, quando o veado acordou, se espreguiçou e saiu do quarto. E deu de cara com a onça, que tomava café. Os dois pularam de susto.
- O que pensa que está fazendo na minha casa, seu folgado?! - rosnou a onça, arreganhando os dentes.
- Ora, eu é que te pergunto! - retrucou o veado, assustado. - Quem construiu essa casa fui eu! Terminei ela ontem, mesmo!
- Está achando que sou palhaça, é?! - rosnou ela. - Eu é que construí essa casa! Trabalhei por mais de uma semana nela!
- Espere um pouco... - disse ele, começando a entender o que acontecera. - Então era você que estava me ajudando com a obra! Pensei que era Deus me abençoando!
Abismada, a onça pensou por alguns instantes e respondeu, um pouco mais calma:
- Eu também pensei que era Deus me ajudando... se eu soubesse que havia um palerma como você querendo se estabelecer aqui, teria procurado outro lugar!
- Tenha calma, amiga onça! - interveio o veado, receoso. - Eu entendo que houve um mal-entendido. Mas agora que a senhora já sabe que o dono da casa sou eu... bem que a senhora podia ir procurar outro lugar...
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Contos de Fadas
FantasiUma seleção de contos clássicos, escritos nas minhas palavras como eu os ouvi.
