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POV Mia

Não conseguia parar de sorrir depois de tudo o que se tinha passado com o Félix. Ainda estava a digerir cada detalhe — o pedido inesperado, a forma como ele tinha confessado os sentimentos em frente a toda a equipa. Mas o momento com o Neves ainda estava a pesar-me. A expressão dele quando viu o anel, parecia destroçado, e a dor nos olhos dele era algo que eu não conseguia tirar da cabeça.

Quando o abracei para agradecer pelas flores, senti um carinho genuíno, mas também uma tristeza profunda. Não estava preparada para lidar com aquilo, e saber que ele tinha sentimentos por mim deixava tudo mais complicado. Não queria magoá-lo, mas, ao mesmo tempo, não podia fingir que os sentimentos dele não existiam.

O Félix, porém, era agora o meu namorado. Aquele beijo durante a entrevista parecia o início de uma nova fase na minha vida, algo com que eu sempre sonhei, mas nunca imaginei que aconteceria assim, em público, de forma tão sincera e genuína.

— Mia! — ouvi a voz do Félix, a chamar-me para dentro.

Respirei fundo, tentando afastar os pensamentos sobre o Neves e focar-me no que acabara de acontecer com o Félix. Voltei para a sala, onde ele estava com um sorriso radiante. Parecia tão feliz, tão tranquilo, como se tivesse conseguido algo que desejava há muito tempo.

— Estava a pensar... o que achas de irmos passar o fim de semana juntos, só nós os dois? — sugeriu, com aquele brilho nos olhos que me fazia derreter.

— Isso seria maravilhoso! — respondi, a sorrir, sentindo-me empolgada com a ideia.

POV Neves

Ver aquele anel na mão dela foi como levar um soco no estômago. Tudo o que tinha planeado dizer, toda a coragem que reuni durante a semana, desfez-se num instante. E, pior, ela parecia tão feliz. O Félix tinha realmente conquistado o coração dela, e eu fiquei para trás, como uma sombra daquilo que poderia ter sido.

Por que demorei tanto? Talvez, se tivesse falado mais cedo... talvez ela pudesse ter visto algo em mim para além de amizade. Mas agora não importava; só me restava fingir que estava feliz por ela, quando, na verdade, tudo o que eu queria era gritar o quanto gostava dela.

Depois de lhe entregar as flores e ver a alegria dela com o Félix, percebi que ia ter de aprender a lidar com isto, mesmo que me consumisse por dentro. O que não esperava era que o Félix decidisse voltar para o Benfica. Isso significava que, para além de os ter de ver juntos, ainda teria de ouvir as conversas e os elogios intermináveis dele sobre ela.

De repente, percebi que o meu verão ia ser um verdadeiro teste à minha paciência. E não sabia quanto tempo conseguiria aguentar sem explodir.


POV Mia

O plano para o fim de semana parecia perfeito — uma oportunidade para nos afastarmos de tudo, especialmente da tensão que ainda pairava no ar. Mas, por mais que tentasse, não conseguia desligar completamente a cabeça.

Enquanto fazia a mala, peguei novamente no anel, deixando que a luz suave do quarto fizesse cintilar o brilho discreto da pedra. Era bonito, simples e cheio de significado. Ainda assim, um pedaço do meu coração doía pelo Neves. Sabia que não era responsável pelos sentimentos dele, mas custava saber que alguém tão especial estava a sofrer por minha causa.

O Félix apareceu encostado à ombreira da porta, a observar-me em silêncio. Quando dei por mim, já estava ao meu lado, envolvendo-me nos braços.

— Em que estás a pensar? — perguntou, baixinho, encostando a testa à minha.

Hesitei. Não queria mentir-lhe, mas também não queria estragar aquilo que tínhamos acabado de construir.

— Em nós — respondi, oferecendo-lhe um sorriso. E era verdade. Era nele que queria focar-me agora.

O sorriso dele alargou-se e beijou-me de forma carinhosa.

— Então vamos fazer deste fim de semana o início da nossa história. Só nós os dois, sem mais ninguém — prometeu, com um brilho nos olhos.


POV Neves

Fiquei sentado no balneário vazio, a olhar para a parede, como se ela pudesse dar-me respostas. Os rapazes já tinham ido todos embora, mas eu continuava ali, sem vontade de me mexer. Cada gargalhada, cada olhar cúmplice que vi hoje entre eles era como sal a arder nas feridas que eu tentava esconder.

Peguei no telemóvel e, contra o meu melhor juízo, abri o perfil dela nas redes sociais. Uma nova fotografia: ela e o Félix, abraçados, com aquele sorriso radiante que me partia o coração.

Suspirei, pousando o telemóvel ao meu lado, e fechei os olhos. Tentei respirar fundo, mas parecia que o ar pesava mais a cada segundo. Tinha duas opções: continuar a remoer esta dor até me destruir ou aceitar que, se gostava verdadeiramente dela, tinha de lhe desejar felicidade — mesmo que essa felicidade não me incluísse.

Mas era tão mais fácil dizer do que fazer.

Levantei-me, finalmente, e peguei no saco. Era hora de ir embora. Enquanto caminhava para fora do estádio, fiz uma promessa a mim mesmo: podia não conseguir esquecê-la de um dia para o outro, mas ia tentar. Ia focar-me no futebol, nos treinos, nos meus sonhos.

Talvez, com o tempo, encontrasse uma forma de seguir em frente, ou, pelo menos, de sobreviver à dor.

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Desculpem ter estado tanto tempo sem fazer mais. Tive a dar um tempo pra ter a certeza se devia continuar com isto ou não. Decidi que vou continuar até que eles fiquem juntos.
Esta história estava prevista para ter por volta de 40 episódios mas vou ter de a encurtar. Não por não querer escrever mas porque já não estou a gostar muito de rumo.
Espero que continuem a gostar <3

Love in the gameHistórias para pegar e não largar. Descubra agora